2011/12/12

A Chulice Musical

Já todos sabemos que há grandes indústrias e impérios construídos ao longo das décadas, que agora culpam a internet como sendo o "fim do mundo", e que - talvez ainda mais incrivelmente - até consideram normal passar a tratar os seus clientes como criminosos: como poderá atestar qualquer pessoa que decida comprar um DVD, Bluray, CD, jogo, etc. para ser imediatamente brindado com clips a dizer que copiar é crime, e que para nos ajudarem até vão "infectar" aqueles sistemas de DRM que apenas servem para que os legais compradores nem sequer possam usufruir do que compraram da forma que muito bem entenderem.

Mas, pior que estar a ser roubado... é estar a ser roubado e nem sequer se poder fazer queixa. E é infelizmente esse o caso em que se encontram aquelas empresas que se tentam adaptar aos tempos modernos e a reponder às novas necessidades dos utilizadores.

Empresas como o Spotify ficam amordaçadas pelos contratos abusivos impostos pelas gigantes da indústria discográfica, mas que alguns mais corajosos começam a revelar. E o panorama... é mesmo de extorsão completa!

Entre as cláusulas comuns neste tipo de contratos estão coisas como:
1) Pagar o valor máximo de: pagar X cêntimos por cada música ouvida; ou Y cêntimos por cada cliente; ou percentagem sobre os lucros da empresa
2) Pagar esses valores adiantados (por exemplo, 1 ou 2 anos de serviço planeado) mesmo que depois não tenham clientes - mas claro, se houver mais clientes que o estimado, recebem igualmente mais por isso.
3) Direito a participação na empresa
4) Ter automaticamente acesso às mesmas condições (melhores) que negociarem com qualquer outra empresa
5) Não poder falar sobre nada disto publicamente

... Felizmente.. as coisas vão mudando... e só falta a próxima geração de "grandes artistas" (independentemente da sua qualidade musical), começar a optar pela distribuição directa, recebendo directamente das "stores" - à semelhança do que acontece com os developers de Apps. Afinal... basta que façam as contas... será que há algum artista que actualmente receba 70% dos lucros gerados pela sua música?...

4 comentários:

  1. Felizmente já temos muitas e boas bandas a fazerem distribuições independentes e directas. Assim de repente recordo-me de Radiohead que pelo menos há dois albuns para cá, disponibiliza em primeiro lugar on-line através do seu site e só depois para as 'stores' fisicas ou on-line.

    Que outras sigam o exemplo, porque ao pagar por um album, espero que seja o artista que receba a maior fatia, afinal de contas estou a demonstrar que gosto da musica e não da editora!

    Cumprimentos

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  2. Concordando com a ideia subscrita... não posso de deixar de salientar quais as reais consequências para uma indústria que vive (mais do que talento, tecnologia ou arte) da divulgação!!!! Qualquer pessoa mais atenta notará que são cada vez menos os nomes novos que surgem em virtude da incapacidade que novos artistas têm de penetrar em meios cada vez mais monopolizados (e nisso o Itunes é cada vez mais um monopólio grande que vem substituir outros mais pequenos e não uma alternativa). Estas apostas na distribuição directa só serão possíveis quando os "clientes" desta industria possam por vontade e desejo próprio procurar a música em múltiplos e variados sítios.

    Quanto aos Radiohead,Prince e outros artistas consagrados, é fácil proceder à distribuição online... tão fácil quanto a sua dependência dos rendimentos do seu negócio pender para os "outros" meios de distribuição: em particular as digressões e o merchadising. O problema é que para maior parte dos eventuais novos artistas isso não lhes permite arrancar...

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  3. Creio que há um outro aspecto a ser observado: cada vez mais os artistas retiram dividendos não dá música gravada e sim dos concertos ao vivo. Isso vale desde a banda de garagem da minha cidade aos U2. Conheço casos de bandas que até disponibilizam gratuitamente para download suas músicas, pois quanto mais pessoas as ouvirem mais divulgação terão e mais gente haverá nos concertos.

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  4. Por isso é que o Google Music é revolucionário.
    Basicamente é um serviço com o nome da Google por trás e que vai permitir a bandas independentes vender a música directamente ao consumidor.

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