2026/08/08

Os carros que mais desvalorizam em Portugal

Um carro pode perder metade do seu valor em apenas cinco anos, mas alguns podem valer ainda menos.

Comprar um carro novo pode ser um investimento considerável, mas poucos condutores pensam na desvalorização que o modelo escolhido vai sofrer nos primeiros anos de vida. Quando chega a altura de vender, a realidade pode ser bastante desagradável: o veículo vale muito menos do que se esperava, e a perda financeira é difícil de ignorar.

Um estudo realizado pela carVertical analisou quais os modelos que perdem valor mais rapidamente em Portugal e no resto da Europa. As conclusões mostram que alguns carros novos podem perder mais de metade do seu valor nos primeiros cinco anos, com a desvalorização a ser mais acentuada logo após a compra e a abrandar com o passar do tempo.

Em Portugal, o modelo que mais desvaloriza é o Jaguar I-Pace, com uma perda média de 64,6% do valor em cinco anos. A seguir surgem o Opel Insignia, com 61,2%, o Nissan Leaf, com 58,1%, o Ford Mondeo, com 57,7%, e o Audi e-tron, com 54,3%. São números expressivos que representam milhares de euros evaporados em poucos anos.

Os veículos eléctricos também enfrentam um problema sério de desvalorização. O rápido desenvolvimento da tecnologia de baterias e o aumento constante da autonomia dos modelos mais recentes fazem com que um eléctrico com apenas alguns anos de uso possa receber pouca atenção no mercado de usados. A autonomia desses modelos tende a ser insuficiente para os padrões actuais, limitando a sua utilidade a deslocações urbanas e tornando-os menos apelativos para potenciais compradores.
A nível europeu, os números são ainda mais pronunciados. Analisando os dados de todos os países incluídos no estudo, o Jaguar I-Pace lidera com uma desvalorização de 73,1% em cinco anos, seguido do Land Rover Range Rover com 70,1%, do Nissan Leaf com 62,4%, do Audi e-tron com 60,9% e do Jaguar XF com 59,9%. A tendência é clara: os modelos premium e eléctricos são os que mais sofrem na Europa Ocidental, enquanto nos mercados mais sensíveis ao preço até os carros económicos podem perder valor a um ritmo elevado.

Mas nem tudo são más notícias. O estudo da carVertical identifica também os modelos que melhor resistem à desvalorização em Portugal. O Peugeot 508 é o que mais preserva o seu valor, com uma perda de apenas 48,7% em cinco anos. Seguem-se o Opel Astra com 48,8%, o Tesla Model S com 51%, o Tesla Model 3 com 52,6% e o Hyundai Ioniq com 53,8%.

No fundo, a desvalorização de um automóvel não depende apenas dos anos que tem, mas também da procura que existe para esse modelo específico. Um veículo com baixa procura ou considerado uma compra de risco perde valor de forma muito mais acelerada do que um modelo popular e económico, que beneficia de uma base alargada de potenciais compradores. Para ajudar os condutores a navegar neste risco financeiro, a carVertical integrou nos seus relatórios uma funcionalidade de Valor de Mercado, que analisa tendências históricas de preços e projecta o valor futuro do veículo, transformando uma incerteza numa decisão mais informada.

Nota metodológica: o estudo da carVertical analisou relatórios históricos de veículos adquiridos pelos utilizadores da empresa entre Janeiro de 2023 e Dezembro de 2025, abrangendo a desvalorização de veículos fabricados em 2020. A percentagem de desvalorização foi calculada comparando o preço de venda sugerido pelo fabricante com o valor no mercado após cinco anos.

[Pela Estrada Fora]

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