2019/01/15
Smart TVs baratas à custa da privacidade dos utilizadores
Estamos habituados a que serviços gratuitos como os da Google ou Facebook usem os nossos dados como forma de pagamento, mas os fabricantes de Smart TVs estão a fazer o mesmo, e dizem que só assim podem praticar os preços que praticam.
No passado já passamos por alguns casos caricatos, como quando se pediu aos fabricantes de portáteis que disponibilizassem modelos sem o Windows pré-instalado... e eles disseram que, ao contrário do que se esperaria, o preço do portátil teria que aumentar, já que perdiam o dinheiro que recebiam para adicionar diversos serviços pré-instalados. Agora voltamos a estar numa situação idêntica, mas referente às Smart TVs.
Tal como o Facebook e Google (e centenas de outros serviços de tracking) seguem atentamente todo e cada movimento que fazemos online, também as Smart TVs permitem recolher preciosos dados sobre o que os utilizadores vêem e fazem (e não é propriamente novidade, pois já se falava disso em 2015).
À semelhança do serviço de VPN Onavo que o Facebook utilizou para espiar serviços concorrentes, os fabricantes de Smart TV estão na invejável posição de terem acesso a tudo o que um utilizador faz com o seu televisor. Ou seja, um serviço como a Netflix sabe exactamente o que cada cliente faz dentro da sua app, mas tudo isso termina no momento em que o cliente encerra a mesma - já o fabricante da Smart TV, sabe se logo de seguida o utilizador abriu o YouTube, ou saltou para o Amazon Prime, o que lá fez e por quanto tempo lá permaneceu. Dados extremamente valiosos para determinar o desempenho da concorrência e reagir em conformidade.
Alguns fabricantes permitem limitar parcialmente o tipo de dados recolhidos, mas a maior deles utiliza uma táctica idêntica à da Microsoft no Windows 10, em que mesmo limitando a informação ao máximo, há coisas que continuam a ser enviadas para eles. Uma opção mais radical passa simplesmente por não ligar a Smart TV à internet, mas isso implica perder muitas das suas funcionalidades; outras para utilizadores mais avançados, poderá consistir em bloquear apenas o acesso a determinados endereços relacionados com o envio dessa informação.
Talvez com o pressuposto de medidas como o RGPD, se possa fazer maior pressão para que os fabricantes tenham que prestar contas quanto ao tipo de dados que estão a recolher e a vender; pois embora o Facebook esteja neste momento a ser visto como o "lobo mau", a verdade é que o abuso na recolha e partilha / venda de dados dos utilizadores é algo que está disseminado de forma muito mais global.
Era inevitável esta acção por parte dos fabricantes, hoje uma boa smarthtv pode ser usada como um computador, eu pelo menos uso a minha dessa forma, acredito que muito mais gente também o faça, o que acaba por tornar estas plataformas ainda virgens no que há publicidade respeita um alvo a atingir, vamos ver como é que as marcas se destinguem num futuro próximo.
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