2026/10/24

UE adia meta de transição para eléctricos em 2035

A prometida data de 2035 para o fim dos automóveis a combustão deverá ser adiada.

Os legisladores europeus estão a ponderar uma alteração à proibição prevista pela União Europeia de vender novos automóveis com motores de combustão a partir de 2035. Um acordo proposto entre os principais grupos políticos do Parlamento Europeu substituiria a exigência de uma redução de 100% nas emissões de escape por uma meta de 87,5%. Os fabricantes poderiam compensar parte das emissões restantes através da utilização de aço com baixas emissões de carbono, permitindo que automóveis a gasolina, gasóleo e híbridos plug-in continuassem à venda além de 2035. A proposta ainda precisa de ser votada pelo Parlamento e negociada com os Estados-membros.

Esta mudança daria mais tempo a fabricantes como a Volkswagen, BMW e Stellantis para adaptarem as suas fábricas e gamas de modelos. Os defensores da medida argumentam que uma transição mais gradual protegeria também os postos de trabalho e teria em conta as dificuldades dos condutores que não conseguem carregar facilmente um automóvel eléctrico em casa ou que percorrem regularmente grandes distâncias. Poderia também beneficiar empresas que investiram em plataformas flexíveis, capazes de suportar motores de combustão, sistemas híbridos e veículos totalmente eléctricos, em vez de dependerem exclusivamente de modelos eléctricos.
No entanto, os críticos alertam que o adiamento poderá enfraquecer a posição da Europa no mercado global de veículos eléctricos. Os fabricantes chineses estão a melhorar rapidamente as baterias, o software e os sistemas electrónicos dos automóveis, ao mesmo tempo que lançam modelos eléctricos cada vez mais acessíveis. As marcas europeias correm o risco de ficar ainda mais para trás se se mantiverem "agarrados" aos motores de combustão, em vez de se focarem totalmente nos veículos eléctricos.

Este compromisso poderá também prolongar a relevância dos híbridos plug-in e dos eléctricos com extensor de autonomia (EREV). Estes modelos combinam a condução eléctrica nas deslocações diárias com um motor de combustão usado como gerador para fornecer energia nas viagens mais longas, oferecendo uma alternativa prática a quem ainda não está preparado para mudar para um automóvel totalmente eléctrico.

Ficaremos a aguardar para ver qual será a decisão. Sendo que, independentemente do resultado, muitos europeus continuarão a optar pelos eléctricos, nem que seja como forma de escaparem aos preços elevados dos combustíveis.

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