O roubo da Binance foi potenciado por falsas entrevistas de emprego e malware distribuído pela Google.
A Binance revelou mais detalhes sobre o ataque que permitiu o roubo de 6.3 mil milhões de dólares em criptomoedas.
Segundo o relatório publicado pela plataforma, o ataque começou em Junho, quando um dos seus engenheiros descarregou uma ferramenta Ai adulterada que tinha pesquisado, com a Google a apresentar um resultado malicioso promovido como publicidade. Esse download foi detectado pela empresa, levando à substituição completa do portátil, mas isto permitiu aos atacantes confirmar que o engenheiro em questão era um alvo de interesse. Em Setembro, um engenheiro de software foi contactado através de uma plataforma legítima de recrutamento por alguém que se fazia passar por representante de uma empresa fictícia.
Os atacantes organizaram duas entrevistas para conquistar a confiança do funcionário. Durante a segunda, realizada através de uma popular aplicação de mensagens, o engenheiro recebeu instruções para descarregar e executar um exercício de programação alojado num repositório online. Os ficheiros continham malware até então desconhecido, que não foi detectado pelo software antivírus. O código malicioso substituiu um componente legítimo de uma ferramenta de desenvolvimento do macOS, permitindo aos hackers executar comandos remotamente e comunicar com servidores controlados pelos atacantes.
A 20 de Outubro, os piratas informáticos utilizaram o computador comprometido e uma ferramenta interna de AI para atacar outros dois funcionários que trabalhavam na infraestrutura de carteiras digitais da Binance. Desta forma, conseguiram obter credenciais e um token de implementação, que utilizaram a 29 de Outubro para aceder ao serviço de assinatura de transacções da plataforma. Os atacantes transferiram então milhares de milhões de dólares através de várias blockchains. O ataque segue tácticas frequentemente associadas a campanhas de hackers norte-coreanos, que recorrem a falsos processos de recrutamento e exercícios de programação maliciosos para atacar programadores e empresas ligadas às criptomoedas; com o FBI a atribuir a operação ao grupo TraderTraitor, também conhecido como Lazarus Group.
A Binance diz já ter reconstruído os sistemas afectados, substituído os equipamentos comprometidos, e revogado as credenciais roubadas. Até 3 de Novembro, 2.85 mil milhões de dólares roubados tinham sido congelados ou interceptados, tendo já sido repostos 98% dos activos afectados.

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