Após anos, e anos, e anos, e anos de espera (a Tesla mostrou-o e começou a aceitar reservas em 2017), a Tesla mostra finalmente o seu prometido Tesla Roadster voador, completamente diferente do que tinha mostrado.
O novo Roadster nada tem a ver com o modelo mostrado inicialmente - o que poderá ser uma grande desilusão para os que o tinham reservado com base nas suas linhas fluidas - adoptando um design mais parecido com o de um Lamborghini (a Tesla diz que o design foi inspirado em aviões como o SR-71 Blackbird). Muitas das promessas iniciais ficaram pelo caminho, com a prometida autonomia de 1000 km, que cai para metade. Em vez disso, os futuros compradores passam a poder contar com um carro que chega em diferentes versões: a versão "normal", uma versão com ventoinhas que permitem "colar" o carro ao solo, e a exibicionista versão "a jato" capaz de voar.
Roadster transforms in Track Mode
— Tesla (@Tesla) October 16, 2026
These aero features aren't just for looks: they provide the best passive downforce package of any road car (approaching F1 levels!) with wing actuation driven by the @Tesla_Optimus actuator system pic.twitter.com/AqrC4qUga9
A Tesla começou por demonstrar a capacidade de sucção do, carro, fazendo-o subir por uma rampa até ficar na vertical e também de cabeça para baixo. Impressionante sim, mas nada de inédito, sendo algo que já foi demonstrado há mais de um ano pelo McMurtry Spéirling. Mas, a grande demonstração da noite foi quando o Roadster avançou pela rampa a grande velocidade, projectando-se no ar de cabeça para baixo, e - no ar - reorientando-se para fazer uma aterragem suave.Our design language has evolved since the last reveal: from S3XY to Cybertruck, Cybercab & Optimus
— Tesla (@Tesla) October 16, 2026
Roadster is inspired by the SR-71 & F-35 pic.twitter.com/CV7trDTS66
Real life, baby pic.twitter.com/3QEqn18wig
— Tesla (@Tesla) October 16, 2026
A demonstração seguinte materializou o "sonho" de saltar por cima de uma fila de carros parados, contando também com uma "reviravolta" para efeitos artísticos...Do a kickflip! pic.twitter.com/DJ1Bq1yu8m
— Tesla (@Tesla) October 16, 2026
E por fim, a aceleração a jato, fazendo-o chegar dos 0 aos 100 km/h em 0.81 segundos (com o condutor a ter que suportar uma força superior a 3G).0-60 mph in 0.81 seconds pic.twitter.com/7Pp4oqJVzq
— Tesla (@Tesla) October 16, 2026
Roadster event livestream https://t.co/G0jU4mWfid
— Tesla (@Tesla) October 15, 2026
Ora, passando à análise do evento. A demonstração foi um mega-sucesso, e há que reconhecer a coragem da Tesla em fazê-la ao vivo em frente a um grupo de pessoas. Havia quem lançasse a acusação de que a Tesla fez a demonstração à noite para a "falsificar" com cabos e ilusões, mas tudo indica que efectivamente foi tudo feito de verdade. Ainda assim, há a suspeita mais plausível de que os carros que efectivamente voaram eram versões "despidas" internamente, mas há que reconhecer que a própria Tesla indicou claramente que se tratavam de protótipos e não das versões finais de produção. Falando da produção, na habitual tradição de Elon Musk e da Tesla, é algo que agora fica prometido para 2028, significando um diferencial de mais de uma década (!) desde a apresentação inicial.
Na versão voadora, todo o espaço interior do carro é usado por um tanque de alta-pressão. Para evitar a necessidade de "recarregar", o carro tem o seu próprio compressor, recarregando o tanque por si mesmo sem necessidade de qualquer dispositivo externo. No entanto, há que referir que esta versão voadora do Roadster nem sequer estará disponível para quem o quiser: a Tesla diz que esta versão só estará disponível por "convite" para uma clientela muito selecta e restrita.
... Algo que faz todo o sentido, já que esta variante dificilmente receberia aprovação para circular nas estradas públicas. Muito certamente destinando-se apenas a figurar nas garagens de alguns poucos bilionários espalhados pelo mundo, para serem exibidos e nada mais.
Justificou-se o tempo de espera, para ver algo que não se pode comprar nem poderá ser usado? É discutível. Muitos dos clientes originais poderão ficar desapontados, por terem perdido benefícios práticos como a autonomia "de 1000 km" em troca de capacidades nada úteis para o dia a dia (mesmo a versão com ventoinhas, só poderá ser usada em pista... e com tampões nos ouvidos). Por isso, será difícil contrariar que esta demonstração - bem sucedida, é certo - se destinou mais a ser uma demonstração das capacidades de engenharia da SpaceX, para fazer subir as acções e servir de preparação para uma eventual fusão da Tesla na SpaceX.How they kept this is a secret is beyond the reveal itself. Kudos Tesla/SpaceX pic.twitter.com/DMLTYNpCxN
— Linus ✦ Ekenstam (@LinusEkenstam) October 16, 2026
Agora é uma questão de ver se a promessa de entregar os Roadsters efectivamente se concretizará em 2028 ou se será preciso esperar ainda mais alguns anos, ou, se até lá, Elon Musk se lembra de dizer que o Roadster também deveria andar debaixo de água, levando a mais uma década de espera.
P.S.: O ponto ridículo da noite foi o destaque dado ao aileron móvel traseiro... parecendo ignorar todos os carros que os usam há décadas. E, mais demonstrativo de que se tratou de um evento "show-off" do que propriamente dedicado ao carro, apesar das múltiplas referências de que se tratava de um carro "para o prazer da condução", não foi mostrado sequer um vídeo de como o carro se comportava a dar as curvas em pista.





Isto é um bocado como apresentar um trabalho e fazer um espectáculo de ilusionismo lá pelo meio, para disfarçar que o trabalho feito está muito atrasado e longe de ser o que foi prometido.
ResponderEliminarÉ mesmo isso. E se o objetivo da Tesla é ter carros autodirigidos, esta "feature" faz ainda menos sentido
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