A demonstração do Tesla Roadster voador está a gerar bastantes perguntas, e maior delas é a da própria Tesla admitir que o carro poderá nem existir.
A Tesla fez uma impressionante demonstração do muito esperado Roadster na sua versão voadora. Desde então, e como praticamente tudo na internet, não têm faltado perguntas, análises, discussões, acusações, e até teorias de conspiração.
Desde logo, há quem refira que o Roadster não é "voador" mas sim "saltador". Sabe-se agora que o carro apenas consegue manter-se no ar durante um máximo de cerca de 5 segundos antes que o depósito de alta-pressão se esgote. Recarregar o depósito para nova utilização é algo que actualmente demora entre 7 a 8 horas, mas que a Tesla espera reduzir para 30 minutos na versão final.
Essa questão da versão final também gera polémica, pois tudo indica que os carros que foram utilizados para a demonstração do voo foram veículos "despidos" - com estrutura totalmente diferente da que seria necessária para o veículo final - levantando questões sobre se o sistema conseguirá fazer o mesmo quando tiver o peso acrescido do pack de baterias total.
Há também quem critique que o carro venha apenas com tracção traseira (dois motores, um para cada roda) e sem motor dianteiro. Algo que uns tentam minimizar dizendo que, com a sucção das ventoinhas a tracção dianteira deixa de ser necessária; mas que outros relembram que não será possível circular normalmente com as ventoinhas ligadas (o barulho provocado é "ensurdecedor", mesmo para quem estava a assistir à demonstração a centenas de metros de distância). E... há a questão dos limpa-pára-brisas inexistentes.
Mas, parte mais curiosa é que, apesar da Tesla estar a pedir, desde já, um depósito de 250 mil dólares para o Roadster com ventoinhas (a versão voadora só estará disponível para alguns poucos convidados da Tesla), a empresa de Elon Musk ressalva que, não só o carro poderá afinal não estar pronto na data prometida de 2028, como poderá nunca chegar a ser entregue!
É um surpreendente toque de realismo e humildade, por parte de uma empresa que começou a aceitar as pré-reservas do Tesla há quase uma década e tem feito os clientes esperar desde então - e continuarem a esperar até 2028, por um carro totalmente diferente do que tinha sido mostrado inicialmente. Quase seguramente, é uma cláusula que pretende evitar futuros processos, no caso da data de 2028 também não ser concretizada.
... Talvez não tivesse sido má ideia de tivesse incluído uma indicação idêntica na venda da opção FSD... que continuam a aguardar, ano após ano, pela chegada da tão prometida função que ia chegar "brevemente", e que ainda não chegou (nem nunca chegará aos carros com HW3, apesar de na altura a Tesla ter assegurado que tinham todo o hardware necessário para tal).
2026/10/17
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