2026/01/24

Como funciona uma caixa eCVT

As caixas eCVT permitem criar um sistema de variação contínua entre motores e rodas, sem as desvantagens das caixas CVT convencionais.

Apesar de, no mundo automóvel, se terem popularizado as caixas manuais (e nas últimas décadas aumentando a aceitação das caixas automáticas), existe uma opção que é mecanicamente mais vantajosa e eficiente: as caixas de variação contínua. Em vez de se ficar preso a um número fixo de relações (5, 6, 7, etc.) as caixas de variação contínua permitem um número infinito de "velocidades" (temos um exemplo de visualização fácil em LEGO). O problema é que, estas caixas normalmente usavam correias que não eram adequadas para suportar grandes potências e binários, tendo sido relegadas para alguns modelos com motorizações mais fracas e, devido a isso e à sua "estranheza", acabaram por ficar com má-fama.

Mas, e se se pudesse dispensar as problemáticas correias e ter uma caixa CVT apenas com engrenagens directas? Ora, é precisamente isso que acontece com as chamadas eCVT, que permitem transformar qualquer velocidade de rotação de um motor em qualquer velocidade de rotação das rodas. A parte curiosa é que isto não é "novidade", e tem sido usado há décadas nalguns veículos, sob diferentes designações (bem sabemos como as marcas automóveis gostam de usar nomes "especiais"), com a versão mais popular para os europeus a ser aquilo que a Toyota designava como Hybrid Synergy Drive (HSD) no Prius.


O que estas eCVT não resolvem é o facto de poderem continuar a parecer estranhas para quem está habituado a ouvir o tradicional som do motor a subir de rotação associado a um aumento de velocidade. Com estas caixas, é possível o motor manter-se à mesma rotação enquanto o carro acelera ou desacelera, ou até mesmo o motor subir de rotação enquanto o carro desacelera, e vice-versa. Mas, em termos de eficiência, permite que o motor se mantenha na rotação em que produz máxima potência para acelerações mais rápidas, ou na rotação de máximo binário para circulação mais eficiente.

Pelo que consegui encontrar, uma caixa deste tipo representa cerca de 10% de perda de eficiência, pelo que fica a curiosidade sobre o seu potencial para aplicação em carros 100% eléctricos - onde o uso de "caixas" é uma raridade (a Porsche é das poucas a usar uma caixa de duas velocidades no Taycan).

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