2026/04/21

Tesla continua a esconder relatórios de acidentes com táxis autónomos

A Tesla continua a fornecer o mínimo possível de informação relativa aos acidentes com os seus "táxis autónomos".

A mais recente divulgação de dados da NHTSA, a autoridade de segurança rodoviária dos Estados Unidos, oferece um novo olhar sobre como os veículos autónomos estão a lidar com acidentes - e revela diferenças claras entre empresas como Tesla, Waymo e Zoox, não só no número de incidentes, mas também na forma como comunicam o que acontece.

Os dados resultam de uma obrigação imposta às empresas que testam ou utilizam sistemas de condução autónoma em vias públicas. Sempre que ocorre um acidente, essas empresas têm de reportar detalhes à NHTSA, criando uma base de dados pública que permite analisar o comportamento destes sistemas no mundo real. No total, foram registados 825 incidentes relacionados com sistemas autónomos. A Waymo destaca-se com larga margem, sendo responsável por 697 desses casos. Seguem-se a Avride com 41, a Zoox com 32 e a Tesla com apenas 18. À primeira vista, esta diferença pode parecer significativa, mas há contexto importante a considerar. A Waymo opera uma das maiores frotas de carros totalmente autónomos, a circular diariamente em cidades densas como São Francisco, Phoenix e Los Angeles. Com milhões de quilómetros percorridos em ambientes urbanos complexos, é natural que o número de incidentes seja mais elevado.

Já a Tesla apresenta números muito mais baixos nesta categoria específica, o que reflecte sobretudo o facto de a sua estratégia de robotáxis ainda estar numa fase inicial. Importa também sublinhar que estes dados não incluem incidentes com o sistema FSD (Full Self-Driving) em modo supervisionado, uma vez que esse sistema ainda exige intervenção humana e não fica abrangido pelas exigências dos veículos com autonomia total.

Os dados revelam também com que tipo de obstáculos estes veículos mais frequentemente colidem. No caso da Waymo, a maioria dos acidentes envolve outros veículos típicos de ambiente urbano, como carros de passageiros e SUVs, além de camiões e autocarros. Isto reflecte o tipo de utilização intensiva em cidades movimentadas. Já nos 18 incidentes reportados pela Tesla, o padrão é diferente. O tipo de colisão mais comum foi com objectos fixos, seguido por impactos com SUVs, além de casos isolados envolvendo um ciclista, um animal e um autocarro.
No que diz respeito a consequências, a maioria dos acidentes resultou apenas em danos materiais. Nos casos da Tesla, 16 dos 18 incidentes não envolveram feridos. Foram registadas apenas duas lesões ligeiras, uma das quais exigiu hospitalização. Em todos os acidentes reportados pela Tesla, o sistema autónomo estava activo no momento do impacto. Já a Waymo, devido ao maior volume de incidentes, apresenta maior diversidade de resultados, incluindo dezenas de feridos ligeiros, alguns casos que exigiram hospitalização e até uma fatalidade.

Mas o ponto que mais chama a atenção não está nos números, mas sim na forma como as empresas comunicam os detalhes dos acidentes. A NHTSA permite que cada empresa inclua uma descrição detalhada de cada incidente. Empresas como a Waymo e a Zoox aproveitam esse espaço para fornecer explicações completas das circunstâncias, comportamento dos veículos e até açcões de outros condutores envolvidos. Já a Tesla segue uma abordagem totalmente diferente. Em todos os relatórios públicos, a empresa ocultou completamente essas descrições, substituindo-as por uma nota genérica que indica a remoção de informação por motivos de confidencialidade. Na prática, isto impede qualquer análise mais profunda sobre o que realmente aconteceu nos seus acidentes, contrastando fortemente com a transparência das restantes empresas - algo que muitos podem considerar não estar em linha com tudo aquilo que a Tesla apregoa a nível das capacidades do seu FSD.

A Tesla tem estado também sob nova vaga de críticas por, numa altura em que se aproxima a apresentação de resultados, volta a fazer manobra mediática com uma suposta expansão do seu serviço robotaxi para uma nova cidade, onde colocou um único veículo autónomo a prestar serviço, deixando os clientes horas à espera, até lhes ser dito que é melhor arranjarem outro transporte.

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