Coincidentalmente ou não, no seguimento de uma saída mediática de um funcionário da Anthropic a alertar para os perigos da AI, e de um relatório de segurança da empresa a revelar que nações inimigas têm usado os seus modelos para desenvolver armas (e não só), Dario Amodei vem a público defendendo uma abordagem mais cautelosa na inteligência artificial, e apresentou um plano para abrandar o ritmo de evolução dos modelos mais avançados.
A proposta surge numa altura em que crescem os alertas sobre os riscos da AI, incluindo preocupações manifestadas por investigadores do sector e por líderes de outras empresas tecnológicas. Sam Altman, CEO da OpenAI, também já demonstrou estar disposto a seguir estas recomendações, e também - inesperadamente - Elon Musk. Amodei argumenta que os sistemas AI estão a evoluir mais rapidamente que o esperado, e têm sido cada vez mais frequentes os casos em que, durantes os testes, os modelos conseguem escapar para o exterior dos ambientes "isolados" e interferir com o funcionamento de plataformas reais.
Como primeira medida, a Anthropic compromete-se a permitir a presença de avaliadores independentes dentro da empresa. Estes especialistas teriam acesso semelhante ao das equipas internas de avaliação de risco, podendo verificar o cumprimento das regras de segurança e garantir que incidentes relevantes são comunicados. A OpenAI indicou que pretende seguir uma abordagem semelhante. O plano inclui ainda a criação de normas de segurança comuns entre as principais empresas de IA sediadas em países democráticos. Segundo Amodei, a cooperação entre empresas e governos poderia ajudar a definir limites para o desenvolvimento descontrolado da tecnologia, ao mesmo tempo que preserva a competitividade face a outros mercados. Também defende medidas para dificultar o acesso da China a tecnologias críticas de AI, procurando manter a liderança dos Estados Unidos e dos seus aliados nos próximos anos.We Must Pace the Frontier: I’ve written a new essay on why the AI industry should slow down, with a three-part plan for doing so.
— Dario Amodei (@DarioAmodei) September 12, 2026
Anthropic is unilaterally committing to the first of these steps. We’ll provide third-party evaluators with permanent, employee-level access to our…
Obviamente, e tratando-se de um campo divisivo (como quase tudo hoje em dia), a proposta não é vista com bons olhos por todos. Há os que acusam que isto é apenas uma tentativa da Anthropic de se posicionar de forma estratégica para beneficiar de uma potencial regulamentação governamental sobre a tecnologia AI. A medida é também criticada pelo facto da Anthropic escolher a dita "empresa de avaliação independente", que na prática pouco ou nada tem de independente, tendo já relações directas com a mesma, o que levanta questões de independência e imparcialidade.If you hold a secret meeting with competitors and propose forming a cartel, it’s a crime. But if you put out a tweet signaling that you’re willing to do it, it’s a Silicon Valley saturday.
— Tim Sweeney (@TimSweeneyEpic) September 12, 2026
Vamos ter que esperar para ver que impacto esta medida terá (ou não), sendo que por agora os principais beneficiados serão todas as demais empresas de AI (chinesas, e não só) que ignorarem por completo este pedido e avançarem ao ritmo a que têm avançado - e que certamente agradecerão qualquer abrandamento por parte das empresas norte-americanas. Como último ponto, quem tem estado bastante calada é a Google, circulando rumores de que a Google terá criado um modelo AI RSI (Recursive Self-Improvement), ou seja, um modelo que ele próprio se pode ir melhorando de forma autónoma, em vez de estar dependente de ciclos de treino manuais.



















Vender IA e 'super inteligência' talvez já tenha tocado o ponto de desacreditação dos investidores (nunca tendo gerado lucro), os modelos Chineses venceram a corrida declaradamente, chegou a fase de vender o drama, o medo, a necessária proteção contra o perigo que só eles conseguirão controlar...
ReplyDeleteParecem demasiado concertados nas opiniões, certamente ninguém quererá cair primeiro.
Quem sabe o Altman consegue de facto colocar o governo a alimentar o seu brinquedo como já havia sentenciado em última hipótese...