O Apple iPad foi apresentado ontem, e já tive tempo para "dormir sobre o assunto". Eis então o que penso deste novo brinquedo da Apple:
Daí que, quando a realidade surgiu, com um "iPhone em ponto grande"... a sensação foi um pouco de desilusão.
Como disse ontem, a verdadeira grande surpresa foi o preço. Ninguém sonhava sequer que a Apple lançasse um Tablet deste tipo por um preço inferior a 500 dólares... e nesse momento a tal desilusão aparente começou a dissipar-se.
Vejamos...
Se formos realistas, o que se queria mesmo era efectivamente um "iPhone grande!"
Quer se queira quer não, a experiência de utilização do iPhone (mesmo com todas as suas falhas) tornou-se a referência pela qual todos os restantes smartphones são comparados.
A ideia mais lógica é pegar nisso e simplesmente aumentar o tamanho.
(Há também um pequeno pormenor que parece ter passado despercebido - que é a utilização do novo CPU A4 a 1Ghz, que permite que a utilização deste iPad seja ainda mais rápida e fluida que num iPhone 3GS, e isso conta bastante - o que, aliado a uma autonomia de 10h em utilização... não está nada mal - e que nada fica a dever aos CPUs/chipsets concorrentes: Tegra, Snapdragon, etc.)
Claro que rapidamente surgiram inúmeras críticas a apontar defeitos ao aparelho: não ter flash, não dar para instalar programas, etc. etc.
Ora... se algumas críticas são perfeitamente justas e com razão de ser, outras há que... sinceramente...
Não vou entrar em flame/troll wars, mas apenas digo: olhem para o caso do iPhone e tirem daí as suas conclusões.
Este iPad não é um telemóvel, nem é feito para andar no bolso... Mas não me parece que isso seja um inconveniente - muito pelo contrário.
Quantos dos utilizadores de iPhones dão consigo a utilizar o iPhone mesmo depois de terem chegado a casa, sentados no sofá, deitados na cama, etc. etc? Bem têm um portátil ali ao lado, ou um computador na mesa do escritório... mas o que é certo é que acham mais "prático" estar com o iPhone ali sempre à mão.
Este iPad será esse "iPhone" sempre à mão... mas oferecendo uma comodidade de utilização bastante maior.
MAS...
A verdadeira "revolução", aquela que me parece a mais importante e que está a passar despercebida no meio das críticas, transcende este tipo de utilização por parte das pessoas que habitualmente acompanham estes eventos.
Certamente já repararam que todas as pessoas têm curiosidade quanto à internet. Dos 8 aos 80, todos já ouviram falar, mas nem todos têm a oportunidade de a utilizar.
Falam da "internet" e dos "computadores" como um bicho estranho, que querem experimentar... mas sempre com algum receio.
Tenho casos bem próximos de pessoas que começaram a mexer em computadores e que a cada toque numa tecla parece que estão receosos que aquilo que destrua completamente, por culpa de algo que façam mal.
É certo que as pessoas aprendem... mas... que vos parece mais fácil: ensinar alguém a utilizar Windows/Linux/OS X; ou atirar-lhes um iPad para a frente?
Não são coisas comparáveis, dirão: mas o que é certo é que 90% das pessoas estará satisfeita só por ter email, fotos, música, vídeo, e acesso à internet.
(E nesse acesso à internet posso incluir os milhões de serviços e programas "web" que permitirão muitas mais funções.)
E... para quem disser que isso não chega: relembro apenas que o iPhone foi anunciado numa altura em que ter dois ecrãs com uma dúzia de Apps parecia muito... e que actualmente os 11 ecrãs disponíveis já não chegam.
Não me parece difícil que (para além de todas as Apps já existentes e que funcionam no iPad) em poucos meses vejamos muitos mais milhares de Apps que tirarão ainda mais partido das dimensões do iPad para o tornarem amplamente apetecível nas mais diversas áreas: serviços, fotografia, vendas, apresentações, ensino, etc. etc. etc... as possibilidades são infinitas. E o potencial de mercado vai muito para além dos "tradicionais" utilizadores de gadgets. (E nem falo nas aplicações já esperadas, como eBook reader, etc.)
Aliás... a fotografia demosntra exactamente o motivo pelo qual o Kindle passa a ter a vida bastante complicada daqui para a frente:
Onde preferiam ler um texto?
Se é perfeito? Longe disso...
Sem câmara?
Como disse, a ausência da câmara parece-me um grande falha: imaginem uma App de desenho ou storyboarding, com que pudessem tirar uma foto e aplicar-lhe efeitos ou usá-la como bem vos apetecesse instantâneamente (para não falar em video chat, etc.) Ou até usar o iPad como "visor" de realidade aumentada para brinquedos, revistas, ou até equipamento técnico. Oportunidades perdidas que terão que esperar pelo iPad v2.0.
Resolução XGA em formato 4:3
Confesso que estava à espera de algo 16:9, com 1280x720 no mínimo. Mas... voltando ao mundo real: para um dispositivo pensado para ser utilizado em qualquer orientação, o 4:3 é bastante mais agradável de usar. Coloquem um ecrã 16:9 na vertical e vejam se não fica "anormalmente" comprido (como aparecem como ecras publicitários em algumas lojas.)
Portanto, parece-me que tenha sido uma opção bem ponderada e com razão de ser...
Sem USB, HDMI, leitor de cartões
É outra das chatices... qualquer uma destas coisas obrigará ao uso de um adaptador que se liga à ficha proprietária da Apple. Seria bom ver a Apple a aderir ao MicroUSB como standard... mas parece que é algo que ainda irá demorar a acontecer.
Nalguns casos poder-se-á minimizar as chatices usando tecnologias "sem fios", como os cartões SD com WiFi que enviam logo as fotos... mas na maior parte dos casos os utilizadores terão que andar sempre com "tralhas" atrás. É pena...
Sem Flash
A opção da Apple continuar afastada do Flash no seu browser continua neste iPad, sem dúvida para continuar a manter o controlo sobre as "apps" que podem correr nos seus aparelhos. Mas... à medida que o HTML5 vai permitindo cada vez mais funcionalidades, é apenas uma questão de tempo até que um site em html seja capaz de fazer "tudo" o que um site em Flash faz (já temos emuladores de Spectrum a correr em Javascript, programas de desenho, geolocalização, storage local, etc.) Portanto... nessa altura o Flash deixará de ser tanta importância. No entanto, no momento presente, há ainda muitas pessoas para quem o Flash é essencial: quer por motivos profissionais ou de lazer; e para quem esta ausência será um factor crítico na altura da decisão.
O Teclado Touch
Embora o teclado virtual do iPhone seja uma referência, e este iPad ofereça uma maior área, é pena ver que isso não tenha sido utilizado para corrigir algumas das falhas. Por exemplo, introduzir texto e números obriga a que se tenha que andar a mudar do "modo alfabético" para o "modo númerico" - e mesmo os truques "slide and drag" para introduzir rapidamente um único número ou letra não resolvem totalmente o problema.
Neste iPad, teria sido agradável ter um teclado virtual que disponibilizasse uma fila de teclas numéricas no topo. (Possibilidade que até já existe nos iPhones com jailbreak.)
A Apple tem como acessório uma docking station com teclado, que irá ajudar nesses casos. Mas... espero que o novo OS 4.0 possa trazer algumas novidades neste (e noutros) aspectos, tais como...
Sem Multitasking
Não tendo havido nenhuma menção quanto à actualização do iPhone OS, ficamos sem saber se iremos poder ter algum tipo de multitasking limitado para as Apps não oficiais - quer no iPad, quer nos iPhones já existentes.
Vamos la ver quais serão as surpresas nesse campo, já que a Apple parece estar a guardar mais alguns trunfos para os próximos tempos.
Em conclusão: há várias coisas que deviam/podiam/irão ser melhoradas (não esquecer que se esperaram *anos* para que a Apple implementasse os MMS e o Copy-paste no iPhone OS) mas que não serão factor impeditivo para que muita gente se sinta atraída por este novo iPad. E quem o comprar irá certamente sentir que fez "um bom negócio" - da mesma forma que a maioria dos utilizadores de iPhone se sentem "satisfeitos".
Aliás, pelo preço que se estima que chegue cá a Portugal (499 euros?) não me parece difícil prever que este iPad vá ser um enorme sucesso de vendas.
O meu único "senão" prende-se com a inevitável evolução dos dispositivos: não me custaria dar 500 euros por este iPad, mas custa-me bastante estar a dar 500 euros por este iPad em Março e gastar outros 500 euros por um novo iPhone em Junho/Julho - e saber que no próximo ano "teria" vontade de o fazer novamente com um iPad v2.0 e um iPhone 5.0.
Bem sei que isto acontece com todo o hardware, e que ninguém é "obrigado" a trocar as coisas de ano a ano mas... Talvez se fizer um plano de actualizações intercalado: num ano um iPad, no ano seguinto o iPhone... talvez... hummm... :)
Como comentário final, relembro apenas que: tal como o iPhone "impulsionou" o surgimento do Android, espero que este iPad sirva para acelerar a implementação do Android nesta área dos Tablet PCs, e que rapidamente possa fazer surgir dispositivos concorrenciais que nos ofereçam maior número de opções.
Há vários tablets em fase de protótipo (como o Asus Eee Pad, aquele ICD Vega, o Notion Ink com os tais LCD "milagrosos" da PixelQi, ou todos os outros que têm sido anunciados com o chipset Tegra da Nvidia) que pareciam com medo de sair do armário... e que agora perante este Apple iPad precisam sair para o mercado quanto antes!
[Site oficial do iPad]










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