2017/02/21

Operadores de internet Suecos recusam-se a bloquear acesso ao Pirate Bay


Em extremo contraste com os operadores nacionais, que facilitam o bloqueio a sites sem que sequer seja necessário passar pelos tribunais, na Suécia, até os maiores operadores se recusam a aceitar ordens de bloqueio resultantes de casos de outros operadores.

Os operadores suecos têm sido pragmaticamente contra o bloqueio do acesso a sites, e mesmo um caso nos tribunais deu razão às editoras e ditou o a ordem de bloqueio ao site, não está a ser suficiente para os convencer. Na sua perspectiva, o caso em questão diz apenas respeito ao operador em questão, pelo que da sua parte continuarão a permitir o acesso ao The Pirate Bay até que uma ordem dos tribunais lhes diga que também eles terão que bloquear o acesso.

Quer isto dizer que as entidades anti-pirataria ou editoras se arriscam a ter que passar mais alguns anos nos tribunais, por cada operador que queiram que bloqueie o acesso ao Pirate Bay (ou qualquer outro site). E mesmo assim sendo uma medida inconsequente, pois continuará a ser fácil contornar todo e qualquer forma de bloqueio - como tem sido demonstrado nos países onde se vai tentando implementar técnicas idênticas (como cá!)

Mais grave, consideram estes ISPs, é a questão de princípio que tenta passar para os ISPs o dever de decidir o que é aceitável ser acedido ou não, em vez de permanecerem como um canal de acesso à internet "neutro" e onde todo e cada site é igual a qualquer outro, sem diferenciação.

... Aliás, torna-se caricato que os operadores estejam a equacionar disponibilizar formas de facilitar que os clientes contornem os próprios sistemas de bloqueio que forem obrigados a implementar; havendo até alguns que colocam em cima da mesa a possibilidade de oferecerem acessos VPN aos clientes, para que possam aceder à internet de forma segura e privada.

Não seria bom se por cá tivéssemos operadores que mostrassem atitude idêntica?

7 comentários:

  1. Seria bom que os operadores se excluíssem do cumprimento da lei e promovessem a pirataria?
    Vivemos num Estado de Direito Democrático, as leis são para cumprir, quando não se gosta das leis (de combate à pirataria), defende-se em eleições livres e decide-se em maioria.
    É seca eu sei, mas é melhor que uma terra sem leis, onde só mandam os mais fortes.
    A transformação da cultura numa indústria foi o que permitiu o grande boom de entretenimento a que assistimos desde a segunda metade do séc. XX.
    Os artistas vivem da venda do seu trabalho e decidem voluntariamente contratar editoras que se dediquem à componente não-artística de todo o trabalho envolvido.

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    1. Pedro, hoje é a pirataria, amanhã são sites cujo conteúdo vai contra a vontade de quem esteja no poder. A Internet é para ser livre.

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    2. Pedro, por cá nem passa pela lei... mas pelo "entendimento" de entidades privadas... De resto, bastará falares com alguns artistas para veres o que eles te dizem das supostas associações que deveriam defender os seus interesses. A maioria deles sentir-se-ia melhor sem essa "representação"...

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    3. Pedro, percebo o teu ponto de vista, mas o que estás a dizer, tem a mesma lógica que o estado taxar todas as memórias do mercado, porque exista 1 percentagem que faz pirataria...
      tão a por tudo no mesmo saco... e os ditos sites piratas, na verdade não o são, até alguém usá-los para pirataria... as normas, protocolos e afins, só passam a ser ilegais quando usadas para esses fins... e quando tens 1 autoridade tem o poder de simplesmente fechar esses sites sem qualquer tipo de validação, com toda a certeza que vão mais rapidamente se tornar numa entidade ditatorial do que imparcial...
      portanto, à falta de opção melhor... :/

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    4. Yaba, o teu argumento é falso, se há razão para existir liberdade de expressão, é porque ela faz parte do nosso corpo de leis, é juridicamente concedida e oficialmente defendida. Onde não há estado, não há liberdade, que o diga a imagem romantizada da pirataria, ou mesmo do privateering, como não há lei, quem manda é o mais forte, e habitualmente era o honesto a perder as suas posses para o pirata oportunista.
      Carlos, mas é o juiz que determina a interpretação da lei, neste caso eles têm razão em não cortar o acesso até serem notificados, podiam fazê-lo se entendessem que a prescrição do tribunal defende a lei, mas preferem defender os clientes que lhes enchem os bolsos para praticar crime económico.
      Quanto à representação, mas uma vez, como não creio que seja uma autoridade tirana (e ainda que o possa ser), pode-se desfilar-se dela, propor alternativas de procedimento, ou alternativas de organização. Como são o único grupo de artistas organizado faz sentido que seja aquele que é ouvido.
      Mafra, a lei da taxação do espaço em disco é absurda porque assume que todos são culpados, cúmplices e nem há forma de se provar inocente. É uma taxa injusta e imoral, deve ser tratada como tal, não defende a lei em condição nenhuma,nem os artistas.
      No caso do desligamento sem ordem Di tribunal, como é reversível, é feito na sequência de flagrante delito e pode ser contraposta no tribunal, não é assim tão grave, como muitos sites não estão sobre jurisdição portuguesa, nem os proprietários /autores, nem é fácil identificá-los ou se espera que se defendam em tribunal de algo indefensável, até entendo a medida, mas sim, preferia ordem do tribunal ou uma decisão predeterminada com notificação prévia.

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    5. Eu preferia que pessoas como tu largassem o século XX, e deixassem de ser retrógradas e olhar para o futuro de forma a nos precavermos.

      A história está aí para quem quiser analisá-la. É muito bonito falar do legalismo(que nasceu antes de Jesus ) e defendê-lo com unhas e dentes como se fosse algo "correcto" e funcional. Só porque o tal "boom" que falas existiu, e foi derivado de diversos factores, não quer dizer que hoje não esteja obsoleto.

      Claramente o teu discurso demonstra uma tamanha ignorância sobre a área, pois tentas demonstrar que a lei é justa, quando não o é. A lei é criada pelo poder(dinheiro), e nenhum comum mortal tem como a contrapor, ou decidir democraticamente a sua aprovação/rejeição.

      Isto é tudo menos cultura, apenas e só para garantir rendimento a um grupo económico que está em desespero e não sabe para que lado se virar. Felizmente o mundo está em mudança positiva e não vão ser pessoas como tu a pensar desta forma que irão bloquear a evolução social e económica no mundo global.

      O Youtube está aí há anos... por amor da santa!

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  2. A unica solução é taxar simbolicamente cada cliente da internet e assim acaba estes filmes entre utilizadores ,consumidores e produtores de conteúdos . Quando falo simbolicamente é falar em 0.25eur ou 0,50 eur á factura mensal. Todas estas guerras não dão em nada porque o acesso á pirataria na internet vai continuar de forma ou de outra , bloquear sites não resolve nada por cada um fechado abre dois .

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