2026/01/25

Google usou Chromebooks nas escolas como forma de "conquistar" crianças

Documentos internos da Google confirmam aquilo que já se sabia desde o início: de que a aposta nos Chromebooks nas escolas se destinava a conquistar utilizadores que se mantivessem nos serviços Google ao longo da sua vida.

Documentos internos da Google revelaram que a empresa vê as escolas como uma forma de criar lealdade à marca desde cedo, treinando alunos para permanecerem no seu ecossistema ao longo da vida. Numa apresentação interna de Novembro de 2020, revelada no âmbito de um processo judicial, a Google destaca que "captar utilizadores jovens leva a confiança e lealdade à marca durante toda a sua vida".

Os documentos surgiram como parte de uma grande ação judicial movida por distritos escolares, famílias e procuradores-gerais de vários estados, que acusam empresas tecnológicas de criarem produtos “viciantes e perigosos” para menores. A Google é citada ao lado de outras gigantes do setor, num caso que analisa o impacto destas plataformas na saúde mental das crianças e adolescentes.
Ao longo da última década, a Google investiu fortemente em produtos para educação, tornando os Chromebook num elemento quase padrão em muitas salas de aula. Um dos slides indica que os dispositivos usados na escola influenciam directamente as decisões de compra no futuro. Em resposta, a Google afirma que os documentos "deturpam" a sua estratégia, optando por destacar que os administradores mantêm controlo total, com consentimento parental obrigatório para menores.

O que é certo é que isto não é um segredo, sendo algo que nós próprios referimos desde o início. Afinal, é uma táctica que funciona, bastando olhar para a empresa que já começou por fazer isto há muitas décadas atrás: quantos milhões de pessoas não se mantêm fiéis ao Windows e Office por terem sido esses os produtos que aprenderam a usar na escola?

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