Um (alegado) ex-funcionário de um serviço de entrega de comida denuncia as tácticas abusivas implementadas nos seus sistemas.
Os serviços "ride hailing" tipo Uber, Glovo, e outros, vieram transformar um sector da sociedade, por um lado dando maior conveniência a quem os utiliza e, do outro lado, prometendo maior versatilidade a quem procura fazer uns trabalhos extra (por cá nem tanto, devido à legislação - mas sendo a ideia de que "qualquer pessoa" poderia fazer este tipo de trabalho, como e quando quisesse, sem grandes constrangimentos).
No entanto, no papel de intermediários, estes serviços ficam com bastante poder na forma como podem gerir clientes e trabalhadores, e o risco para abusos não é apenas teórico. Depois de na Uber já terem surgido inúmeros relatos de tácticas duvidosas, surge agora um suposto relato na primeira pessoa, de um ex-funcionário que conta o tipo de coisas que se viu forçado a implementar ao trabalhar para um serviço de entrega de comida.
Começa por revelar que a opção de "entrega expresso", disponível mediante uma taxa adicional, na verdade não tem qualquer efeito real. Na verdade, a forma como a empresa lida com isso não é acelerando esses pedidos, mas sim atrasando todos os outros! Também revela que uma taxa que dá a entender que seria uma gorjeta para o entregador, na realidade reverte na totalidade para a empresa - tendo sido uma alteração feita depois de ter sido processada por se apropriar das gorjetas efectivas dos trabalhadores.
Mas a pior parte consiste no cálculo de um "factor de desespero" atribuído aos trabalhadores. Se um trabalhador aceita encomendas de baixo valor a altas horas da noite, passa a ser marcado como "desesperado" e, em resultado disso, o sistema deixa de lhes mostrar trabalhos mais bem pagos - tirando partido de ser uma pessoa que aceita os trabalhos de valor reduzido. Os trabalhos mais bem pagos são direccionados para trabalhadores mais casuais, como forma de os incentivar a voltarem mais frequentemente.
A suspeita inicial é a de que se tratasse do DoorDash, mas o seu CEO já veio negar por completo as alegações, dizendo que são totalmente contrárias aos princípios da empresa, e tendo até feito uma publicação oficial - no entanto, o serviço já levou com um processo por se apropriar das gorjetas, pelo que, vale o que vale.
Independentemente do serviço que for, mostra como é extremamente fácil haver abusos num mundo onde os "algoritmos" mandam. Quer seja a nível de calcular "factores de desespero", ou de apresentar preços mais elevados numa loja online a quem a visita usando um iPhone versus um smartphone Android ou que tenha estado a visitar lojas concorrentes (como já aconteceu no passado). Sendo que, a culpa não é verdadeiramente do algoritmo, mas sim das pessoas responsáveis que optaram por tomar essas decisões.
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