Está mais que visto que a AI é uma tecnologia fundamental para o futuro, e nenhum país se pode arriscar a ficar de fora. Em Portugal assistimos a projectos como o Amália, que agora recebeu a aprovação para entrar na segunda fase, com mais de 1.8 milhões de euros do PRR, elevando o investimento total do Estado para 7.3 milhões de euros.
São valores significativos para o nosso país, mas que rapidamente se tornam insignificantes quando vistos à escala da actual corrida AI. Para uma melhor noção, este valor que aqui foi feito em vários anos, corresponde ao que a OpenAI gasta em cerca de uma hora(!) - o que mostra desde logo a total disparidade de escalas de que se está a falar.
Sexta-feira o Conselho de Ministros aprovou a segunda fase da Amália: 1,8 M€ do PRR, acima dos 1,5 M€ anunciados em julho. A primeira fase custou 5,5 M€ e pagou 18 meses de desenvolvimento até ao lançamento de 1 de julho. O investimento direto do Estado fica em cerca de 7,3…
— ickas (@ickasdev) September 7, 2026
Isto não quer dizer que, só por causa disto, se deva desistir da tarefa. Os modelos open-weight que têm chegado da China são um bom exemplo de como é possível lutar-se com os gigantes tecnológicos norte-americanos, mesmo em posição de inferioridade de hardware. Por outro lado, sem dúvida que as empresas europeias ficam mais limitadas devido às menores liberdades de poderem usar "todo o tipo de dados" para o treino dos seus modelos (nos EUA temos os casos caricatos de estar a ser dada "carta branca" para que as empresas AI usem conteúdos "pirateados" para treinar os seus modelos, com a justificação que é tecnologia de interesse nacional - demonstrando o verdadeiro significado do "dois pesos e duas medidas" conforme der jeito).
Voltando ao modelo Amália, para a segunda fase o objectivo será passar o modelo para multimodal (texto, voz, e imagens), ter acesso aos arquivos da Biblioteca Nacional, Cinemateca e museus, ganhar modo agente, e permitir a integração com o atendimento de serviços públicos. O modelo será também expandido de 9B para 22B de parâmetros.
Num mundo ideal, veríamos todos os países a trabalhar em conjunto, potenciando as capacidades da internet para disponibilizarem todos os seus dados e poder de computação agregado para se criar um modelo AI global unificado. Estando-se longe desse cenário, ficamos condenados a ver cada país a repetir o mesmo trabalho, separadamente, cada um para si mesmo, e em que 99% deles não conseguirá acompanhar o 1% que tiver capacidades imensamente superiores.



















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