Há nova medida a gerar polémica e a preocupar alguns (muitos?) condutores europeus. A partir de Julho passará a ser obrigatório que todos os novos carros venham equipados com sistemas de monitorização da atenção dos condutores, usando câmaras e outros sensores para avaliar se o condutor está atento à estrada, ou se está destraído ou sonolento.
A parte simples da questão não levanta grandes preocupações: basta olhar para a quantidade de condutores na estrada que parecem ir a olhar para tudo menos para o que deviam (nem falo dos que continuam a escrever e ler mensagens no telemóvel enquanto conduzem), para se ser forçado a reconhecer que bem que mereciam um alerta do carro a dizer "olha para a estrada carago!" O grande problema, são todas as demais coisas que esta tecnologia potencia.
🇪🇺 From July 2026, a new EU regulation will require all new cars to include driver-surveillance systems (ADDW), using interior cameras to track eye movement, head position and attention levels to detect “distraction or drowsiness.”
— Europa.com (@europa) April 30, 2026
The systems are designed for in-car safety… pic.twitter.com/TM6dmGDKki
Com os carros a estarem, cada vez mais, ligados permanentemente a sistemas remotos - actualmente, dos fabricantes, num futuro não muito distante eventualmente a sistemas de monitorização de cada país ou a nível europeu - esta informação de monitorização dos condutores abre as portas para situações de pesadelo a nível de privacidade. Desde logo, não será descabido que, em caso de qualquer acidente, as autoridades ou seguradoras exigam o acesso a estes dados, para determinarem o que o condutor estava a fazer. Podemos também antever que estes dados comecem a ser usados para os sistemas de "pontos" dos condutores, onde distracções repetidas possam obrigar a que fique inibido de conduzir até voltar a pagar por um novo exame de condução para reaver a carta.
Se entraramos no campo das potenciais teorias da conspiração, há também quem diga que isto fará parte de uma primeira fase para "obrigar" os consumidores a trocarem de carro para um que ofereça sistemas de condução autónoma, para que fiquem livres de ter que conduzir manualmente - ou, indo mais longe, de que deixem de ter carro próprio e passem a ser clientes "forçados" dos sistemas de táxis autónomos que venham a existir.
VOltando à realidade imediata, o que fica desde já assegurado é que, além de todos os "piiis" e "beeps" que os carros modernos fazem ao pisar uma linha ou sem se saber bem porquê, vamos ter novos beeps e piiis a partir de Julho caso deixem de olhar para a estrada ou comecem a piscar demasiado os olhos.



















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