A Google está a ser acusada de instalar abusivamente um modelo AI com cerca de 4GB nos computadores dos utilizadores com Chrome sem qualquer aviso ou pedido de consentimento. O caso tem ganho visibilidade acrescida nas últimas semanas, e vem validar a suspeita que eu tinha lançado no final de Março.
A 26 de Março queixei-me que o Chrome no meu computador estava a escrever gigabytes no disco sem qualquer explicação aparente. Embora o Chrome trate das actualizações em background, não havia motivo para que uma actualização normal se prolongasse por longos minutos a escrever grandes quantidades de dados no disco. Na altura avancei logo com a suspeita de que a explicação plausível seria estar a descarregar um modelo AI, que agora parece ter sido confirmada.
Ao que parece este comportamento deve-se à instalação do modelo Gemini Nano para permitir funcionalidades AI integradas no Chrome. O ficheiro "weights.bin" com cerca de 4GB, fica armazenado na pasta "OptGuideOnDeviceModel" (emPorque é o meu Chrome está há mais de 5 minutos a escrever gigabytes no disco? (Não é a actualização normal).
— Carlos Martins (@ptnik) March 26, 2026
Descarregar modelo AI para funcionamento local? #chrome pic.twitter.com/t2chmGK33C
C:\Users\[nome utilizador]\AppData\Local\Google\Chrome\User Data\OptGuideOnDeviceModel).Ora, não é inesperado que um programa faça actualizações com novas funcionalidades. O que está em causa, neste caso, é o facto de isso representar o download e instalação de um ficheiro com tamanho considerável face ao tamanho normal do Chrome. A isto juntam-se as críticas de não ter sido dada qualquer informação aos utilizadores sobre o processo, nem uma pergunta para indicar se o queriam fazer ou não. Adicionalmente, apagar o ficheiro não tem qualquer efeito, fazendo apenas com que o Chrome o volte a descarregar - algo que tem levado a sugestões criativas (e não recomendadas) de como o evitar: como criar um ficheiro falso com o mesmo nome e remover as permissões de escrita.
A opção correcta para evitar este comportamento passa por desactivar as funções AI locais do Chrome, algo que pode não ser assim tão simples e obrigar a saltar à secção "flags" do browser.
Claro que, é sempre tudo relativo. Numa altura em que os jogos de PC podem facilmente ultrapassar os 100GB, os 4GB de um modelo AI local tornam-se praticamente insignificantes. Uma vez mais, a grande questão tem a ver com a transparência (ou falta dela) do que está a ser feito nos nossos computadores - que cada vez mais vão sendo tratados como se fossem apenas nossos por empréstimo, e onde o sistema operativo e programas instalados controlam como bem entendem.



















Espero que o Edge (que uso e prefiro - embora tenha configurado o motor de busca do Google em vez do Bing) não siga o mesmo caminho.
ResponderEliminarAbandonei o Chrome de vez (há já alguns anos) no PC e no Smartphone precisamente por causa de situações como esta.
Sei que a Microsoft não é uma Santa, mas na questão do browser (talvez pela sua muito menor relevância) tem-se comportado bastante melhor.
Além disso, algumas funcionalidades extra do Edge face ao Chrome tornam a opção bem interessante.
Eu recuso-me a aceitar o uso de AI que não seja por minha e livre vontade, online, quando e se precisar. Agora, usarem o meu PC sem o meu consentimento para me enviarem e usarem sem o consentimento explícito, é que não. Eu por exemplo usei aplicações para retirar tudo o possível do Windows relativo a isso.
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