Demorou, mas finalmente - e graças ao nosso fundo para gadgets - tive a oportunidade de testar um Android de forma mais intensiva, e logo com um dos smartphones mais desejados da actualidade: o HTC Desire, que em breve irá parar às mãos da Lara. :)
Update: já merecemos honras de surgir citados na página oficial da HTC! :)
As primeiras impressões
Sabendo-se que este HTC Desire veio subsituir o anterior HTC Legend e é em tudo bastante semelhante ao Nexus One do Google, não seria de esperar nada que não o "melhor" que há de momento.
- Ecrã 3.7" 480×800 AMOLED touchscreen multitouch
- Camera 5 Megapixel autofocus with LED flash
- Android 2.1 com HTC Sense interface
- CPU Qualcomm QSD 8250 (Snapdragon) a 1 GHz + GPU AMD Z430
- 512 MB Flash, 576 MB RAM
- Suporte até 32 GB microSD
- Bateria Li-ion 1400 mAh
- Tamanho 119×60×11.9mm
- Peso 135g
- Outros: Sensor de proximidade, acelerómetros, Rádio FM, Facebook, Twitter, MS Exchange, bússola, GPS, navegação Google Maps
- trackpad óptica em vez de trackball
- botões físicos em vez de touch
- Rádio FM
- Sem cancelamento de ruído via segundo microfone
- Sem conector para dock
- 576 MB de RAM em vez dos 512 MB
- HTC Sense user interface
- Adobe Flash Lite 4
Fisicamente o HTC Desire tem muito bom acabamento e um toque bastante agradável. Tem também uma construção bastante sólida que nos permite utilizá-lo sem receio de que se desfaça a qualquer momento.
A qualidade sonora do speaker não é nada de extraordinário (especialmente com o volume elevado), mas é bastante satisfatória quando se utiliza os headphones (com ficha standard de 3.5mm).
Como ponto positivo, a existência da porta microUSB standard, pela qual se faz o carregamento do aparelho assim como a ligação a um computador. (É bom não estar preso a fichas proprietárias ou "esquisitas".) E também a existência do trackpad óptico em vez de um trackball com "bolinha".
(Sim, aquele botão central com um furo é um trackpad, que serve para comandar o cursor, e que também permite clicar.)
Como ponto negativo, a ausência da versão 2.2 do Android, que ofereceria certamente mais funcionalidades e um desempenho ainda mais rápido - que está agendada para breve, mas que não chegou a tempo desta análise (embora fosse possível instalá-la, recorrendo a hacks, etc. - mas que saíam do propósito de testar o aparelho tal como um "comprador normal".)
O Ecrã
Quanto ao ecrã, obviamente que sendo um AMOLED de 800x480, o HTC Desire está no topo do que existe actualmente, sendo apenas ultrapassado pelos mais recentes SuperAMOLED (como o presente na Samsung Galaxy S) e pelo retina display do novíssimo iPhone 4.
É uma questão de preferência, mas comparativamente aos LCDs, noto apenas o ligeiro rendilhado causado pelo padrão PenTile - que faz com que, mesmo sem linhas rectas, se note um certo "padrão cruzado", visível na seguinte imagem (embora neste caso seja um comparativo do SuperAmoled vs o iPhone 4.)
Como disse, é apenas um efeito subtil, e que em nada afecta a sua utilização - sendo mais uma questão de "habituação" (ou que até poderá passar despercebido.)
O Android "Sense"
Este HTC vem equipado com o HTC Sense, que modifica o interface do Android padrão. Uma vez que esta foi a minha experiência a sério com um Android, não sei quais das funcionalidades foram melhoradas (ou pioradas) em relação ao Android "de série" - de qualquer forma, vou analisar este equipamento na perspectiva de um utilizador que o está a ver pela primeira vez (e tentando abstrair-me ao máximo dos hábitos do iPhone.)
A navegação pelos vários ecrãs é rápida mas não tão fluida como seria de esperar num equipamento de 1Ghz. Parece-me que o culpado deverá ser o interface HTC Sense, já que comparativamente a um Android "de base" como do Nexus One, este me parece sofrer menos deste sintoma. (E neste aspecto, parece-me que a actualização para o Android 2.2 trará melhorias significativas - é uma questão de tempo.)
Relembro que não é "ser lento" - mas sim notarem-se alguns pequenos "saltinhos" nos scrolls, etc. Enfim... esquisitices minhas... :)
O funcionamento do Android
O funcionamento do Android, para além do touchscreen, requer o uso de várias teclas:
Temos uma tecla "Home" nos faz regressar ao ecrã principal (a casa), uma tecla de menu cuja funcionalidade varia de acordo com a app que estivermos a executar, uma tecla de regressar a onde estávamos anteriormente (back), e - ou não fosse o Android uma criação do Google - uma tecla de pesquisa rápida onde podemos pesquisar contactos, apps, conteúdos locais, ou informações na web.
Se pressionarem na tecla Home durante alguns segundos, surge um popup com as últimas Apps a que acederam, podendo rapidamente alternarem entre elas.
Temos ainda o trackpad óptico, que serve também como botão para "clicar".
No caso deste HTC Desire, foi necessário instalar o MoreLocale 2, uma pequena App que podem encontrar no Android Market (a loja de Apps do Android) e que permite definir o Português como língua do sistema, com a maioria das Apps e todo o sistema (incluindo o teclado e dicionário) a funcionarem em Português de Portugal imediatamente e sem qualquer chatice.
Foi também agradável ser apresentado com a opção inicial de utilizar apenas os dados quando numa rede WiFi - o que permite que, quem não tenha um plano de dados 3G, não receba uma conta surpresa ao fim do mês. (Aliás, foi esta a opção que escolhi, já que o cartão Optimus com que experimentei este Desire não tem plano de dados associado.)
Esta opção pode igualmente ser ligada/desligada nos quadros das configurações.
Parte do processo inicial de configuração do Android passa igualmente pelo login ou criação de uma conta do Google. O telemóvel fica imediatamente sincronizado com todos os vossos contactos, calendário, etc. Definitivamente um "descanso" que evita sincronizações manuais ou que necessitem de outros programas.
Outro grande ponto positivo é a imensa capacidade de personalização dos ecrãs principais. Em qualquer um deles (e dependendo do espaço disponível) podem criar atalhos para apps, contactos, rotas, pastas, ou utilizar qualquer dos inúmeros widget que existem para todas as funções e mais algumas.
Como ponto negativo, a existência de Apps de email diferentes, uma para o Gmail e outra para outras contas de email.
Teclado virtual
O teclado virtual existente neste HTC Sense tem um aspecto demasiado "cheio", e embora com alguma habituação vá melhorando a sua eficácia, mesmo ao fim de vários dias continuo a dar erros frequentes - aspecto minimizado pela existência do corrector ortográfico, que permite rapidamente corrigir as palavras (e aprender novas.)
Também estranho é que somos obrigados a usar o trackpad para movimentarmos o cursor (podemos aproximar-nos do local tocando no texto no ecrã, mas sem grande precisão). Um processo que obriga a andar a saltitar entre ecrã, teclado, trackpad e que irá requerer mais de uma semana de habituação.
(Em alternativa, relembro que existem inúmeros teclados virtuais disponíveis para instalação no Android - pelo que não são obrigados a permanecerem com este.)
As notificações no Android
Uma das coisas igualmente bem pensadas no Android são as notificações. Sempre que algo necessita da vossa atenção, verão um ou mais icons na barra superior do lado esquerdo. Podem puxar essa barra para baixo, abrindo a área de notificações (dica: não tentem pegar "na barra" em si, mas simplesmente façam um gesto descendente partindo um pouco acima do ecrã.)
Nessa área podem ver todas as notificações: novos emails, mensagens, menções do twitter, downloads ou uploads em progresso ou concluídos, actualizações, etc.
(Há também um pequeno led que pisca, para vos alertar destas notificações quando o ecrã está apagado.)
O Telefone
Verdade seja dita que neste tipo de aparelhos, na maior parte das vezes é a funcionalidade menos utilizada. E que dizer sobre isto? Funciona...
Pressionando no botão de baixar o volume e levando-o ao mínimo podemos optar entre dois modos: silêncio ou vibração.
Podemos também criar atalhos para contactos (ou para qualquer outra App, ou criar pastas, ou até rotas para um destino) em qualquer um dos ecrãs disponiveis (desde que haja espaço livre, obviamente.)
A Internet
A verdadeira razão de ser destes equipamentos é a internet - e as Apps. Com um Desire no bolso temos a internet na ponta dos dedos, e tudo o que tradicionalmente obrigaria a ter um PC à frente passa agora a poder ser feito a qualquer hora, a partir de qualquer local.
Praticamente todos os serviços do Google estão disponíveis: como o Gmail, calendário, Mapas (incluindo a funcionalidade de navegação, que em muitos casos dispensará a necessidade de um programa de navegação "pago") etc.
Para além do Google, toda a internet está igualmente ao alcance, e no caso deste HTC, vem incluído uma versão do Flash Lite... já sem grande interesse uma vez que com a actualização para o 2.2 que se aproxima poderão ter a versão completa do Flash 10.1.
O browser no entanto têm uma particularidade com que não engraço nada e que podem ver no vídeo que coloquei mais abaixo - ao fazer-se zoom in/out (felizmente suporta os gestos multitouch para isso)... reformata o texto da página para que caiba na área do ecrã... mas que tem resultados bastante estranhos quando arrastam a página para o lado, etc.
Definitivamente deveriam deixar o texto permanecer com a formatação que era devida, e mudar apenas o nível de zoom.
Há coisas que poderiam/deveriam ser melhoradas neste HTC Desire. Por exemplo, o calendário oferece poucas opções de visualização: ou mensal, ou em lista. Há botões no ecrã que por vezes parecem não reagir, obrigando a múltiplos toques, como se a precisão do touchscreen por vezes estivesse "um pouco ao lado."
E a velocidade, que também parece estar a ser um pouco restringida por este HTC Sense... mas que igualmente poderá estar melhorada com o update para o 2.2.
Outro ponto excelente do Desire: quando o ligam a um PC por USB, surge-vos um popup que vos pergunta como o querem utilizar:- apenas carregar a bateria
- sincronizar através do HTC Sync (Contactos e calendário)
- montar como unidade de disco
- partilhar a ligação à Internet
Com o Android 2.2 terão igualmente a opção de o utilizar como hotspot portátil, partilhando a ligação à Internet entre vários dispositivos WiFi - uma funcionalidade bastante interessante e que se torna cada vez mais importante e de grande utilidade para todos.
Jogos
Muitos e variados... Deixo apenas um pequeno vídeo, e não gozem com as minhas capacidades... que isto de estar a filmar e jogar ao mesmo tempo... não é tão simples como parece! ;P
A Câmara
A câmara de 5 megapixeis permite tirar fotos e gravar vídeo (com um update prometido para que grave em HD 720p) e rapidamente os partilhar via email, YouTube, ou vários outros serviços.
[Foto tirada com o HTC Desire - Cliquem nela para a ver em tamanho real]
[Vídeo do HTC Desire enviado directamente para o YouTube]
No entanto, por boa qualidade que tenha, sofre também de um problema que se pode tornar bastante chato:
é que, o próprio acto de pressionar no botão do trackpad para tirar uma foto faz invariavelmente com que esta fique tremida devido à "força" que se tem que fazer - coisa que se torna ainda mais notória em situações de fraca luminosidade.
Update: afinal eles pensaram nisso. Conforme foi dito nos comentários, ao pressionarem numa zona de ecrã durante 2 segundos, a câmara foca nesse ponto e tira uma foto automaticamente... O que já ajuda a minorar o problema do "clique" físico.
É bem mais provável que tirem fotografias como as duas de cima... do que a de baixo, a única que saiu "em condições tentando múltiplas vezes.
A única forma de evitar isto é seleccionar o atraso de 2s, para que a foto seja tirada após o carregar do botão... mas torna-se um pouco "chato" se quisermos tirar várias fotos rapidamente.
Refira-se no entanto que a câmara oferece várias opções para ajuste das fotos, constraste, brilho, saturação - e até efeitos especiais (negativo, sépia, tons de cinzentos, posterizar, etc.)
Autonomia
A autonomia foi algo que me surpreendeu. Na maior parte das vezes, chegava ao fim do dia ainda com 60-70% de bateria - mas relembro que não tinha os dados por rede 3G activados, apenas por WiFi.
Com "tudo" activado, a autonomia sofre drasticamente, e há muitos relatos de quem se queixe que não chegue sequer ao fim do dia com uma utilização intensiva.
(Em abono da verdade, é bastante fácil colocar um widget num dos ecrãs que vos permite ligar/desligar alguns elementos: WiFi, Blutooth, GPS, ajustar o brilho do ecrã, etc. E há também inúmeras Apps que permitem automatizar alguns perfis de utilização, como ligar/desligar o WiFi em função da zona geográfica (pelo GPS "aproximado" da célula em que estão, etc.)
Melhor que palavras., fiquem com um vídeo e mais imagens deste HTC Desire:
Conclusão
Este HTC Desire é sem dúvida um excelente equipamento que fará as delícias dos seus utilizadores. O tempo que tive para o explorar permitiu aflorar apenas uma pequena percentagem de todas as suas potencialidades - com um Android Market cheio de milhares de Apps que o tornam ainda mais atractivo.
Há alguns pequenos detalhes que "falham", mas que poderão facilmente ser corrigidos substituindo os componentes em questão (como o teclado virtual) por outros mais ao vosso gosto - ou então que serão corrigidos em breve com o Android 2.2 Froyo (já disponível para o Nexus One); que por muito que eu gostasse de experimentar neste Desire parece ainda estar a alguns meses de distância. Terá que ficar para outra oportunidade. Não tenho dúvidas que atá lá a Lara se encarregará de lhe dar bom uso! :)
HTC Desire
Prós:
- Qualidade de construção
- Ecrã
- A rápida evolução do sistema Android
Contras:
- HTC Sense (que "desvirtua" de certo modo o Android)
- Interface a melhorar (por vezes deixa o utilizador "sem saber o que fazer")
- Zoom no browser
Não esquecer que isto se trata de uma pontuação "individual"... veremos que tal ele se comporta quando for colocado lado-a-lado com a concorrência... num artigo a publicar brevemente. :)






























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