2015/06/13

O Homem do Fato Branco (ou como a sociedade pouco muda ao longo das décadas)


É triste que constatar que década após década, as inovações com maior potencial para melhorarem a vida das pessoas e da sociedade, continuam a ser atacadas e atrasadas ao máximo... sendo que nos melhores casos isso representará apenas um adiamento de alguns anos (ou décadas), mas noutros casos lhes poderão colocar um ponto final definitivo. Este "Homem do Fato Branco" é um filme de 1951, e que embora seja uma comédia, já abordava esta questão de forma sublime.

Não faltam exemplos de como as "indústrias" têm lidado com as inovações. A rádio ficou "empancada" durante anos, pois era considerada o fim-do-mundo para a indústria discográfica; a TV também foi perseguida pelo indústria cinematográfica; e hoje em dia, a Internet e serviços que nela assentam voltam a ter direito a perseguição (quer seja a partilha de informação, quer sejam serviços como o Uber ou outros).


Este The Man in the White Suit é um filme que nos conta a história de um cientista que consegue criar um material que é praticamente indestrutível e nunca se suja (e que até brilha no escuro). Um material milagroso que à primeira vista parecia ser a melhor invenção jamais feita... até que a indústria têxtil decide perseguir a sua invenção, pois a considera uma grande ameaça. Segundo eles, com tecido indestrutível, as pessoas comprariam apenas um fato e nunca mais teriam necessidade de comprar mais roupa, levando ao colapso da indústria.

Bem... tirando o facto de que poderiam pedir umas dicas à SPA sobre como taxarem a produção de qualquer coisa para garantir o seu "tacho"; é uma situação que infelizmente espelha a realidade de forma mais correcta do que gostaríamos de admitir.


A mudança parece continuar a incitar o terror em indústrias e pessoas, demasiado preocupadas em olhar para o seu próprio umbigo e que fecham os olhos a todos os novos horizontes que qualquer inovação possa permitir. O mais ridículo é que não faltam exemplos de que isto se vai repetindo, ano após ano, década após década, e no entanto a atitude continua a ser sempre a mesma, nunca aprendendo com os erros e ensinamentos do passado.

Custaria assim tanto aos táxis olharem para a Uber e pensarem "humm... se calhar há ali coisas que poderíamos adoptar, e tornar o nosso serviço mais competitivo e apelativo para os clientes"? E que tal as entidades dos direitos de autor reconhecerem que neste mundo moderno não faz qualquer sentido prolongar os direitos por décadas (ou pelo menos... pôr isso em causa e considerar opções alternativas, incluindo a validade das "partilhas" como forma de promoção e divulgação de conteúdos)?


É também fácil antever que com a chegada dos carros autónomos, muitos outros obstáculos se levantem. Não só dos taxistas e serviços de transportes públicos "tradicionais", como também de muitos outros sectores, como os transportes de mercadorias, e também as gasolineiras, oficinas e fabricantes de peças para reparação. Afinal, estimando-se uma redução de 90% do número de veículos a circular, essas áreas iriam sofrer um decréscimo substancial da procura...

Mas claro, poucos se lembrariam de referir que, não tendo que passar horas no trânsito todos os dias, nem se necessitando de "hectares" de espaço reservado para parques automóveis, a qualidade de vida dos cidadãos melhoraria imenso. E o dinheiro que não iriam gastar na compra de um carro próprio iria certamente ser gasto noutras coisas... (um pouco ao estilo do velho "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" de Lavoisier.)

Há apenas que ter consciência que, tal como hoje em dia nenhum taxista ou camionista se preocupará com o destino que tiveram os vendedores de carvão quando a sua profissão se tornou obsoleta (o meu avô foi carvoeiro, e teve que se desenrascar e fazer pela vida), têm que estar dispostos a admitir que a próxima profissão a ficar obsoleta poderá ser a sua, e que tal como quaisquer outros, terão que se adaptar aos tempos.


5 comentários:

  1. Caminhamos para uma era em que iremos viver sem ter que trabalhar. O que nos restará depois reivindicar?

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    1. E se não trabalharmos também não receberemos dinheiro. Só se for um subsidio mixuruco!

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  2. E um os seus próximos alvos deve ser os óculos de realidade virtual porque nos vão permitir conhecer o mundo todo sem sair de casa e isso vai ser a ruína para o turismo, transportes aéreos, hoteis, cinemas, tv, etc.

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  3. "Custaria assim tanto aos táxis olharem para a Uber e pensarem "humm... se calhar há ali coisas que poderíamos adoptar, e tornar o nosso serviço mais competitivo e apelativo para os clientes"?"

    Sim a uns custa licenças a outros além de que não o podem fazer por lei o serviço de táxi não permite isso, podes ir para assembleia da republica mudar a lei mas de momento é ilegal e injusto o serviço da UBER.

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  4. "não o podem fazer por lei o serviço de táxi não permite isso"

    O bom atendimento e respeito pelo cliente não são permitidos por lei?
    Ou então o que dizer das inúmeras fraudes cometidas todos os dias principalmente nas praças dos aeroportos? É de lei?

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