2017/01/07

Noruega vai desligar emissão de rádio em FM


A evolução tecnológica não pára, e a Noruega prepara-se para executar mais um formato considerado obsoleto: as emissões de rádio FM.

Tal como na TV se passou para os formatos digitais, mais eficientes (e económicos), também na rádio há muito que existe uma forte pressão para se acabar com as emissões analógicas em FM e optar exclusivamente pelos formatos digitais - neste caso o DAB.

Não é por acaso que a Noruega avança com esta medida, pois o seu terreno bastante irregular dificulta bastante as emissões de rádio analógico, e renovar a sua rede de rádio analógica teria um custo astronómico face à utilização das emissões digitais, que já são utilizadas por muitas outras estações de rádio no país. Agora, também as estações nacionais passarão a usar unicamente o formato de emissão mais moderno, e com isso poupar mais de 20 milhões de euros por ano.

Embora as estatísticas indicam que mais de 70% dos noruegueses já terá acesso a rádios compatíveis com as emissões digitais, dois terços continuam a ser contra o fim das emissões em FM, e referem também questões de ordem prática: por exemplo, no caso de um automóvel cujo auto-rádio não suporte DAB e obrigue a gastar dezenas ou centenas de euros na troca por um, ou na compra de um adaptador.


Independentemente de todas as vantagens tecnológicas que as emissões digitais possam ter, confesso que também não consigo evitar a sensação de que se está a perder mais um pouco do nosso passado, e daquela magia por que muitos terão passado, de criarem o seu rádio FM a partir de meia dúzia de componentes; em particular o momento em que pela primeira vez ouviam algum som reconhecível a sair da coluna ou headphones. Se calhar o mesmo poderá ser feito para as emissões DAB, mas pelo pouco que pesquisei parece-me que os chips necessários não serão tão baratos nem poderão ser soldados facilmente sem equipamento especializado.

... Ganha-se em eficiência e modernidade, mas perde-se em termos de espírito "maker".

5 comentários:

  1. Também sou do tempo das rádios locais ("piratas") e esta notícia deixa-me com uma sensação tão estranha... Definitivamente, as novas gerações não terão o contacto com aquela forma "analógica" que nós tivemos para desempenhar determinadas iniciativas.

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  2. O link do 2º § bate certo com o que percebi que era o DAB:
    - A estação de rádio converte sinal analógico em digital (zeros e uns)
    - O sinal digital é emitido em AM (habitualmente, também pode ser em FM). A diferença é que não é preciso uma frequência para cada radio (xMHz, yMhz). Vai tudo na mesma - é o descodificador do receptor que "separa" cada rádio. Há países em que quase se esgotaram as frequências como será o caso da Noruega. O DAB permite que se criem novas rádios sem custos adicionais com emissores e retransmissores.
    - Do lado do receptor, os rádios analógicos normais não servem. É necessário um rádio DAB ou um adaptador para descodificar o sinal digital, o que é complicado (e caro) no caso dos carros.

    Provavelmente na Noruega como é um país muito montanhoso, rádio digital é sinónimo de DAB. Por cá, com os preços das assinaturas de dados a baixar (e streaming a ser oferecido) rádio digital será antes rádio web. Vai ser rádio analógico + rádio web, sem espaço para DAB.

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  3. http://www.mundodaradio.com/historia/dab_em_portugal.html
    Encontrei esta página com informações interessantes,em Noruega vai ser desligada FM e em Portugal foi desligado DAB....

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    1. Eu tinha um radio DAB que deixou de funcionar nessa altura, pensei que tinha avariado... não percebo porque ofuscaram essa informação.

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  4. Em Portugal essa tecnologia ainda não me inspira confiança para gastar dinheiro nela. Em 2008 escrevi para o provedor do ouvinte da RTP para sugerir que emitissem a antena 3 nos Açores. O director de programação sugeriu que comprasse um rádio DAB. Pelo preço que era obviamente não comprei, mas se o tivesse feito rua dinheiro deitado fora, passado 3 anos começaram a emitir a antena 3 e acabaram por cancelar as emissões digitais.

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