2017/02/02

Apple prepara CPU ARM secundário para os Macs


Depois de ter criado alguns dos mais eficientes e potentes chips mobile para os iPhones e iPads, a Apple prepara-se para tirar partido dessa vantagem e aplicá-la também aos seus MacBooks e Macs.

Há muito que se fala da possibilidade da Apple abandonar os chips Intel nos seus computadores, passando a utilizar os seus próprios chips. No entanto a marca está a optar por uma opção menos radical, mas não menos eficiente: combinar o melhor dos dois mundos, adicionando um dos seus CPUs ARM para tratar das operações de baixo consumo enquanto o CPU principal pode estar suspenso sem gastar energia.

Na prática acaba por ser a evolução do que já começou a fazer com os MacBook Pro com Touch Bar, que já contam com um controlador dedicado. Aqui, a diferença é que haverá ainda maior integração entre funcionalidades do sistema, permitindo que o CPU mais poupado possa tratar de coisas como a sincronização do email, calendário, notificações, etc. São coisas que os computadores actualmente já fazem (e também utilizando modo de baixo consumo), mas que um CPU mobile poderia fazer usando muito menos energia.

A pergunta que se coloca é se esta novidade trará benefícios que se façam sentir em uso real, já que o consumo em standby de um portátil não é o critério que mais importa (face à autonomia em utilização real). Mas, conhecendo-se a Apple e a sua capacidade de tirar o melhor partido do hardware que cria, suspeito que as suas intenções possam ir para além disto, fazendo com que o chip tome conta dessas operações mesmo enquanto o sistema está ligado, acabando por funcionar como um sistema multi-CPU heterogéneo (semelhante ao que já temos no interior dos SoC ARM, com processadores optimizados para baixo consumo e outros para processamento intensivo), e o sistema operativo a distribuir as tarefas mais apropriadas para cada um deles.

... E, como o iPad Pro já demonstrou, há que ter em conta que os chips feitos pela Apple já não têm problemas em lidar com todo o tipo de processamento, até aquele que tradicionalmente estaria associado a CPUs mais potentes.

12 comentários:

  1. Isto sim é inovação! :)

    Mas preferiria um Mac full ARM, coisa que a Apple não deve descartar. Mas compreende-se que as pessoas tenham medo depois para o Windows que terá de correr emulado, e a Microsoft vai fazer de tudo para adiar o Office para ARM.

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    1. A MS não tem tido problemas em disponibilizar os seus programas para ARM. Aliás, parece que o projecto de ter um "Windows completo" em ARM, em estilo do velho RT em versão melhorada, está a andar bem e terá novidades em breve.

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    2. Vamos ver...

      Até porque com o Intel, temos a Intel a suportar e unificar coisas como a UEFI, ACPI, Thunderbolt e PCI express.

      Com ARM é mais um Wild West.

      Não sei como vai ser isso também da emulação no Windows, não vai ser fácil, e a Intel vai fazer tudo para estragar a festa, porque é vida ou morte :)

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    3. Isto é só o início em breve eles fazem a transição total para os seus CPU's ARM.
      Os muros ainda não estão suficientemente altos para a Apple, mas não se preocupem que estão quase a chegar lá.

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    4. Podes explicar essa de "Os muros ainda não estão suficientemente altos para a Apple, mas não se preocupem que estão quase a chegar lá."

      Mas explica lá isso muito bem...

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  2. Arrisco dizer que mais de 75% dos utilizadores de computadores em contexto profissional e virtualmente 100% dos utilizadores de computadores em contexto doméstico não precisa de mais poder de processamento do que aquele que o SoC Arm A9X que equipa os ipad pro, só para dar um exemplo. Isto em front-end, claro. Não me refiro a servidores nem nada disso.
    Essa é uma das razões pelas quais o mercado dos PC está tãoe estagnado e parece evoluir tão pouco nos últimos anos. AS pessoas não precisam de mais!
    Será necessário entrar noutros paradigmas (VR eventualmente?) para que a procura por sistemas mais poderosos volte a ser o que era dantes.

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    1. Mesmo nos servidores, está toda a gente a pedir servidores ARM que sejam baratos e fáceis de gerir, aliás a AMD está a explorar a situação com o Opteron A-Series.

      Nos servidores, é tudo uma questão de TCO (total cost of ownership), e os ARM tendem a serem mais baratos e a gastarem menos energia (que não é desprezável como nos PCs de casa) para a mesma carga de trabalhos.

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  3. A questão é que para migrarem tudo para ARM, acontece o mesmo que aconteceu quando há uns anos descartaram os PPC. E isso não é fixe!

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    1. Por isso mesmo não vão por esse caminho. Por agora adicionam um CPU... e vamos vendo que uso lhe irão dar...

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    2. Teres um ARM mais económico para tratar de toda a conectividade e possivelmente teres uma versão com LTE, parece-me totalmente fazível sem "grandes" complicações. Mesmo uma App nativa que use o ARM para playback de vídeo não será uma má jogada, pois dá bem conta do recado com consumos muito mais baixos.

      Quanto ao resto, poderemos especular quanto quisermos.
      Eu acho que a ideia será cada vez mais aproximar o iPad do Macbook. Mas antes disso acontecer terão de ter suporte da Adobe, a Corel, a Oracle e de uma porrada de outras companhias, para que o produto seja viável.

      (isto, ou a Apple mostra o dedo do meio a toda a gente, novamente)

      A ver vamos...

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    3. Sim, que problema foi esse que não é fixe?

      A transição correu totalmente bem. Isto há 10 anos atrás.

      Também ocorreu a transição nos telemóveis de ARMv7 para ARMv8 no iPhone 5s, e foi tudo sem espinhas.

      Tem mais problemas no Windows e Linux com a transição x86 para amd64 que a Apple de PPC para Intel.

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  4. Acho a ideia tão básica que me pergunto mesmo: como é que ninguém pensou nisso antes?

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