2017/04/05

MEO Smart Net é novo atentado à neutralidade da net


Os operadores nacionais têm testado os limites da neutralidade dos dados com pacotes onde isso é disfarçado de "ofertas" que beneficiam o consumidor, mas aos poucos as coisas vão ficando cada vez mais claras, e o Smart Net da MEO vem demonstrá-lo.

Há muito que é conhecido o interesse dos operadores em segregar diferentes serviços de internet e acabar com o pressuposto de que todos os dados deverão ser tratados de forma indiferenciada. Praticamente todos os operadores já oferecem tarifários onde são "oferecidos" (com o tradicional asterisco) os dados para certos serviços em particular, ou com alguns gigabytes para acesso exclusivo a apenas um serviço; e agora o Smart Net da MEO surge como mais uma oferta da MEO, que tem a vantagem de revelar aquilo que os operadores desejariam fazer.

Neste Smart MEO, são "oferecidos" 10GB de dados por mês ao cliente, mas o mesmo tem que seleccionar um pacote que agrega os serviços que pretende utilizar.
  • Messaging: que inclui serviços como o WhatsApp, Skype, Hangouts, iMessage, ...
  • Social: Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Pinterest, ...
  • Video: YouTube, Netflix, Twitch, ...
  • Music: Spotify, SoundCloud, Google Play Music, ...
  • Email & Cloud: Gmail, iCloud, Google Drive, One Drive, ...



Não será preciso perder muito tempo para perceber o quanto esta oferta em nada beneficia os clientes, pois parece-me altamente provável que a maioria dos utilizadores utilizará serviços de cada uma destas categorias, e que melhor seria servido pela oferta de 10GB "genéricos" para usar como bem entendesse.

Assim, pela lógica da MEO, a MEO "oferece" um destes pacotes (imagine-se que escolhem o email), mas depois se quiserem ouvir música, ver vídeo, aceder a uma rede social ou trocar mensagens com os amigos, terão que pagar €4,99 +€4,99 + €4,99 + €4,99.

É mesmo este o futuro do acesso à internet que desejam ter?


P.S. Seria bom ver a ANACOM pronunciar-se sobre estes tarifários, que violam flagrantemente o princípio de que todos os dados deveriam ser tratados de igual forma.

26 comentários:

  1. Escandaloso. É isso que é.
    Espero que ponham mão nisso. (mesmo não sendo cliente da MEO, pois os "outros" devem de ir a trás).

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  2. Isto não faz nenhum sentido. Nem os tarifários zero rating não se comparam com isto. Uma coisa é uma pessoa não querer gastar muito dinheiro em tráfego para um serviço streaming como TV online e ter um plano de disponível para utilizar), outra coisa é comprar um aditivo exclusivamente para alguns serviço

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  3. Pelo menos davam a possibilidade de dividir tráfego entre grupos. Tudo bem, davam 10GB, mas podia-se meter 2GB num, 4GB noutro, etc.

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  4. eu cá acho completamente justo, ora vejamos, quando vou enfiar gasolina no carro, é completamente diferente eu ir usar a gasolina para fugir da policia de usar a gasolina para levar uma grávida de cascos de rolha para o hospital a 200klm da santa terrinha... digam lá agora de vossa justiça e que não tenho razão.

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    1. O que tu demonstras é ter uma falta de inteligência gritante!

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    2. Acho que ele estava a ser irónico. Acho. :)

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    3. achas?! acabas de cair rkk81% na minha consideração!

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  5. Sinceramente não percebo a noticia e a indignação, cada operador faz as promoções que bem entende, cabe ao consumidor aderir ou não. A Rede é MEO o tráfego é MEO logo fazem o que bem entendem. Se a NOS quiser dar 100 gigas para um site de cabeleireiros que dê, etc etc etc

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    1. Não é bem assim porque se tratam de sectores que são regulados (isto se a ANACOM fizer o seu trabalho).
      Olha se as empresas de electricidade também decidissem que a partir de agora a electricidade para televisores e computadores ia levar uma taxa X, a electricidade para fornos e micro-ondas ia ser paga a Y, etc. etc.

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    2. Carlos, utilizado o seu exemplo, já existe essa diferença com a tarifa Bi-Horária... a questão é existirem várias opções, mas no limite, as empresas são livres de decidirem o que pretendem oferecer.

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    3. Não... na bi-horaria nao te diferenciam o que podes fazer com a electricidade. Tens um preço x num período, tens um preço Y noutro - como durante muito tempo se teve nas chamadas (noite, fim-de-semana, etc.)

      Aqui é limitar o que se pode fazer com os "bytes" que compras, uns só para isto, outros só para aquilo... Era como disse, o equivalente a teres electricidade que só podes usar numa TV, outra só para lampadas, outra só para aquecedores e ar-condicionado (e acho que isso demonstra bem o absurdo do conceito e porque não deverá ser permitido ou tolerado nos dados.)

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    4. Carlos, portanto, limitar o que posso fazer está mal, limitar quando posso fazer já está bem??? eu percebo o conceito e entendo que algumas pessoas podem não compreender, mas reafirmo, a rede é da empresa e a empresa apresenta add-ons sujeitos a compra, o utilizador decide a utilidade e se quer pagar mais por isso.
      Para finalizar, não me chocava ter um tarifário de electricidade direccionado a nichos de utilização, por que no fim... quando há mais do que uma opção que decide é o utilizador ;-)

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    5. Quando telefonas, também pagas diferente para quem telefonas (distancia).

      Ou essa cena da bi-horaria.

      Ou quando mandas uma carta postal.

      Ou etc...

      Mas há uma grande diferença, é que nesses casos, admite-se um preço mais alto porque é mais caro a prestação do serviço.

      Aqui, não.

      Acho que isto é mais um caso de dumping.

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    6. @Sou eu

      Então e se a NOS decidir dar 100GB para aceder a sites que promovam o comunismo, o islamismo, o conservadorismo... e o resto for pago à parte? Já não são livres de oferecer o que lhes apetece? Qual é a diferença? É que ao descartarmos a neutralidade da Internet, estamos a permitir que as operadores promovam (ou limitem) livremente o acesso a determinadas fontes, que por ventura lhes tragam mais lucros ou que os lobbys vejam como apropriadas. Não é preciso pensar muito para perceber como isto pode ser perigoso. Pessoalmente, prefiro não confiar no bom senso dos outros. Quem anda à chuva...

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  6. Carlos, o principio infelizmente não ficou preto no branco..
    Os reguladores nacionais tem usar alguns critério para validar se as ofertas cumprem ou não regulamento. Pelo menos nos próximos 3 anos não devem haver muitas alterações no regulamento.

    fonte:
    http://berec.europa.eu/eng/netneutrality/zero_rating/

    Esta oferta na minha opinião não faz sentido p/ o consumidor, pelo mesmo preço deviam é vender um pacote tráfego (como já existe) e não acesso a determinados serviços.. o bytes custam o mesmo independente da origem..

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  7. As operadoras dão trafego? Daqui a bocado os bancos dão dinheiro! :D

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  8. Grande confusão. Isto é tráfego adicional gratuito que juntas ao plafond do teu tarifário.
    Se por exemplo tens 2GB de tráfego, vais ficar com 2GB + 10GB à tua escolha.
    Vocês estão a assumir que deixam de ter os 2GB e passam a ter um de 10GB.

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    1. Gratuito*

      *€4.99/mês cada pacote

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Até ao final do ano. Já agora em relação a esta questão de tráfego diferenciado, o problema não este ser gratuito. É a questão de concorrencia. Se ofereces tráfego do Facebook, deves oferecer também todo o tráfego de aplicações concorrentes, porque isso significa que estarias a favorecer um serviço em relação ao outro. A neutralidade também se aplica nestes aspectos.

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  9. Quem já tiver M4O pode escolher um pacote gratuito.

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    1. Sim, é a forma actualmente usada para ir tornando estas coisas "comuns" para depois quando eventualmente passarem a adoptar isto como norma, já se achar normal...

      Na minha óptica, é um verdadeiro presente envenenado...

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    2. Absolutamente de acordo. Acabaram de me activar esse serviço sem me consultarem, no minuto seguinte telefonei a desactivar.

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  10. Já seguiu queixa formal registada na ANACOM.

    Não vale a pena chover no molhado e ficar apenas pela queixa em determinados fóruns. É preciso agir e só com queixas formais alguém vai perceber que tem que fazer alguma coisa.

    Até lá, vão deixar usar até ser, como o Carlos diz, uma coisa normal que toda a gente usa (e paga)!

    Abraço,

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  11. Isto é o inicio. Acho que as pessoas não estão a ver o perigo de isto se tornar "normal". Um dia chegamos ao ponto em que o facebook é na NOS, o whatsapp é na MEO e o linkedin é na Vodafone. Eu quero usar o pinterest e tenho que pagar serviços "extra" porque nenhum dos operadores tem este serviço no tarifário base. Estão a tentar transportar para a net o negócio dos canais de TV, só que no caso da net, os serviços não cobram nada ao operador.
    Mesmo que coloquemos esta questão de lado, está em causa a liberdade de utilização e outra situação que está a surgir no seguimento disto é em relação à confidencialidade. Há operadores que já estão a equacionar barrar serviços https e vpn para poderem ver o tipo de informação as pessoas estão a consultar com o objectivo de direccionar a publicidade e oferecer serviços.

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  12. Não é assim.

    Eu tenho 3GB de net movel em cada cartão. Estes 10 GB são um extra.

    Se eu já me orientava com 3GB, escolher um extra de 10GB no tipo de utilização em que mais trafego uso a mim só me parece ser uma mais valia.

    Percebo a questão da segmentação, mas neste caso vejo vantagens para o cliente, pois 3 GB de net é o que tenho visto como limite "normal" de net no telemovel (eu ainda uso o cartão de dados e uso tb os 7 GB de lá)

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