2017/05/19

Okja e Netflix vaiados em Cannes


O Festival de Cinema de Cannes tem sido palco de uma batalha contra as plataformas de streaming, e a exibição do filme Okja produzido pela Netflix foi um ponto alto para a contestação.

As associações de cinema francesas não apreciaram que o Festival de Cannes tenha seleccionado um filme produzido por uma plataforma de streaming e que nem será exibido nos cinemas franceses. Ainda por cima, o filme Okja (podem espreitar o trailer aqui), realizado por Bong Joon Ho (Snowpiercer, The Host) e que conta com Tilda Swinton e Jake Gyllenhal, teve o azar adicional de ter problemas ao ser exibido num formato errado, dando origem a mais vozes de protesto (para além do "vaianço" inicial quando surgiu a referência à produção Netflix).

Se calhar, os cinemas franceses, em vez de se preocuparem com a forma como os espectadores preferem ver os filmes, melhor fariam em se modernizar e actualizar. É que será preciso ter em conta que um dos motivos pelo qual o Okja não será exibido em França se deve a uma lei francesa que exige que os filmes exibidos nos cinemas só possam ser lançados nas plataformas de streaming 36 meses após a sua estreia! Sim, estão a ler bem... os franceses só poderão ver (legalmente) esses filmes três anos após terem passado nos cinemas...

Acho que não será preciso ser um génio para que se perceba que, por muito que se aprecie o cinema (e sendo eu um grande fã, que no mínimo vou ao cinema praticamente uma vez por semana) será uma batalha perdida tentar impedir que as pessoas tenham acesso a esses mesmos conteúdos nas plataformas de streaming. Quem quer ir ao cinema vai, para ter a "experiência cinematográfica" (embora arriscando-se a levar com projectores desfocados ou com lâmpadas gastas, ou pessoas a atirar pipocas umas às outras ou a falar ao telefone durante o filme todo)... não é por o filme chegar à internet 2 ou 3 meses depois (ou até logo na data de estreia) que deixarão de o fazer.

11 comentários:

  1. Vivemos num futuro com mentes do passado... É isto que atrasa o comboio da evolução.

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  2. Acho que o protesto aqui é pelo facto da plataforma streaming ser fechada, estamos a falar do Netflix que opera em regime de praticamente monopólio neste tipo de negócio. O impacto que pode ter para as sociedades, passar-mos de orientar os consumos pelos conteúdos para passar a consumir com referência aos distribuidores é que é um retrocesso e prejudica a liberdade individual e a divulgação cultural. O problema é esse, acho graça é que se fossem os estúdios de hollywood a impedir que os seus filmes fossem parar ao NETFLIX, já eram os velhos do restelo a tentar travar o vento com as mãos.

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    1. E quem se queixa é a indústria do cinema... Também "fechada" :)

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    2. As pessoas utilizam o termo "monopólio" de uma maneira muito curiosa, confundindo com "empresa com maior significância no mercado". Para diferenciarmos:
      Extracção de Pau-Brasil nas colónias: Monopólio da Coroa Portuguesa
      Streaming de filmes e séries: Netflix, Amazon Prime, Hulu, Crackle, HBO Go, Fox Play, etc. :-)
      Pelo facto do Netflix, da Microsoft, do Google ou do You Tube terem uma posição confortável no topo das suas respectivas áreas, isso são significa que são monopólios.

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  3. As salas de cinema tem os dias contados.

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    1. Lol, já dizem isso desde a invenção da televisão.

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  4. Absolutamente ridículo, mas esta resistência à digitalização e à globalização está presente e com cada vez maior força em todo o lado.

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    1. Que resistência à digitalização é essa? E que globalização? Acho que o festival de Cannes tem feito mais pela globalização do cinema europeu do que qualquer outra instituição!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Resumindo:
    - As vaias aconteceram numa sessões especial para jornalistas.
    - Quem lá estava não ficou com uma ideia muito clara para que lado pendia a maioria, se vaiavam ou não e porquê.
    - Mas inclinam-se pra as vaias se deveram ao festival de Cannes apresentar a concurso um filme que não vai passar (agora pode ser que passe) em salas de cinema (parece que também não se perde grande coisa).

    Parece que a questão não tinha muito a ver com a Netflix especificamente.

    Quanto ao monopólio na produção de conteúdos (não na quota de exibição de streaming, de conteúdos próprios e adquiridos) - neste caso os que estão contra falam em que seria uma tragédia que a Netflix tivesse entre 40% e 50% [a que ninguém chamaria monopólio noutros sectores/atividades].

    Por mim, pagante do Netflix e que vê o resto por "portas travessas" porque não há dinheiro para tudo, parece-me que: não há qualquer monopólio; os conteúdos próprios da Netflix são muito superiores aos que compram a terceiros; sempre fiquei admirado com a forma como Hollywood protegia os seus segredos sobre os filmes antes de estrearem - conseguindo a Netflix ser mais secreta, considerando o número das suas séries e filmes que financia; nem de perto nem de longe vou uma vez por semana ao cinema, porque do género de filmes que, actualmente, aprecio há poucos.
    Santa Netflix e outros que inventaram as séries e sempre há alguns episódios por semana para ver.
    Agora, fico pior que estragado quando a Netflix abrevia séries de que gosto por falta de audiência. Importam-se de ver mais séries assim para o fantástico/ficção científica para isso não acontecer?

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