2017/06/15

Roaming na Europa chega ao fim*


Depois de anos em período de transição, chega finalmente o dia em que se acaba com as taxas de roaming na Europa, permitindo a qualquer cidadão usufruir do seu tarifário em qualquer país europeu... mas com o habitual "asterisco" associado.

Embora a maioria dos portugueses nem sequer saia do país, esta medida para acabar com o roaming vem beneficiar todos os que regularmente se desloquem entre diferentes países da UE. Aliás, há muito que deixou de fazer sentido cobrar as taxas ridiculamente elevadas praticadas em roaming, tal como há muito que deixou de fazer sentido diferenciar o tráfego de internet em "nacional" e "internacional" (lembram-se desses tempos?)

No entanto esta abolição do roaming não está isenta de problemas, com muitos operadores a procurarem todas as formas possíveis para poderem ganhar dinheiro com esta alteração. Nos países do norte da Europa, tradicionais exportadores de turistas para os países do sul, os operadores já se vão queixando que os preços que terão que pagar (entre operadores) poderão obrigar a aumentar os preços dos tarifários para compensar o fim do roaming; e os operadores do sul dizem que o baixo valor desses pagamentos também não será suficiente para lidar com o de tráfego acrescido, e que também eles terão que aumentar os tarifários; e isto sem considerar os operadores que ameaçam cortar completamente com o roaming dos seus tarifários.

É que o fim das taxas do roaming inclui uma cláusula que permitirá aos operadores esquivarem-se a esta medida, se demonstrarem que o impacto prejudicará as suas receitas em mais de 3%. Ora, conhecendo-se os magos das engenharia financeira, não me parece difícil que qualquer operador que queira dar uso a esta cláusula o conseguirá fazer.

... Seria caricato que o "fim do roaming" na Europa se viesse a tornar efectivamente no fim do roaming... e ainda por cima, servindo de desculpa para novo aumento dos tarifários, quer os clientes tirem partido do roaming ou não.

4 comentários:

  1. Contradições e mais contradições. Eis a UE que temos neste momento.
    Legisla-se para dar mais direitos aos consumidores para poderem comunicar por telemóvel de forma mais universal. (O que, a ver vamos, ainda poderá redundar naquilo que o Carlos diz no final do artigo...)

    Mas e se um consumidor português pretender adquirir um veículo automóvel na Dinamarca (ou França / Alemanha / Bélgica / Holanda / etc.) para usá-lo em Portugal?

    Temos que encontrar novas (e melhores) formas de fazermos ver que há muito para melhorar nesta fantástica ideia de unir os povos da Europa.

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  2. Não é mais fácil comprar um cartão pré pago ( lycamobile por exemplo) e usá-lo enquanto la estamos? Na irlanda, por exemplo, 15€ temos um cartão com 30gb e chamadas ilimitadas. Em França também anda neste moldes.

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    1. O problema, nesse caso, é fazermos chegar o novo número a quem nos quiser contactar.

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    2. Pelo que tenho visto, há muitas pessoas que confundem o fim do Roaming, com chamadas para o estrangeiro. Ou seja, o que não terá valor acrescido nas chamadas será quando utilizamos o nosso telemóvel num país da EU, sendo taxado ao preço do nosso tarifário nacional. Já se fizer uma chamada para o estrangeiro, será cobrado o tarifário de chamadas internacionais, isso mesmo que nos encontremos nesse país. Por exemplo, se estiver em Espanha e fizer uma chamada para um numero espanhol (ou de outro pais que não, Portugal), irei ser taxado ao valor de uma chamada internacional como se estivesse a fazer a chamada a partir de Portugal.

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