2018/01/02

2077 - 10 Segundos para o Futuro estreia hoje na RTP

Estreia hoje na RTP a série documental 2077 - 10 Segundos para o Futuro que aborda as questões de como poderá ser o mundo daqui por 60 anos. Fomos convidados para a apresentação desta série, e o meu amigo Manuel Reis conta-nos o que poderemos esperar dela.


Para muitos dos que habitualmente lêem o Aberto, as expressões “televisão”, “RTP” e “emissão linear” já são suficientes para causar arrepios. «Mas há quem ainda dê importância a isso?» «Isso não é um canal para velhos?» «Para quê esperar para ver uma coisa quando a posso ver quando quiser?» E eu compreendo-vos, a sério. A evolução das plataformas de streaming nos últimos anos permite-nos ir a um site ou a uma aplicação e, de forma mais ou menos legal, aceder aos conteúdos que queremos. No entanto, ao não vermos a tal emissão linear, a televisão como ainda existe hoje em dia, não só não vemos muita coisa boa que por cá é feita*, como também não percebemos que existem formas on demand de aceder a tais conteúdos.

* Ironicamente, as pessoas que se queixam de falta de conteúdos de qualidade cá e da constante aposta em futebol e novelas, são também as que não sabem, ou não procuram saber, o que a RTP tem transmitido no último par de anos, sobretudo em 2017. Mas adiante.


Porquê este primeiro parágrafo? Porque 2077 - 10 segundos para o Futuro, um novo documentário de quatro episódios que estreia na RTP1 no dia 2 de Janeiro às 21:00 (logo a seguir ao Telejornal) é um excelente produto, tanto do ponto de vista visual como no conteúdo, integrada na comemoração das bodas de diamante da TV em Portugal - e não se preocupem que também irá estar disponível na RTP Play, a plataforma de streaming da estação pública .


Como será o Mundo daqui a 60 anos? É esta a questão colocada a vários cientistas, investigadores e dirigentes em vários pontos do globo, incluindo Michio Kaku, Nick Bostrom, George Friedman, Elvira Fortunato e Manuela Veloso, entre muitos outros. Daniel Deusdado, director de programas da RTP1, referiu que este é um dos documentários mais avultados da história da RTP, existindo neste momento a forte possibilidade de este documentário ser vendido no estrangeiro.

A verdade é que este primeiro episódio (sobre Mutação) funciona, tanto no aspecto visual/sonoro como no conteúdo. Como me foi referido por Marta Loja Neves, editora executiva da RTP que supervisionou a criação deste documentário ao longo de um ano e meio, não se queria mostrar uma perspectiva nem demasiado negativa nem demasiado positiva. Enquanto via o primeiro episódio e ouvia algumas declarações e demonstrações de possibilidades para o futuro, confesso que pensava não apenas nas possibilidades da tecnologia mas também em possíveis storylines de Black Mirror à cabeça.


O estado actual do Mundo não ajuda a pensar que as tecnologias podem existir por bem. Questões como a implantação de memórias, o prolongamento da vida ou a inteligência artificial precisam do debate e que se lance a discussão sobre que uso dar a essas tecnologias, assim como os limites éticos das mesmas. E, nesta sociedade pré-distópica (ed. ou já mesmo distópica!) bem que precisamos de debates entre pessoas que percebam dos assuntos. Os episódios seguintes passam pela exploração dos recursos naturais, a sustentabilidade e os movimentos migratórios e, pegando no que já referi, as questões éticas.


Se não dão uma hipótese à RTP (ou à televisão generalista portuguesa) há uns anos, experimentem. Está aqui uma boa peça de televisão. E, se por acaso estiverem vivos em 2077, têm aqui um excelente programa para que, nessa altura, possam olhar para trás e ver até que ponto estas previsões foram acertadas!

Actualização: já podem ver o primeiro episódio aqui.


por: Manuel Reis

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