O Discord decidiu adiar o lançamento global do seu sistema de verificação de idade, inicialmente previsto para Março, empurrando a implementação para a segunda metade de 2026. A decisão surge depois de forte reacção negativa por parte da comunidade, que interpretou o plano como uma exigência de reconhecimento facial ou envio de documentos de identificação - isto numa altura em que leaks de dados resultaram na divulgação dessa informação por parte da empresa que fornecia esse serviço.
A empresa tenta minimizar as questões, focando-se no ponto de que "90%" dos utilizadores não precisarão verificar a idade e poderão continuar a usar a plataforma normalmente. Segundo diz, os seus sistemas internos já conseguem estimar a idade de muitos adultos com base em sinais como a antiguidade da conta, presença de método de pagamento, tipo de servidores frequentados, e horário de utilização - fazendo com que apenas "10%" dos utilizadores fiquem sujeitos ao processo de verificação adicional.
[Não demoraram a surgir ferramentas que permitem ultrapassar o reconhecimento facial - comprovando que estes métodos são completamente irrelevantes]
O CTO, Stanislav Vishnevskiy, reconhece que a comunicação falhou e que a empresa deveria ter explicado melhor o processo desde o início, prometendo também disponibilizar métodos adicionais de verificação de idade antes da expansão global. Quem não verificar a idade manterá a sua conta e todos os dados já existente, mas ficará impedido de aceder a conteúdos com restrição etária.
Infelizmente, os sistemas de verificação de idade começam a tornar-se cada vez mais frequentes exigidos por certos países. Nos EUA, a Meta (Facebook, Instagram) já começou uma campanha a dizer que os sistemas de verificação de idade deveriam ficar a cargo do sistema operativo - o que por um lado faz sentido (a Apple já começou a restringir os downloads na App Store a utilizadores menores em certos países), mas por outro lado não deixa de ser uma forma conveniente de escapar à responsabilização.
De notar que, no caso da Meta, estamos a falar de uma empresa que lucra directamente à custa de campanhas criminosas, não dando forma fácil de remover esses conteúdos - só o fazendo quando leva com uma queixa com a justificação de abuso de "direitos de autor" por uso indevido das imagens, e não por se tratar de uma óbvia campanha fraudulenta (e ainda assim, permitindo que as contas responsáveis permaneçam activas e continuem a lançar publicidade falsa).



















Sem comentários:
Enviar um comentário (problemas a comentar?)