2014/10/06

W3C cede e adiciona DRM para a Web


A web como a conhecemos pode estar prestes a desaparecer, e não se admirem se daqui por alguns anos tiverem que recorrer a browsers "pirata" para poderem fazer tudo aquilo que hoje damos por garantido, desde um simples copy-paste de um texto à gravação de uma imagem, passando pela visualização do código original que gerou a página. É que o W3C aprovou o uso de DRM para a web... e já se sabe que nada de bom virá daí.

Os sistemas de DRM (Digital Rights Management) são sempre apregoados como sendo para benefício do público, mas até à data ainda está por demonstrar um único caso em que isso se tenha verificado. Pelo contrário, não faltam exemplos e mais exemplos de sistemas de DRM que se tornam em gigantescas dores de cabeça para os utilizadores, que ficam com conteúdos presos a dispositivos ou serviços, que quando inevitavelmente deixam de existir... levam esses conteúdos consigo, obrigando os utilizadores a pagarem novamente por eles.

Na Web estávamos a salvo de tudo isso, para o bem e para o mal. Todas as páginas são publicamente acessíveis por natureza, e embora alguns apliquem scripts que dificultassem algo como gravar imagens ou copiar texto, bastaria desligar o javascript para que se pudesse fazê-lo. Mas agora com esta aprovação do DRM pelo W3C, abrem-se as portas para páginas onde o controlo fique do lado de lá.

Estão a imaginar visitar uma página onde a tentativa de copiar um parágrafo ou uma imagem seja respondido com uma mensagem de "operação não permitida"? É o que este sistema virá permitir fazer, por imposição dos grupos defensores dos direitos de autor, que de outra forma ameaçavam que deixariam de usar a internet como meio de distribuição (era o tipo de bluff que merecia ser "chamado"... pois temos visto a distribuição de conteúdos na internet evoluir de forma bastante positiva sem qualquer DRM, como se vê pelo Netflix, e outros!)


Mas nem tudo está perdido... pois já no passado a W3C optou por tecnologias (XHTML) que não reuniram o apoio de empresas como a Mozilla, Apple e Opera, e mais tarde foram forçados a reconhecer o erro e a adoptar o HTML "standard". E novamente, espero que se venha a ser esse o caso, com as entidades de peso a recusarem infectar os seus browsers com DRM.

Se não for esse o caso já estou a imaginar que no futuro tenhamos que ser todos "piratas", navegando a web em browsers clandestinos que se façam passar por browsers com DRM mas que continuem a nos dar as liberdades para fazermos o que queremos com as páginas e conteúdos que surgem no no ecrã do nosso computador ou tablets ou smartphones.

... Sinceramente, fico absurdamente triste por ver a quantidade de burocracia, e desperdício de tempo, dinheiro e recursos a promover tecnologias que em nada contribuem para o avanço da internet ou benefício dos seus utilizadores (que continuamente continuam a ser tratados como "criminosos até prova em contrário" - mesmo quando pagam e voltam a pagar pelos conteúdos a que desejam aceder de forma legal).

1 comentário:

  1. Vira o disco e toca o mesmo. Metem DRM, cracka-se o DRM.
    É bom é bom, para manter as mentes activas ;)

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