No seguimento de todas as novidades AI apresentadas no Google I/O 2026, coloca-se a questão: quanto é que isso nos irá custar?
Temos novos modelos AI, temos um Gemini com interface renovado. Mas, por trás de tudo isso há o pequeno "detalhe" de que o uso gratuito do Gemini arrisca-se a ficar cada vez mais limitado, e o uso dos planos pagos arrisca-se a ficar cada vez mais caro.
A Google está a alterar a forma como funcionam os limites de utilização do Gemini, abandonando o actual sistema baseado no número de pedidos diários em favor de um novo modelo que contabiliza o consumo de recursos (tokens). A mudança aproxima o funcionamento do Gemini ao de plataformas concorrentes como ChatGPT e Claude, que já fizeram a mesma alteração.
Até agora, o Gemini utilizava um limite diário baseado no número de interacções. Com o novo modelo "compute-used", o consumo passa a depender da complexidade das tarefas realizadas. Factores como a duração da conversa, funcionalidades utilizadas, e o tipo de pedido, irão afectar a contagem. Gerar vídeos, criar imagens, realizar Deep Research, ou usar modelos mais avançados, poderá consumir significativamente mais quota do que pedidos simples de texto. Além disso, a Google passa também a adoptar limites de utilização por janelas de cinco horas e limites semanais. Quando um utilizador atingir o limite temporário, o acesso poderá ser reduzido temporariamente ou o sistema poderá passar automaticamente para modelos AI mais básicos. Utilizadores dos planos AI Pro e AI Ultra terão ainda a possibilidade de comprar créditos adicionais para continuar as suas tarefas.
As alterações estão a gerar críticas entre alguns utilizadores. Vários utilizadores queixam-se que a contagem está a ser feita de forma exagerada mesmo em pedidos simples - uma simples pergunta de texto terá usado 13% do limite - o que faria com que bastassem oito perguntas idênticas para esgotar o limite semanal. Do lado da Google, a empresa defende que o novo sistema é mais justo e contabiliza a utilização real dos recursos.
O que é certo é que, depois de se ter tornado quase impossível manter uma conta Google sem pagar pelo espaço extra, a Google está a preparar o caminho para que seja cada vez mais difícil usar os serviços AI Google sem ter que somar mais uma subscrição à lista das mensalidades que se pagam. E neste caso, com muita maior facilidade de, a qualquer momento, alterar os limites e apresentar ao utilizador "já gastou os seus tokens da semana - compre mais para continuar a ter acesso aos serviços AI".
2026/05/20
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Depois de sugarem tudo a todos, temos agora de lhes pagar a fatura para que continuem a sugar-nos os dados...
ResponderEliminarE assim vamos, dominados pelas ambições das bigtech e do lucro infinito.
Viramos o produto à décadas. Triste sociedade a nossa influenciada por vaticinações parvas de figuras como Sam Altman, Elon Musk, Marc Zuckerberg, Bezzos, Google's, etc...
Inicialmente as empresas bancaram o custo de processamento para atrair usuário e treinar modelos. Mas a verdade é que IA é uma tecnologia cara e é inevitável que em algum momento o custo vai ser repassado aos usuários.
ResponderEliminarBancaram o custo com os lucros astronómicos obtidos com os nossos dados e conteúdos.
EliminarMelhor ainda será se nos conseguirem vender um acesso pago para aceder-mos aos nossos próprios conteúdos (conteúdos da humanidade leia-se).
Nenhuma Google Cloud, Microsoft Azure e Amazon AWS (que serão aquelas com capacidade financeira para continuar a desenvolver Data Center's em Hiperescala) vem ao jogo por acaso, trata-se da sua própria sobrevivência, mas não creio que se tornarão empresas "dependentes de IA", que de resto configura apenas um hype sem futuro.
Sem conteúdos humanos editoriais, de opinião, de análise, "papers", de evisão, de estudo, científicos... (que as bigtech se apropriam sem pudor) nenhuma IA servirá, a seu tempo, para nada.