O Loupe "o que as apps vêem" é uma app que chama a atenção para as questões de privacidade no iOS, mostrando tudo o que os iPhones revelam às apps.
A Apple criou a imagem de que o iOS é um sistema seguro e que valoriza a privacidade dos utilizadores. Para muitas coisas, isso é verdade, ficando a cargo do utilizador decidir se dá permissões às apps para aceder a coisas como a câmara, microfone, fotos, contactos, localização, etc. No entanto, o sistema continua a dar acesso a muitas outras coisas, que ficam disponíveis a qualquer app que se instale, sem qualquer tipo de consentimento ou permissão. É precisamente isso que a app Loupe pode revelar.
A app Loupe "o que as apps vêem" - que é open-source e tem o código fonte disponível - quer sensibilizar os utilizadores para esta questão, revelando toda uma série de elementos que podem ser usados para obter e inferir dados dos utilizadores.
Os dados aparentemente "inocentes" vão de coisas como a última data de reset do iPhone, alterações às definições de regionalização, teclados e linguagens instalados, apps instaladas, etc. Tudo coisas que podem ser usados para individualizar e identificar secretamente os utilizadores - apesar das promessas da Apple de que os "identificadores" são privados e podem ser controlados pelos utilizadores. Limpar ou alterar o "ID para publicidade" em nada afecta estes elementos, que continuam a poder ser usados para identificar cada dispositivo.
As apps podem até ir mais longe. Por exemplo, a Apple, de origem, sugere nomes dos dispositivos como sendo "Os AirPods do Carlos", e a lista de nomes dos dispositivos Bluetooth também está acessível a todas as apps, o que lhes permite inferir o nome do utilizador mesmo que este não quisesse ceder essa informação.
Infelizmente, isto é apenas o reflexo daquilo a que se chegou hoje em dia. Há décadas atrás, estava implícito que se confiava totalmente e plenamente em qualquer software que se instalasse num computador. Hoje em dia, estamos no ponto oposto em que temos que tratar toda e cada app com o máximo de suspeição e aplicar toda uma série de restrições e permissões.
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Imagino que os Android sejam ainda piores. Orwell só errou em não conseguir prever que em vez da vigilância nos ser imposta à força seria alegremente adoptada e financiada por todos nós...
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