Na Build 2026, a Microsoft reforça a sua aposta na AI e em fazer com que o Windows 11 seja um sistema atractivo para os developers.
A Microsoft aproveitou a conferência Build 2026 para revelar uma série de novidades centradas na inteligência artificial. O evento ficou marcado por novos equipamentos Surface, avanços em modelos AI próprios, ferramentas para programadores e até uma nova visão para sistemas operativos orientados por agentes inteligentes.
Uma das principais novidades foi a apresentação do Surface RTX Spark Dev Box, um mini PC desenvolvido especificamente para programadores que pretendem executar modelos de inteligência artificial localmente. O equipamento surge como alternativa ao kit de desenvolvimento anteriormente previsto pela Qualcomm e inclui o novo processador Nvidia Spark RTX baseado em arquitectura ARM, acompanhado por 128 GB de memória unificada. A Microsoft revelou ainda que o dispositivo chegará com aplicações como Visual Studio Code e GitHub Copilot pré-instaladas, bem como uma versão optimizada do Windows 11 Pro. A empresa não divulgou ainda o preço nem todas as especificações técnicas, mas confirmou que o lançamento acontecerá nos Estados Unidos ainda este ano.
A Microsoft também anunciou várias melhorias para tornar o Windows mais atractivo para programadores. Entre as novidades está a integração do Coreutils, um conjunto de ferramentas inspiradas no Linux que passam a funcionar nativamente no Windows 11. A empresa adicionou ainda suporte melhorado para contentores Linux através do Windows Subsystem for Linux (WSL), bem como um novo Intelligent Terminal capaz de fornecer contexto adicional a agentes AI utilizados pelos programadores.
Outra das revelações foi o Project Solara, um novo sistema operativo baseado em Android concebido para permitir que agentes de inteligência artificial funcionem em vários dispositivos de forma integrada. O projecto está a ser desenvolvido em parceria com a Qualcomm e a MediaTek e pretende facilitar a transferência de tarefas entre equipamentos. Durante a apresentação foram mostrados protótipos de dispositivos compatíveis, incluindo um hub de secretária e um crachá digital inteligente.
No campo dos assistentes inteligentes, a Microsoft apresentou o Scout, um assistente permanente baseado na plataforma open-source OpenClaw, que ganhou popularidade ao longo dos últimos meses. O Scout integra-se com aplicações do Microsoft 365, incluindo Outlook, OneDrive e Teams, e foi desenvolvido para executar tarefas em segundo plano. Entre as funções demonstradas estão a gestão de calendários, organização de despesas, criação de emails e outras tarefas administrativas. Este assistente faz parte de uma nova família de agentes denominada Autopilot, onde cada agente terá capacidades e funções específicas. Numa fase inicial, o Scout ficará disponível em versão preview nos Estados Unidos.
A empresa aproveitou ainda o evento para reforçar a sua aposta em modelos de inteligência artificial desenvolvidos internamente. Ao todo foram apresentados sete novos modelos, incluindo o MAI-Thinking-1, descrito como o primeiro modelo de raciocínio avançado criado pela Microsoft. O modelo conta com 35 mil milhões de parâmetros activos e uma janela de contexto de 128 mil tokens, tendo sido concebido para lidar com tarefas complexas que envolvem múltiplas etapas, raciocínio avançado e geração de código. A empresa anunciou também melhorias nos seus modelos dedicados à criação de imagens, síntese de voz, programação e transcrição de conteúdos.
Com a crescente popularidade dos agentes autónomos, a Microsoft revelou igualmente novas ferramentas de segurança para controlar melhor o seu comportamento dentro do Windows. A principal novidade chama-se Microsoft Execution Containers (MXC), um sistema que permite aos programadores definir limites claros sobre os recursos e dados a que os agentes podem aceder. Foi ainda apresentada uma aplicação complementar para OpenClaw que permitirá criar ou ligar agentes personalizados num ambiente isolado e protegido.
Por fim, a Microsoft mostrou a nova geração do seu chip de computação quântica, o Majorana 2. Segundo a empresa, o novo processador oferece qubits mil vezes mais precisos do que os utilizados anteriormente, graças a uma nova composição de materiais que inclui chumbo e outros compostos avançados. A gigante tecnológica acredita que este avanço poderá acelerar significativamente o desenvolvimento de computadores quânticos práticos, mantendo o objectivo de alcançar essa meta até 2029.
2026/06/03
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