Embora a Google possa levar vantagem devido ao projecto Google Books iniciado há mais de duas décadas, surgem relatos preocupantes do que as novas empresas de AI - como a Anthropic - estão a lidar com os livros para obter dados de treino.
Várias empresas de inteligência artificial estarão a comprar milhões de livros em papel para os digitalizar e utilizar como dados de treino para os seus modelos, recorrendo a empresas intermediárias para evitar atenção pública. Segundo uma investigação recente, estas aquisições em massa têm aumentado significativamente nos últimos tempos, com livreiros a reportarem encomendas invulgares que chegam a incluir centenas de milhares de livros de uma só vez.
O interesse nestas obras deve-se ao facto dos modelos AI necessitarem de conteúdos escritos por humanos, com procura especial para os livros da era pré-AI, que ficam automaticamente livres do risco de poderem ter sido eles próprios escritos com auxílio de ferramentas inteligência artificial. Estes livros são considerados fontes de dados de maior qualidade e menos "contaminadas". Mas o maior problema é o processo de digitalização em si: em vez de ser feito de forma cuidada, estes livros são submetidos a processos industriais destrutivos, com a lombada cortada para facilitar a separação e digitalização das páginas, resultando na destruição de livros raros.
🦔AI companies are bulk-buying rare books, scanning them through high-speed machines that cut the spines off, and shredding the originals. A service called ISBNdb facilitates orders of up to a million books and keeps buyers anonymous. Pre-2022 books are premium because they're… pic.twitter.com/0YPd8N2oi5
— Hedgie (@HedgieMarkets) July 27, 2026
I'm a second-generation bookseller. My family runs Houston's largest used & rare bookstore and I'm building an AI tool for used bookstores. We got hit by exactly these orders, including a single order for 70 obscure books that made us pause online sales entirely. So I dug in. I… https://t.co/IK7OE8f1DG
— Charlie D. Becker (@charliedbecker) July 28, 2026
btw anthropic's internal document on this literally said "we don't want it to be known that we are working on this.”
— Ole Lehmann (@itsolelehmann) July 27, 2026
it was called project panama.
here's exactly what happened:
1: anthropic concluded that books were the cheapest way to build a world-class model because they… https://t.co/27sUAVVnkL
Curiosamente, Elon Musk reagiu rapidamente, dizendo que a SpaceXAI perservará livros raros, digitalizando-os sem os destruir:Some folks don’t believe that a “principled AI company” would destroy books after they suck out all the information for their models, even one-of-a-kind books and manuscripts.
— Brian Roemmele (@BrianRoemmele) July 27, 2026
Here it is admitted in open court. https://t.co/Wh4ONvsjbi pic.twitter.com/PHrqYFCjOG
Como se pode imaginar, a destruição de livros está a gerar polémica, e não ajudará que empresas como a Anthropic tenham visto documentos internos a frisar deliberadamente que este tipo de processo deveria ser mantido em segredo e longe do conhecimento público. Por outro lado, isto acaba por ser um reflexo das leis de copyright, com editores e autores a exigirem que, quando um livro é "usado", então não deverá poder ser revendido ou reutilizado - o mesmo tipo de problema que a Google enfrentou durante décadas e que acabou por praticamente levar ao fim do projecto Google Books.I’ve asked the SpaceXAI team to preserve any rare books in a library and scan them the hard way vs just cutting off the spine and scanning
— Elon Musk (@elonmusk) July 27, 2026
Agora, chegamos a um ponto em que, vez do foco da digitalização dos livros ser a sua preservação e disponibilização ao público, essa informação ficará fechada em modelos AI proprietários, com o cúmulo de que, tal poderá ter sido feito sacrificando o último exemplar de um livro físico que nunca mais ficará disponível para a posteridade.



















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