2026/07/28

Project Panama da Anthropic destruiu milhões de livros para treinar AI

A Anthropic e outras empresas, estão a destruir livros no processo de treino dos seus modelos AI.

Embora a Google possa levar vantagem devido ao projecto Google Books iniciado há mais de duas décadas, surgem relatos preocupantes do que as novas empresas de AI - como a Anthropic - estão a lidar com os livros para obter dados de treino.

Várias empresas de inteligência artificial estarão a comprar milhões de livros em papel para os digitalizar e utilizar como dados de treino para os seus modelos, recorrendo a empresas intermediárias para evitar atenção pública. Segundo uma investigação recente, estas aquisições em massa têm aumentado significativamente nos últimos tempos, com livreiros a reportarem encomendas invulgares que chegam a incluir centenas de milhares de livros de uma só vez.

O interesse nestas obras deve-se ao facto dos modelos AI necessitarem de conteúdos escritos por humanos, com procura especial para os livros da era pré-AI, que ficam automaticamente livres do risco de poderem ter sido eles próprios escritos com auxílio de ferramentas inteligência artificial. Estes livros são considerados fontes de dados de maior qualidade e menos "contaminadas". Mas o maior problema é o processo de digitalização em si: em vez de ser feito de forma cuidada, estes livros são submetidos a processos industriais destrutivos, com a lombada cortada para facilitar a separação e digitalização das páginas, resultando na destruição de livros raros.
Curiosamente, Elon Musk reagiu rapidamente, dizendo que a SpaceXAI perservará livros raros, digitalizando-os sem os destruir:
Como se pode imaginar, a destruição de livros está a gerar polémica, e não ajudará que empresas como a Anthropic tenham visto documentos internos a frisar deliberadamente que este tipo de processo deveria ser mantido em segredo e longe do conhecimento público. Por outro lado, isto acaba por ser um reflexo das leis de copyright, com editores e autores a exigirem que, quando um livro é "usado", então não deverá poder ser revendido ou reutilizado - o mesmo tipo de problema que a Google enfrentou durante décadas e que acabou por praticamente levar ao fim do projecto Google Books.

Agora, chegamos a um ponto em que, vez do foco da digitalização dos livros ser a sua preservação e disponibilização ao público, essa informação ficará fechada em modelos AI proprietários, com o cúmulo de que, tal poderá ter sido feito sacrificando o último exemplar de um livro físico que nunca mais ficará disponível para a posteridade.

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