2026/08/12

Placas Nvidia com memória duplicada para AI

O mercado de placas gráficas modificadas com o dobro da memória está a ganhar volume, com lojas e entusiastas a fazerem aquilo que as marcas não fazem.

Numa era completamente anómala em que vemos placas gráficas a aumentar cada vez mais (em vez de ter o preço reduzido com o passar dos anos), assistimos também à industrialização da transformação de gerações antigas lhes para aumentar a memória.

Por causa da incessante procura para trabalho AI, onde a quantidade de memória RAM na placa gráfica é o elemento crucial, estão a surgir no mercado versões modificada da velhinha GeForce RTX 2080 Ti com 22 GB de GDDR6, o dobro dos 11 GB disponíveis no modelo original lançado há quase oito anos. Estas placas já modificadas estão a ser vendidas por cerca de 499 dólares, destinando-se a utilizadores interessados em correr modelos AI localmente e outras tarefas que beneficiam de mais VRAM.

A modificação consiste em substituir os chips de memória originais de 1 GB por componentes de 2 GB. A RTX 2080 Ti mantém os seus 4352 CUDA cores, a arquitectura Turing e o barramento de memória de 352 bits, pelo que o desempenho bruto da GPU não aumenta. O grande benefício está na capacidade de memória adicional, permitindo colocar modelos AI de maior dimensão na memória da placa, e ultrapassando os 16GB que têm sido considerados o "limite mínimo" para muitos modelos. Como vantagem adicional funcionam com os drivers NVIDIA normais e podem continuar a ser utilizadas para gaming, sem necessidade de software especial para reconhecer os 22 GB de VRAM.
Para quem quiser ir mais além, na China também têm surgido placas RTX 4080 modificadas com 32 GB de GDDR6X, o dobro dos 16 GB do modelo oficial, mas neste caso com preço que superaram os 1.200 euros. Também neste caso são placas destinadas essencialmente a processamento AI, mas há que ter cuidado adicional pois por vezes obrigam a utilizar drivers modificados para reconhecerem correctamente a quantidade de memória instalada.

O curioso é que este tipo de transformações, que habitualmente eram feitas apenas por alguns curiosos, se estão agora a tornar num segmento "comercial", o que revela o enorme interesse que existe no processamento AI local. Esperemos que, num futuro não muito distante, o problema da escassez de memória possa ficar resolvido, e as marcas possam oficialmente lançar placas gráficas com 64GB, 128GB, ou mais, a preços decentes - algo em que, de momento, não têm qualquer interesse em fazer, pois é bastante mais lucrativo vender as placas "AI" a preços exorbitantes.

Sem comentários:

Enviar um comentário (problemas a comentar?)