2026/08/06

Razr 60 Ultra e o mistério dos updates

Quando a Motorola apresentou o Razr 60 Ultra, em abril de 2025, o objectivo era claro: colocar o seu dobrável de formato flip no mesmo patamar dos concorrentes asiáticos, que têm dominado esta categoria. 


Um processador Snapdragon 8 Elite e dois ecrãs AMOLED com taxas de actualização até 165 Hz e um conjunto de acessórios muitíssimo bem conseguidos, conferiam argumentos de peso ao smartphone, mas o plástico que cobre o ecrã e os vincos na zona da dobragem, não estavam em linha com o restante hardware do equipamento.


Concluída a bateria de testes, o impacto do vinco acabou por se dissipar. O desempenho superior e a versatilidade do smartphone demonstraram toda a sua valia no dia a dia, e o que numa primeira impressão parecia uma limitação estrutural foi perdendo relevância à medida que a experiência de utilização se consolidava. Houve, contudo, um aspecto que nos levou a adiar a publicação desta análise — e que merece ser explicado com algum detalhe.

Meses após o lançamento, o panorama das actualizações de software revelou uma dinâmica pouco consistente. Instaladas as actualizações em outubro de 2025, o dispositivo entrou num silêncio prolongado. Nas semanas seguintes, foram efectuadas inúmeras tentativas de verificação, sempre com o mesmo resultado: nenhuma actualização disponível. Este tipo de problema é, infelizmente, recorrente em segmentos de entrada. 

Num smartphone posicionado na gama premium — e com o preço correspondente — não é aceitável, e foi precisamente por isso que a publicação desta análise ficou suspensa. Aguardávamos uma explicação que nunca chegou de forma oficial.

Meses mais tarde, já em final de março de 2026, foi como que aberta a torneira e em três dias, caíram 4 actualizações, uma delas com o mais recente Android 16. Posteriormente, chegaram os updates de segurança, com o patch de março e maio.


Reconheço que não dediquei tempo a investigar activamente o problema. Limitei-me a aguardar, que é, de resto, a postura da esmagadora maioria dos utilizadores. Foi a curiosidade, mais recentemente, que me levou a cruzar com uma publicação no Reddit apontando para um método disponibilizado pela própria Motorola para forçar a verificação de actualizações. Para quem tenha um Razr 60 Ultra e continue sem receber actualizações, vale a pena explorar essa via.


Do ponto de vista do hardware, o Razr 60 Ultra apresentou-se com um conjunto ao nível do que se espera de um equipamento premium.


O melhor processador disponível no ecossistema Android no momento do lançamento, um sistema de câmaras competente — que apenas peca na ausência de zoom óptico relevante —, um ecrã principal que, uma vez ligado, rapidamente apaga a memória dos vincos, e um ecrã secundário que transcende a função de painel de notificações, permitindo uma consulta rápida de informação sem necessidade de desdobrar o dispositivo. 


E há ainda o capítulo dos acessórios, particularmente cuidado em termos de design e integração com o conjunto.

O atraso na disponibilização das actualizações acabou, ainda assim, por prejudicar a avaliação final deste Razr 60 Ultra. Numa situação normal, com um ciclo de suporte regular e sem interregnos injustificados, este seria um equipamento a recomendar sem reservas — um "quente" robusto, para usar a nossa escala habitual. Fica por isso com uma nota condicionada por aquilo que não dependeu do hardware, mas da consistência de quem o suporta.



Razr 60 Ultra

Morno

Imagens do equipamento:








Razr 60 Ultra

Morno (3/5)

Sem comentários:

Enviar um comentário (problemas a comentar?)