A Apple está a lançar nova funcionalidades com sérias implicações de privacidade, que estarão constantemente a escutar o que se passa.
Apesar do iPhone Duo estar a atrair todas as atenções, relegando os iPhone 18 Pro para segundo plano, há alguns aspectos importantes que importa abordar referentes aos novos Apple Watch S12 e Ultra 4. Além da Apple, ao seu melhor estilo, ter implicitamente recomendado que um Apple Watch será a melhor forma de manter o iPhone Duo desbloqueado (por ter retrocedido do Face ID para o Touch ID), a Apple apresentou também várias funcionalidades "preocupantes" de forma bastante cuidada e planeada de forma a minimizar potenciais polémicas. Refiro-me ao Live Rewind e ao Siri Recap.
Na nova geração de relógios, a Apple aplicou tecnologia de reconhecimento de sons, que permite alertar os utilizadores para coisas como campainhas a tocar, alarmes, bebés a chorar, etc. e também a possibilidade de reconhecer e identificar automaticamente músicas através do Shazam. Até aqui nada de mal. Com o Live Rewind, a Apple permite também que os utilizadores tenham acesso a uma transcrição de tudo o que foi ouvido nos últimos 15 segundos, algo que a Apple diz ser útil para revisitar coisas que não se tenha percebido, ou que não fossem de fácil memorização. E a versão expandida disso é o Siri Recap: que poderá escutar tudo o que se passa ao longo do dia, para criar resumos AI através da Siri.
Ora, como seria de esperar, a Apple frisa que esta funcionalidade está sob total controlo do utilizador, podendo ser activada apenas em certos horários, ou em certos locais, ou manualmente. Refere também que o processamento é feito de forma totalmente privada, sem que se tenha acesso directo às gravações (apenas às transcrições), e sem que seja feita a identificação de pessoas individuais. Mas a questão é que, para todos os efeitos, trata-se de um dispositivo que fica sempre à escuta e que está a fazer transcrição de tudo o que é ouvido nas imediações do utilizador.
É certo que aqui a funcionalidade é apresentada como sendo de benefício para o utilizador (ao contrário do que acontece com as transcrições feitas pelas TVs LG), mas não deixa de levantar as mesmas preocupações de privacidade que têm surgido a nível das gravações dos smart glasses, e outros.
Fica também bem claro que isto faz parte de um plano bem pensado por parte da Apple, como forma de preparação para os futuros AirPods com câmara, que aparentemente estariam prontos mas que a Apple preferiu adiar para mais tarde. Assim pode começar por habituar o público a estarem a ser continuamente escutados, e no futuro expandir isso para a visão, usando exactamente a mesma desculpa de que não se terá acesso às imagens, mas sim a resumos e transcrições AI do que for visto.
Ora, não se põe em causa que a Apple efectivamente faça tudo isto correctamente e de forma privada, com o seu Secure Exclave nos chips e o Private Cloud Compute. O problema é que, como tem ficado demonstrado ao longo dos anos, os iPhones e iOS não estão imunes a ataques de spyware. Isso significa que, quando tal acontecer, os atacantes potencialmente passarão a ter acesso a informações ainda mais vastas sobre os utilizadores. E claro que temos que considerar a possibilidade das autoridades, de alguma forma, requisitarem informação sobre tudo o que tiver sido "escutado" em determinado local em determinada data.
Por agora é algo com que não teremos que nos preocupar, pois isto não fica disponível na UE tal como a Siri AI.
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Para não falar do direito à privacidade das outras pessoas que estão à volta do dono do relógio!
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