A EA partilhou um relato nostálgico de ter descoberto um arquivo esquecido contendo verdadeiros tesouros da história dos videojogos.
A Electronic Arts descobriu uma parte importante da sua história depois de Jim Vessella, um executivo da empresa, encontrar um arquivo esquecido nas instalações de Redwood Shores. O espaço continha cerca de 20.000 materiais históricos, incluindo cassetes Betacam, VHS e D1, bobinas de filme, e CD-ROMs. Com a ajuda do colega Greg Roensch, Vessella passou vários meses a organizar cronologicamente toda a colecção, transformando esta descoberta num importante projecto de preservação de videojogos.
O processo de digitalização começou em 2024 e, até 2026, a equipa conseguiu recuperar cerca de 6.000 materiais e 2.500 horas de gravações históricas. Entre as descobertas mais importantes estavam as cassetes originais das séries Wing Commander e Road Rash. Este material permitiu à EA preparar o Wing Commander III: Heart of the Tiger: 30th Anniversary Edition, recuperando as gravações originais e contando com a ajuda da comunidade para melhorar a compatibilidade com os computadores actuais. Os fãs também contribuíram para restaurar sequências FMV danificadas e corrigir problemas de jogabilidade.
Outro projecto importante foi Privateer 2: The Darkening: 30th Anniversary Edition. A equipa conseguiu localizar Steve Hilliker, o realizador original das sequências cinematográficas, depois de um membro da comunidade revelar que este ainda guardava as gravações master do jogo em cassetes Digi 8, no sótão de casa. Hilliker digitalizou o material e ajudou a criar uma versão Director's Cut das sequências, enquanto programadores da comunidade acrescentaram várias melhorias ao jogo. O primeiro Wing Commander, a sua sequela Wing Commander II, e os clássicos Road Rash também beneficiaram deste trabalho.
Os jogos restaurados já estão disponíveis no Steam, incluindo a colecção completa Wing Commander e Road Rash: 30th Anniversary Edition. Este projecto demonstra a importância de preservar a história dos videojogos, numa altura em que a indústria aposta cada vez mais na distribuição digital e se afasta dos formatos físicos. Embora as bibliotecas digitais sejam mais cómodas, a descoberta da EA mostra como materiais históricos valiosos podem desaparecer facilmente sem não se promoverem iniciativas de preservação e o envolvimento das comunidades de fãs.
Embora este tenha sido um (raro) bom gesto por parte da EA, importa relembrar que ainda há muito para fazer caso a EA queira efectivamente reparar a sua relação com os jogadores, ainda mais depois de recentemente ter encerrado a Bioware e condenado o futuro de jogos Mass Effect e Dragon Age.
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