Os discos rígidos, dispositivos de armazenamento principal nos computadores actuais, estão a morrer.
Não se preocupem, os vossos dados estão a salvo (espera-se que sim - têm os vossos backups em dia?) refiro-me apenas aos discos que temos nos nossos portáteis e computadores de mesa.
Actualmente assiste-se cada vez mais à migração dos discos rígidos para o armazenamento Solid-State, em discos "flash", os chamados SSD. Mas de que forma é que isso afectará os computadores a médio e longo prazo?
As previsões são sempre subjectivas, e esta é apenas a minha visão sobre o assunto:
num futuro não muito distante, os computadores deixarão de ter "discos".
Se tivermos um computador com 32GB de RAM, com outros tantos 32GB de disco SSD, que mais será necessário?
(Já para não falar em sistemas de RAM não volátil, tipo a ferro-eléctrica, que permitiriam ter sempre o estado "actual" do computador guardado, quer estivesse ligado ou desligado.)
Os mais paranóicos poderiam continuar a ter umas torres com discos rígidos, com centenas de Terabytes de dados num caixote NAS (Network Attached Storage) disponível remotamente via rede - mas para a maioria das pessoas, aceder e guardar o conteúdo na Net será a melhor opção: e a responsabilidade dos backups fica fora das nossas mãos.
Uma ligação fiável e permanente à Internet - isso sim, passa a ser o factor mais importante.
Tal como um telemóvel de pouco ou nada serve sem "rede", um computador sem internet é uma ferramente severamente limitada, permitindo apenas uso das aplicações instaladas localmente.
E para quem pensar que esses 32GB ou 64GB locais (ou 128GB ou o quer que seja) são insuficientes, com ligações rápidas o suficiente, essa memória seria usada quase exclusivamente como "cache" dos conteúdos recebidos pela rede, tornando-se - em grande parte - quase irrelevante.
Quer jogar um jogo? Em poucos segundos este será descarregado da Net e estará pronto a ser usado. Quando terminar, pode ser apagado (ou mantido em cache durante algum tempo). E assim sucessivamente para qualquer aplicação, filme, ou conteúdo.
Levado ao extremo, nem disso precisamos. Podemos muito bem ter apenas um ecrã e uma ligação rápida à rede. Tudo o que fizessemos seria processado remotamente, e enviado de volta para o nosso ecrã: tipo computadores virtuais, em grande escala.
Actualmente isso já é feito por muita muita gente, usando um portátil "fraquinho" apenas para aceder remotamente ao computador "potente" em casa ou no emprego. A única limitação são as velocidades da rede - que num caso ideal (alta velocidade e baixa latência,) tornam a experiência indistinguível de estar à frente do computador remoto.
Bem, daqui a 10 anos saberemos se estou muito longe da realidade...
2007/11/30
A Morte dos Discos Rígidos
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