2014/08/19

Munique considera regressar aos Windows após 10 anos de Linux?


Há mais de 10 anos a cidade de Munique tornou-se num exemplo para muitos proponentes do Linux, ao anunciar que iria abandonar o uso do Windows e optar por software livre e assim poupar dinheiro. Agora, surgem notícias de que o município poderá estar a reconsiderar o regresso ao Windows.

A eterna guerra Windows/Linux irá certamente fazer com que esta notícia seja distorcida e retorcida conforme der jeito a cada "campo". Mas a verdade é que me parece que as "queixas" que são apresentadas como motivo para esta reconsideração, mais parecem ser "queixinhas" de alguém que quer arranjar desculpas para poder usar aquilo a que está habituado...

Por exemplo, referem que há problemas de compatibilidade dos ficheiros quando têm que trocar informações com outras entidades e cidades que continuam a usar software da Microsoft (bem que poderia ser mais um motivo para exigirem que se cumprissem com os formatos standard abertos); e que afinal o custo de manter Linux fica bem mais caro do que imaginavam, devido à necessidade de contratar programadores para implementarem as funcionalidades que desejam (como se por magia, o Windows fizesse tudo o que se deseja sem programação adicional - e ignorando que graças a esta mudança já se terão poupado mais de 10 milhões de euros em licenças... que bem deverão para pagar aos programadores... e ficar com troco.)

Mas as queixas que mais mostram sobre as origens desta questão são as que se seguem, de alguém que não terá gostado de estar algumas semanas à espera que um servidor de email ficasse pronto para poder enviar email (como se isso fosse culpa do sistema operativo, fosse ele qual fosse); e de que os programas open-source "são piores" que os da Microsoft. Queixas que são comuns a quem não está com qualquer predisposição para experimentar algo diferente daquilo a que está habituado e aproveita para transformar tudo e alguma coisas em justificação de que não presta.


Termino apenas relembrando que, em época em que a Alemanha estará em estado de alerta quanto à espionagem dos EUA, não será um pouco caricato abandonarem um projecto de Linux germânico que dominam totalmente, para regressarem a um sistema operativo "fechado" sob a alçada dos interesses americanos? (Isto, mesmo considerando que também a Alemanha terá gravado conversas de políticos norte-americanos, relembrando que nisto das espionagens não há bons e maus... apenas os que fazem as coisas sem que se saibam... e aqueles que vêem os seus feitos revelados nos jornais.)

7 comentários:

  1. "Microsoft announced last year that it was moving its German headquarters to Munich. This move is planned to take place in 2016. While Mayor Reiter was involved in the deal that precipitated the move and describes himself as a "Microsoft fan," he says the criticism of LiMux is unrelated." - acho que isto diz tudo...

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    1. Ora aí está. A Microsoft usa todo o tipo de estratégias sujas para manter o seu monopólio.
      E o facto é que todas as grandes empresas relacionadas com Linux são formigas ao pé da MS.

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  2. Independentemente de tudo isto, o facto é que nem as plataformas/ferramentas Microsoft são tão caras como muitos julgam e querem fazer crer, especialmente agora que a MS está a abrir cada vez mais os seus horizontes ao OS, nem o OS fica tão barato como tenta parecer, especialmente a nível empresarial.

    Creio que o OS seja sempre uma solução mais barata mas não pela diferença que muitos dos seus evangelistas querem impingir à opinião pública.

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  3. Estes assuntos estão sempre cheios de evangelistas quer de um lado quer do outro. É difícil perceber onde está a "verdade". Da minha experiência pessoal acho que o Linux enquanto OS de desktop orientado para o utilizador final ainda tem muitas insuficiências face ao Windows. Enquanto servidor já tem provas mais que dadas, mas falha muito no aspecto da "user-friendlyness". E não vale a pena falar em Ubuntu, Mint, etc. Aquilo é tudo muito bonito mas à primeira dificuldade é preciso sujar as mão no terminal e isso não é para todos.

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    1. Num ambiente de empresa ou de admnistração pública faz perfeito sentido.
      Os PCs são atribuídos pelos serviços de IT e os serviços de IT controlam o que está instalado nos computadores de serviço. Logo quem teria que sujar as mãos no terminal não seriam os utilizadores finais.

      Tirando isso concordo consigo. Linux para o utilizador final não faz sentido se esse utilizador quiser fazer algo mais aprofundado.

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  4. Deixa ver se eu percebi. Em 2002, face ao fim da assistência ao Windows NT, a câmara de Munique decidiu entrar num processo de transição para Linux, processo que terminou em 2013. Em 2014 o novo presidente da câmara está com vontade de iniciar um processo de transição para o software da Microsoft.

    Percebo a angústia de alguns: "Então era um caso de sucesso, permitia poupar milhões e milhões, devia ser replicado por todas as administrações públicas - e agora vêem com as dúvidas, a pôr tudo em causa!? Ainda por cima, numa altura em que findou o suporte do XP e estávamos esperançados que, finalmente, uma chusma de administrações públicas e de empresas passassem a usar Linux".

    Por mim, dado que há tantas câmaras/cidades, haver umas tantas a experimentar Linux era positivo. Na minha não, enquanto não ficar demonstrado (não é pregado) que sai mais barato e que satisfaz.

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    1. Não é vêem de ver, é vêm, de vir. Tanto que a minha professora primária insistiu "Vêem tem dois olhos (dois ee)".

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