Alguns vendedores estão a usar técnicas criativas para enganar os consumidores quando compram um portátil, incluindo o espaço temporário na cloud como "armazenamento".
O dia que temíamos parece ter chegado. Têm surgido em diversas lojas online produtos que anunciam características de forma enganadora, como é o caso de um portátil Lenovo que promete 1.1 TB de capacidade por $499, mas que na verdade tem apenas um SSD de 128GB - ao qual é somado o espaço de 1TB no OneDrive que, para cúmulo, só dura um ano com o plano Microsoft 365 que é oferecido.
Há anos que temos alertado para situações semelhantes, mas que normalmente estavam confinadas a produtos como smartphones e portáteis de marcas chinesas de baixo custo. Uma das coisas mais frequentes é a indicação de que têm "gigabytes de memória RAM!", quando na realidade têm muito menos RAM, com o resto a ser memória RAM virtual (swap file). Nos smartphones low-cost de alguns fabricantes também era comum prometerem câmaras com dezenas ou centenas de megapixeis, quando na realidade usavam sensores de menor resolução, mas depois fazendo o redimensionamento da imagem.
Ora, agora parece que a táctica está a chegar aos portáteis, e se assim for, não há limite ao que pode ser anunciado. Porquê limitarem-se a dizer que tem 1.1TB de espaço, quando podem dizer que tem espaço "ilimitado" (mesmo que seja uma promoção temporária de 30 dias de espaço ilimitado na cloud). E, que tal fazer o mesmo com a memória RAM? O portátil podia ser fornecido com 4GB de RAM reais (até daria jeito tendo em conta o custo elevado), mas dizendo que tem 8GB (via swap file), com opções de upgrade a preço competitivo para 16GB, 32GB, e até 64GB - que na prática se limitam a ser a configuração do swap file, sem mais memória real instalada!
Ou então, qualquer dia começam a modificar o sistema de modo que indique 4GB de RAM como sendo 16GB, ao estilo do que alguns fabricantes estão a ser apanhados a fazer com os CPUs.
É certo que este tipo de coisa poderá não enganar as pessoas que estejam mais informadas e tenham uma noção das características de hardware e preço actual dos produtos, mas há muitas mais pessoas para quem o elemento chave é ver o maior número possível na RAM e armazenamento, e o número mais reduzido no preço. E esses arriscam-se a sofrer grande desilusão se forem apanhados por um destes esquemas enganadores.
Muito se fala da interferência excessiva da legislação, mas casos como estes demonstram que, não a havendo, haverá sempre vendedores que estão dispostos a todo o tipo de tácticas para enganarem os consumidores.
2026/03/10
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