2015/05/12

Receitas do streaming já superam downloads de música - diz a Warner Music


Numa altura em que por cá se vai começar a pagar taxa pela eventualidade de se poder vir a fazer uma cópia privada, a Warner Music revela que as receitas do streaming de música já superam os downloads - demonstrando ainda mais o contra-senso desta taxa.

O mercado está cada vez mais rendido à comodidade dos serviços de streaming de música, indo ao encontro de tudo aquilo que a indústria discográfica mais deseja: de que, em vez de uma simples compra feita uma única vez, se passe a ter uma "renda" paga mensalmente ao longo de toda a vida.

Indirectamente, um serviço de streaming permite também contabilizar ao pormenor quais as músicas e artistas que foram ouvidos, tirando toda a ambiguidade quanto à forma como os mesmos são recompensados (contabilidades que certamente não interessarão a quem prefira manter um sistema de "artes mágicas" na forma como distribui os lucros pelos associados - como muito gostaría de saber como é que a SPA vai fazer chegar a justa parcela das eventuais cópias privadas que eu fizer, aos respectivos autores.)

O meu grande receio quanto ao streaming, é de temer que as pressões crescentes façam suspender os serviços de streaming gratuito, deixando-nos apenas com serviços pagos; e fazendo com que no futuro a ideia de se poder ouvir rádio "de borla" pareça uma distante memória que interessa fazer esquecer o mais rapidamente possível. Espero que tal não aconteça. E que tal como a rádio demonstrou, que há lugar para serviços de streaming gratuitos, com publicidade e o que for necessário para garantir a sua sobrevivência, a par de serviços pagos onde cada utilizador tenha total controlo sobre o que quer ouvir.

... Depois é só se mentalizarem que a última coisa que precisamos é ter centenas de serviços de streaming separados, onde cada um tenta angariar os seus artistas exclusivos, na esperança de que quem quiser ouvir esses diferentes artistas esteja na disposição de pagar uma dúzia de mensalidades diferentes. Já que tanto querem legislar na área dos direitos de autor e restrições impostas aos consumidores... que tal legislarem também no sentido de acabarem com as exclusividades, e garantirem a igualdade de direitos no acesso aos conteúdos?

Alguém admitiria que um autor dissesse que um seu livro só ficaria disponível na Biblioteca de "Barrancos de Cima", ficando proibida de aparecer em qualquer outra? Então, porque motivo se deverá aceitar isso nos formatos digitais?

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