2015/09/25

Como foi apanhada a VW na mentira das emissões


O caso da VW está a dar muito que falar (e já se vai alastrando a outras marcas) e há quem tenha curiosidade em saber como é que a marca germânica foi apanhada, depois de anos a enganar as entidades de certificação e os consumidores quanto aos níveis de emissões poluentes dos seus automóveis.

A discrepância de valores foi descoberta por uma equipa de investigadores da Universidade de West Virginia, que já tinha publicado as suas observações no início de 2014. Ao contrário do que acontece nos sistemas de testes normais, em que o carro fica estacionário sob um sistema de rolos, e equipado com sondas para monitorizar as emissões do escape - um teste que normalmente implica entrar num modo especial de diagnóstico, para desactivar os sistemas de controlo de tracção e outros - estes investigadores alteraram um carro para fazer essa medição com um carro em condução normal (como se vê na imagem).

Foi nestas situações que as medições obtidas se revelaram surpreendentes, com dois carros da VW (um Jetta e um Passat) a ultrapassarem em 35x e 20x os limites máximos de NOx permitidos pela legislação. Os investigadores recorreram até a um gerador independente para alimentar o sistema de monitorização, para que a carga eléctrica adicional não interferisse com o funcionamento normal do automóvel.

Ainda falta explicar porque motivo existe tal discrepância entre o tal modo "batota" para passar os testes e o modo em condução normal, sendo este um aspecto que continua a intrigar os investigadores; mas isso será algo que agora irá ser minuciosamente estudado. E entretanto, vão-se levantando as vozes que pedem consequências bem mais graves para todos os responsáveis por esta mega-fraude ambiental, e que não chega um pedido de desculpa e uma demissão voluntária do presidente da VW (que diz que não sabia de nada).


... Tal como referido... isto ainda vai dar muito que falar; e imagino quantos mais fabricantes estarão neste momento a pensar como seria bom ter investido no tal sistema de actualizações remotas, para agora "corrigirem" os seus carros antes que também eles sejam apanhados com batotas idênticas.

9 comentários:

  1. Só um aparte... Independentemente da artimanha montada pela VW para cumprir normas euro 5 e euro 6 relativamente às emissões poluentes, é legítimo a forma de regeneração dum filtro de partículas em andamento quando o mesmo entra em regeneração? Quer-se dizer, um veículo não polui progressivamente durante o tempo em que o filtro vai acumulando, mas quando entra em regeneração, tudo o que foi acumulado é libertado de uma vez só pra atmosfera, portanto... A poluição continua a existir da mesma forma, os filtros são particularmente dispendiosos (principalmente para os que não têm auto-regeneração). É tão somente mais uma forma de o custo de manutenção de um veículo novo sair cara, sou um defensor do meio ambiente, mas esta forma de tentar tornar os carros menos poluentes tem muito que se lhe diga...

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    1. Não sou especialista, mas penso que o princípio de funcionamento é diferente. Não se trata de acumular e depois "largar"; mas sim de acumular e depois "destruir" os compostos perigosos por métodos pirolíticos (com altas temperaturas), que supostamente irão decompor os tais compostos noutros menos nocivos.

      É essa a ideia que tenho do processo... mas depois temos que na prática, quando há alguma coisa que corre mal, a opção mais comum é simplesmente remover o sistema em vez de gastar centenas de euros a reparar...

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    2. Exacto Carlos Martins, o funcionamento é esse mesmo, acumular e destruir.
      Devido ao facto do alto preço do FAP é verdade que muitas vezes a solução é sacar fora, isso deve-se ao facto do alto valor e do tipo de condução, quem faz muita cidade acaba por não fazer as regenerações o que leva à deterioração do FAP.
      O que o FAP faz é acumular as particulas, nada tem a ver com o CO2, isso é função do catalizador, um carro moderno (o meu com 11 anos por exemplo) mesmo sem FAP (andou um ano sem FAP) praticamente não deita fumo (e tem repro), só se nota se pisarmos o acelerador a fundo, as coisas já não são como os antigos diesel ou como os carros modificados que fumam uns maços de tabaco a cada aceleradela.
      Pena que o FAP que meti não funcione a 100% como o original funcionava, mas isso são outros tostões...

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    3. O FAP destrói periodicamente as partículas acumuladas com uma eficiência mínima de 85%. Hoje em dia os FAP utilizam 2 tipos de regeneração onsoante as condições particulares que existirem na altura em que estiver a ocorrer a dita regeneração: por regeneração passiva que aproveita as altas temperaturas dos gases de escape para fazer a sua incineração. Isto consegue-se em viagens mais longas em que os gases atingem temperaturas elevadas durante pelo menos 20 minutos. Ou por regeneração activa que geralmente consiste em aumentar temporariamente de propósito (a mando da centralina) a pressão de injecção de combustível de modo a fazer chegar ao FAP algum diesel por queimar que vai ajudar a aumentar a temperatura de forma, digamos, artificial. Há ainda alguns FAP que obrigam a utilizar um aditivo cujo objectivo é facilitar o ponto de ignição das partículas (reduzir a temperatura a que estas são queimadas). Os FAP com este aditivo são extremamente eficientes conseguindo com alguma facilidade destruir virtualmente 100% das partículas (coisa que os FAP normais só conseguem em situações ideais de funcionamento), mas têm o problema de exigir que se vá reabastecendo com o dito aditivo, algo que as pessoas não gostam de fazer, e por isso a tendência é cair em desuso.

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  2. Isto é a maior fraude do sector de sempre, muita gente vai ser despedida fábricas vão falir mas o pior está feito que é a poluição e perante isso têm obrigatoriamente de apurar os responsáveis e mete-los na cadeia, gostava de ver todos a ter uma atitude humana principalmente os governos dos estados membros a investigar a nível nacional e cortar relações com o grupo vw, acho que pedir uma geração para retomar a confiança não é pedir muito.

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  3. O preço dos FAP ainda é muito elevado mas a tendência segundo os especialistas (e aqui vendo o peixe como mo venderam a mim) é para cair rapidamente, essencialmente por duas razões: massificação e progresso tecnológico que já permite substituir os extremamente caros filtros revestidos a platina por placas cerâmicas, bem mais baratas.

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  4. Maior fraude do sector de sempre? Nem de longe nem de perto!
    Ainda vão rolar muitas cabeças em todas as marcas. Estou de acordo que a VW pague por ter defraudado os consumidores (se assim se verificar), Já é sabido que o grupo vw estava a recolher os tais 500 mil veículos desde Abril deste ano para resolver o problema. Mas não confio nessas instituições americanas que afirmam que um Camaro SS pouco polui e consome metade do que se verifica na realidade. é realizar teste independentes.
    Desconfio que se a desconfiança nos diesel se alastrar a Europa, muita gente vá perder o emprego. Tudo o que seja marca que produza veículos idênticos ao testados, seja Fiat, Opel, Toyota ou uma marca francesa qualquer.

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    1. No total são mais de 10 milhões de automóveis com este software e o consumidor final foi o menos prejudicado, estão a imaginar os contratos nada baratos entre países e empresas e a VW? As normas principalmente europeias relativas aos consumos e gases que todos os fabricantes têm de respeitar e a VW enganou todo o mundo, isto foi planeado rigorosamente por várias pessoa, foi preciso a chefia dar ordem mas teve uma grande pesquisa no sector para enganar os testes, conseguem imaginar mais de 10 milhões de automóveis a fazerem testes periódicos e ninguém deu pela falcatrua, foi um teste independente que tentava provar que os disel não são tão poluentes como os americanos pensão, mas acabaram por desmascarar a VW sem querer.

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