2018/11/06

Quanto custa desenvolver um chip?


Há vários anos que empresas como a Apple e Huawei começaram a criar os seus próprios chips para os smartphones, para não ficarem dependentes de empresas como a Intel e Qualcomm... Mas, quanto é que isso lhes custa?

Criar um chip de raiz, mesmo tendo acesso a alguns módulos "pré-feitos", como os núcleos ARM, é algo que não passaria pela cabeça de muitas empresas - especialmente quando existem chips já feitos que se podem comprar. Mas, à medida que se começam a vender milhões e milhões de equipamentos, e se começam a contabilizar os custos... o panorama começa a mudar.

O processo não é fácil. Criar um chip de raiz é algo que obriga a ter uma equipa de pelo menos 100 pessoas, sendo frequente serem mais de 1000 nas grandes empresas. Isto faz com que, apenas em salários, já se esteja a falar de um investimento na ordem dos $30 milhões para cem pessoas (assumindo o ordenado médio de um engenheiro nesta área) a $300 milhões (para mil) por ano. Se acham muito, não se esqueçam que só nas ferramentas de desenvolvimento poderão gastar mais $10 milhões; e as licenças ARM representarão mais $10 milhões (segundo estimativas "por baixo"). Desde já, estamos a falar de custos que podem ir dos $50 a mais de $320 milhões - assustadores para a maioria das empresas. Mas então, será um mau negócio?


Depende, pois temos o outro lado da equação. A margem de lucro nos chips é de cerca de 70%, significando que num chip que poderia ser comprado por  $100, será possível "poupar" $70 se se tratar de chip da casa. No entanto, é preciso que essa poupança seja suficiente para pagar os custos do desenvolvimento. Assumindo o tal chip de $100, seria necessário gastar mais de 714 mil chips para que a poupança cobrisse os custos; ou mais de 4.5 milhões de chips, para o caso das equipas maiores (e ainda mais, se se tratar de um chip de valor mais reduzido, ou se assumirmos custos de licenciamento maiores).

Mesmo assim, olhando-se para a Apple, que vende mais de 100 milhões de iPhones por ano, já se fica com uma pequena ideia de como esta aposta foi / é imensamente lucrativa - e isto sem considerar todas as vantagens de se ter total controlo sobre o chip que se deseja fazer, permitindo optimizar o funcionamento do software e do hardware para ter vantagem sobre os chips genéricos. Por outro lado, para quem vender poucos milhões de equipamentos por ano, ou que não tenha capacidade para investir centenas de milhões de dólares, é melhor nem pensar nisso.


P.S. Fica para outro dia um artigo a falar das rodelas de silício e das vantagens de adoptar processos de fabrico cada vez mais pequenos, que agora vão nos 7nm, mas que se espera que possam chegar aos 3nm daqui por alguns anos...

2 comentários:

  1. Está a faltar o pagamento a quem fabrica os chips, no caso da Apple e dos SoC recentes a TSMC.
    E que o fabricante (ou quem encomenda) com padrões de qualidade mais elevados chega a taxas de rejeição de 40%.
    O que cria um negócio de grande dimensão e muito lucrativo dos chips de refugo.
    Claro que quem for menos exigente nos critérios de qualidade tem menos taxas de rejeição e por isso pode ter preços mais baixos.

    A sério que não vos faz impressão os preços muito baixos de certas marcas?

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