2019/04/17

À conversa com Filipe Portela e Ricardo Queirós - autores do livro "Introdução ao desenvolvimento moderno para a Web" da FCA


A FCA deu-nos a oportunidade de conversar um pouco com alguns dos seus autores, e desta vez os escolhidos para a rubrica "À conversa com" foram Filipe Portela e Ricardo Queirós - autores do livro "Introdução ao desenvolvimento moderno para a Web".


Como surgiu a ideia deste livro?

RICARDO QUEIRÓS: A ideia do livro surgiu de forma natural Conheço o Filipe há alguns anos e juntos lecionamos 2 disciplinas na ESMAD (P.PORTO): Programação Web I e Programação Web II, respetivamente. A primeira visa dotar os estudantes com competências na área do desenvolvimento front-end. A segunda foca-se no desenvolvimento back-end. Constatamos junto dos estudantes, que as disciplinas têm tido bastante sucesso e numa conversa de corredor surgiu a ideia de passar a nossa experiência de lecionação para um livro prático e objetivo e que ajudasse os estudantes a
compreenderem melhor as tecnologias que gravitam em ambos os lados (front-end e back-end). Por outro lado, sentimos que no mercado de livros técnicos faltavam obras como esta, que ensinam de uma forma disciplinada e integrada a conceber e implementar aplicações para a Web.

Qual o público-alvo?

FILIPE PORTELA: Podemos dizer que qualquer pessoa que queira entrar no mundo da Web pode ser um possível leitor. Contudo destaco aqui alguns perfis:
- Professores e alunos de cursos/disciplinas de Informática, Sistemas de Informação, Ciência de Computadores e Tecnologias Web;
- Profissionais de empresas tecnológicas (programadores Web, gestores de projetos e Web designers);
- Autodidatas e todos os interessados em programar para a Web moderna.

Mas afinal, o que distingue o front-end do back-end?

RICARDO QUEIRÓS: No universo da Web, que assenta no modelo cliente-servidor, o desenvolvimento divide-se consoante o local onde as operações são realizadas: no lado do cliente, o foco é na camada de apresentação gráfica e interação (front-end); no lado do servidor, o foco é na camada lógica e na camada de dados (back-end). Um cliente (normalmente um browser) faz um pedido de um recurso (normalmente uma página HTML) ao servidor (normalmente, um servidor Web). O servidor, por sua vez, serve o ficheiro pretendido, de novo para o cliente. Neste circuito, todos os ficheiros que são interpretados pelo browser são, tipicamente, considerados front-end. Todos os ficheiros que estão do lado do servidor e que ajudam no processamento de dados e comunicação com bases de dados são considerados back-end.

Nos próximos anos, será preferível investir mais no front-end ou no back-end?

FILIPE PORTELA: Tipicamente, uma aplicação Web tem sempre um pouco das duas áreas. Contudo, nestes últimos anos, o front-end tem vindo a assumir um papel de relevo, com o surgimento das Single Page Applications (SPAs) que emulam um site inteiro com roteamento dinâmico de páginas e gestão de estado. Apesar desta nova realidade, nem tudo pode enquadrar-se numa SPA pelo que o back-end continuará a ter um papel fundamental essencialmente em aplicações que façam uso intensivo de serviços Web e sistemas de gestão de base de dados. Resumindo, páginas simples e estáticas podem ser desenvolvidas recorrendo apenas ao front-end. enquanto que se o objetivo for desenvolver uma aplicação ou uma página dinâmica é necessário ter as duas camadas front-end e back-end.

Hoje em dia, o que nos aconselham a fazer, para além deste livro, para dominar o mundo de desenvolvimento Web?

RICARDO QUEIRÓS: Existem várias formas de aprender. A sua escolha depende de vários fatores tais como, a capacidade de aprendizagem, o estilo, a disponibilidade, entre outras.
De entre todas essas formas destaco:
- Ler - livros e blogs
- Ouvir - podcasts
- Assistir - vídeos de tutoriais e streamings de programadores a escrever código
- Fazer:
- codificar em ambientes de desenvolvimento online, através de cursos interativos e assistidos (ex.: Udemy) ou playgrounds e pastebins.
- ter experiências profissionais na área, como por exemplo, realizar estágios de verão em empresas com foco no desenvolvimento web.

Ouvi dizer que sairá um segundo livro sobre Desenvolvimento Web, mais avançado, mas com estrutura similar. Podem adiantar-nos mais pormenores?

FILIPE PORTELA: Na escrita do primeiro livro tivemos como objetivo abordar os conceitos mais introdutórios do desenvolvimento Web. No segundo livro, vamos debruçar-nos sobre aspectos mais avançados e que vão ajudar os programadores a abstrair alguma complexidade na codificação de aplicações mais sofisticadas. Este será um livro mais curto, mas com um grande foco na componente prática. Por exemplo, no front-end vamos usar a framework JavaScript chamada Vue.js. É uma framework que está a crescer bastante (maior número de estrelas GitHub) e que vai permitir ao programador criar SPAs de uma forma simples, progressiva e reativa. Ainda no front-end vamos dar ênfase à criação de aplicações PWA (Progressive Web Apps), um conceito que tem vindo a crescer e que vai permitir criar aplicações multiplataforma para dispositivos móveis indo buscar algumas das características até aqui exclusivas das aplicações nativas móveis. Do lado do back-end vamos utilizar as Bases de Dados não estruturadas (mais especificamente o MongoDB) e reforçar a componente de segurança e acesso aos dados através da utilização de tokens.

Ricardo, o que tem este livro de tão especial em relação aos seus restantes oito(!) livros publicados pela mesma editora?

RICARDO QUEIRÓS: Várias coisas. Primeiro, a temática. É um livro sobre desenvolvimento Web. Todos os outros (à exceção do livro sobre Bootstrap) são sobre desenvolvimento nativo para dispositivos móveis. Depois, a área da Web é uma área aliciante e que está numa fase bastante rica, mas ao mesmo tempo volátil. Contudo essa volatilidade assenta em fundações bem enraizadas e que devem ser assimiladas por todos aqueles que querem iniciar neste mundo da Web. O livro foca-se nessas fundações com uma abordagem prática e introdutória. Por fim, é o primeiro livro que escrevo juntamente com o Filipe. Esta experiência de co-autoria foi muito fácil graças à disponibilidade e cumplicidade de ambos.

Filipe, como foi escrever o livro enquanto lançava uma startup?

FILIPE PORTELA: Foi um grande desafio, em que o sucesso muito se deve à ioTeam e ao Ricardo Queirós. A ioTeam assegurou o desenvolvimento das soluções e consequente crescimento da IOTech, o que permitiu dedicar algum do tempo livre à escrita do Livro. Sendo este o meu primeiro livro, a experiência do Ricardo foi fundamental para a consecução do mesmo, pois foi-me dando conselhos e dicas na escrita de cada um dos capítulos. Sem dúvida que esta foi uma aposta bem conseguida pois permitiu também mostrar um conjunto de boas práticas que são a essência da IOTech.

Então, de que forma o livro e a IOTech se relacionam?

FILIPE PORTELA: A IOTech nasceu da vontade de inovar, desenvolver soluções inteligentes para a sociedade/empresas e focadas nas pessoas e ao mesmo tempo ajudar no processo de literacia digital. O livro é um contributo para a sociedade pois permite desmistificar os conceitos da programação web e permite fazer uma ponte entre esses mesmo conceitos e a IOTech, uma vez que, apresenta algumas das tecnologias, paradigmas e abordagens seguidas na IOTech. Este livro não é um mero livro técnico, pois, para além de fazer uma introdução de todos os temas relacionados com a programação web, contém ainda um projeto prático que pode ser utilizado como base para todos aqueles que quiserem desenvolver soluções nesta área. Como pode ser facilmente percetível a base desse projeto é a mesma que é utilizada pela a IOTech.


E é tudo, o nosso obrigado pelo tempo dispensado, e ficamos aguardar pelos seus próximos livros. :)


Sobre os autores:
Filipe Portela - Professor convidado na Escola Superior de Media Artes e Design do Politécnico do Porto e na Escola de Engenharia da Universidade do Minho. Investigador integrado do Centro Algoritmi. Escritor na FCA e co-autor do livro: "Introdução ao desenvolvimento moderno para a Web". CEO e fundador da startup tecnológica IOTech - Innovation on Technology.

Ricardo Queirós - Professor na Escola Superior de Media Artes e Design do Politécnico do Porto. Investigador efetivo do Center for Research in Advanced Computing Systems do INESC TEC. Escritor na FCA de vários livros relacionados com programação de aplicações para dispositivos móveis, Web e jogos e para a Web.



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