2021/08/10

Apple tenta esclarecer "espionagem" das fotos - mas falha no ponto mais crítico

Face ao número crescente de vozes críticas ao sistema de espionagem das fotos nos iPhones dos utilizadores, a Apple tentou clarificar a situação, mas falhando num dos pontos que é o mais criticado: o de se poder ver obrigada a expandir essa espionagem em países mais restritivos.

A Apple lançou um documento de esclarecimento quanto às medidas que vai implementar para, nas suas palavras, combater o abuso sexual de menores; e que surge a par de vários outras medidas que complicaram a situação, como a da detecção de imagens locais que possam ser impróprias para menores, dentro da sua app de mensagens.

Os esclarecimentos são válidos, e a Apple até chega ao ponto de dizer que recusará qualquer exigência de qualquer país que deseje utilizar o sistema para mais do que esta função. Uma recusa que no entanto não está a convencer ninguém, e basta olha para o seu comportamento no passado. Basta relembrar que na China a Apple removeu uma série de apps, e guarda a informação iCloud dos utilizadores em servidores no território, sob controlo do governo chinês.


Há ainda quem relembre que, mesmo que a Apple se recuse a adicionar outro tipo de imagens, nada impede uma qualquer entidade de segurança de fazer o pedido para adicionar as fotos que deseja localizar à lista, que depois é passada à Apple sem que esta tenha qualquer possibilidade de saber se as imagens detectadas são ou não aquilo que deveriam ser.


Pensar que ainda há pouco tempo a Apple se gabava de que a informação dos utilizadores nunca saia do iPhone e se mantinha privada, face aos serviços da Google que enviam quase tudo para a cloud - e agora é ela a dar início a este péssimo precedente de andar a espiar e denunciar aquilo que os utilizadores tenham nos seus próprios smartphones.

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