Em 2009 relatei o processo de montagem do meu PC principal, que se tem mantido perfeitamente capaz. Mas, o tempo não perdoa, e foi altura de passar para uma máquina nova mais actual - e que espero que possa durar tanto tempo como o anterior.
O plano não concretizado
Antes de mais umas considerações iniciais. O meu "velho PC" foi levando vários upgrades ao longo do tempo, passando para o melhor CPU que a motherboard permitia, passando para 48GB de RAM, vários SSD (SATA), e passando por várias placas gráficas. A máquina mantém-se totalmente funcional e mais que capaz de lidar com o Windows 10 com total fluidez. O meu plano inicial - tendo em conta que o momento não é propício para a montagem de novos PCs devido ao custo da memória e SSD - era simplesmente aplicar-lhe uma placa gráfica RTX 5060 ou 5070, que mesmo sendo "desaproveitada" num sistema tão antigo, permitiria aguentar mais um par de anos. Mas, a Nvidia baralhou-me os planos.Embora tecnicamente devesse ser possível meter uma RTX 5070 neste PC, a Nvidia passou a exigir um mínimo de PCIe 3.0 para as RTX 50xx, e apesar da minha velha board ter levado muitos remendos para prolongar a sua vida (havendo até modificações da BIOS para permitir o boot de discos SSD M.2 em placas PCIe), quanto a poder levar uma RTX 50xx não havia nada a fazer. Com essa porta fechada, e tendo em conta que os preços das RTX 30xx e RTX 40xx usadas têm preços absurdos (por vezes até mais caros que as RTX 50xx novas), tive que respirar fundo e dizer que "tinha que ser".
O plano "forçado" pela Nvidia
Ora, fazendo juz ao tradicional "casa de ferreiro, espeto de pau", apesar de diariamente vos trazer notícias de tecnologia, não estava necessariamente por dentro, em detalhe extremo, dos CPUs e chipsets mais recentes. Pelo que, foi necessário fazer algum trabalho de investigação. A primeira decisão prendeu-se com a escolha da plataforma: Intel ou AMD. E aí a escolha não foi demorada nem complicada, com a AMD a levar vantagem sobre a Intel. Inicialmente o plano era ir para um dos recém lançados Ryzen 7 9850X3D mais rápidos, mas depois de alguma consideração, acabei por optar pelo Ryzen 9 9950X3D - já que o objectivo é ter uma máquina que se aguente pelo máximo de tempo possível, para todo o tipo de tarefas.Para a motherboard, apesar de tradicionalmente ter preferência pelas placas da ASUS, os relatos de vários CPUs queimados nessas motherboards fez-me ir para uma MSI Mag X870E Tomahawk MAX WiFi PZ - um chipset que oferece bastante versatilidade nas ligações e expansões, quase sem restrições a nível da partilha de dispositivos (nalguns chipsets o uso de coisas como SSDs M.2 em certos slots faz com que se deixe de poder usar certas fichas PCIe, ou reduzir a velocidade). E falando de SSDs, este tornou-se no primeiro PC sem qualquer disco rígido tradicional, ficando apenas com um SSD Crucial T710 de 2TB (15GB/s) como disco principal, e um SSD Samsung 980 Pro 2TB como disco secundário. O conjunto ficou completo com uma fonte Corsair RM1000x, caixa Corsair 3500X RS-R ARGB, Artic Liquid Freezer III Pro 360, e uma gráfica MSI RTX 5070 de 12GB (embora o objectivo fosse uma gráfica de 16GB para as experiências AI, o preço exorbitante das 5070 Ti e 5080 não era justificável, sendo algo que posso revisitar quando sair a geração RTX 60xx). Para a memória, consegui encontrar uma promoção decente para um kit de 96GB de DDR5 - o sonho de meter 128GB ou 256GB fica adiado para daqui a uns anos!
A montagem
Ora, com tanto tempo de distância para o meu velho PC, a chegada dos componentes revelou as evoluções que foram feitas desde então. As motherboards estão agora mais limpas e, no caso de não se adicionarem acessórios, permitem a criação daqueles visuais que se popularizam nos "setups" de gaming. No meu caso, apesar de ter ido para uma caixa com vidro à frente e de lado, optei por limitar os elementos luminosos - que na verdade se limitam a três ventoinhas RGB que já vinham pré-instaladas na caixa. Para as restantes, assim como para o watercooler, optei pelas versões não luminosas.Um salto à parte de trás da motherboard revela o verdadeiro segredo da "limpeza" das motherboards. Basicamente, varreu-se tudo o que são cabos e fichas para "debaixo do tapete", que neste caso é "debaixo da motherboard". Fichas de alimentações, ligações aos botões e portas USB, ligações das ventoinhas (power e iluminação) fica tudo escondido na parte de trás da motherbard.
Quando se tem tudo montado, ficamos com um sistema que não dá vergonha mostrar - desde que se mostre a parte da frente. A parte de trás continua a ser o habitual amontoado de cabos, mesmo que se faça a melhor organização de cabos possível.
Em funcionamento
Depois de tudo, o momento da verdade: saber se o sistema arrancaria ou obrigaria a entrar numa espiral de desespero para tentar perceber o que estava mal. Mas, ao estilo do "andar de bicicleta", tudo funcionou à primeira - embora com momento de tensão dramática devido aos segundos que o sistema demora a arrancar (estes chipsets fazem uma "calibração" inicial para melhorar a estabilidade do acesso às memórias). Por momentos fui também induzido em erro, pois a motherboard tem um pequeno display que apresenta códigos numéricos de erro e, no início, pensei que tivesse ficado encravado num desses erros - até descobrir que afinal o número apresentado era a temperatura do CPU (que passa a ser mostrado neste display depois do processo de boot bem sucedido).Com o sistema a funcionar, foi tempo de passar à habitual dose de "stress test" a que sujeito todos os meus PCs, para assegurar que estão minimamente estáveis para funcionar sem surpresas inesperadas. Isso passa por um dia de testes de memória, outro de testes do CPU, e outro de testes do GPU. Felizmente, tudo foi superado com sucesso.
Vindo de um PC em que o acesso aos SSDs estava limitado pelo interface SATA, e mesmo o SSD M.2 num slot PCIe estava limitado a uma velocidade máxima de 1.5 GB/s, foi gratificador ver que nesta máquina finalmente posso tirar partido dos SSDs na sua plenitude, atingindo velocidades de mais de 14GB/s no SSD PCIe 5.0, e mais de 6 GB/s no SSD "lento".
Também para se ficar com uma ideia da diferença de desempenho de cada nível de acesso à memória nos CPUs actuais. Enquanto o Ryzen 9 9950X3D pode aceder à sua cache L1 a mais de 588 GB/s, o acesso à cache L2 baixa essa velocidade para cerca de 256 GB/s, sendo que a cache L3 baixa ainda mais para perto de 143 GB/s - ainda assim, mais do dobro dos meros 62.5 GB/s da velocidade da RAM DDR5 do sistema.
Como passo final das optimizações, não podia deixar de faltar a criação de um RAM disk para funcionar como disco temporário para o Windows, prática que mantenho desde sempre nos meus PCs, e que também ajuda a evitar uma quantidade considerável de escritas desnecessárias nos SSDs (mesmo hoje em dia estes sejam capazes de lidar com isso).
Conclusão final
Com esta nova máquina posso finalmente aventurar-me nas explorações dos modelos AI locais sem ter que passar a maior parte do tempo a pesquisar por patches de como correr esses modelos em GPUs não suportados (imagens no Z-Image Turbo e músicas no ACE-Step 1.5 são feitas em segundos). Ainda assim, é bastante desolador sentir que, mesmo com um sistema topo de gama, é perfeitamente notório que o Windows 11 está pessimamente optimizado - melhor dizendo: não optimizado. É totalmente vergonhoso que um clique no botão direito do rato faça surgir um menu que demora visivelmente a surgir, quase parecendo que se trata de uma mini página web a carregar (eu sei, podemos afinar as coisas para apresentar o menu tradicional instantâneo - mas tal não devia ser preciso).Veremos se as promessas da MS de se focar na optimização e melhoria do Windows 11 ao longo deste ano se irá materializar... caso contrário, lá teremos que andar constantemente a mexericar em afinações e regedits para tentar compensar as más opções da Microsoft.

























Super clean nice, falta saber o orçamento?:)
ResponderEliminarBy Gemini:
EliminarPara quem tiver curiosidade sobre o "estrago" na carteira, aqui fica uma estimativa realista de quanto custou este setup (preços mistos de lojas PT e Amazon.es durante o mês de Janeiro):
CPU: AMD Ryzen 9 9950X3D (~ 750€ - 800€)
Motherboard: MSI Mag X870E Tomahawk MAX WiFi PZ (~ 380€ - 420€)
Gráfica: MSI RTX 5070 12GB (~ 680€ - 750€)
RAM: 96GB (2x48GB) DDR5 (~ 320€ - 380€)
SSD Principal: Crucial T710 2TB (PCIe Gen 5) (~ 280€ - 320€)
SSD Secundário: Samsung 980 Pro 2TB (~ 150€ - 170€)
Cooler: Arctic Liquid Freezer III Pro 360 (~ 90€ - 110€)
Fonte: Corsair RM1000x (~ 180€ - 200€)
Caixa: Corsair 3500X RS-R ARGB (~ 130€ - 150€)
Total Estimado: ~ 2.960€ a 3.300€
Imagino o prazer e nostalgia que, volvidos 15 anos, a montagem de um PC (pensado de raiz) possa oferecer nos dias de hoje...
ResponderEliminarPessoalmente, a última experiência parecida que tive foi há cerca de 17 anos atrás na montagem (de raiz) de um Setup completo para um familiar...
Além do prazer enorme em "vasculhar" todas as peças, especificações, ranking's, compatibilidades, qualidade/preço e melhor orçamentação nos vários lojistas online, fui igualmente contemplado com uma generosa dose de prazer quando tudo funcionou perfeitamente... :)
De lá para cá e assim que o entreguei nunca mais peguei num PC. Segui utilizando portáteis próprios sem grandes intervenções "mecânicas" (apenas troca de um HDD para SSD e reinstalação do Windows por duas ocasiões).
A distância foi tanta que, aos dias de hoje, confesso não me lembrar de cabeça como instalar o Windows num disco virgem... De facto a idade não perdoa :-)
Adorei recordar os meus anos 90, armado em PC builder. Thanks.
ResponderEliminar