2026/04/26

Projecto Lunar Gateway em risco devido a módulos com corrosão

A perspectiva de ter uma estação espacial em órbita lunar fica posta em causa devido a problemas de corrosão detectados nos primeiros módulos do Lunar Gateway.

O projecto Lunar Gateway, a estação espacial que a NASA planeava colocar em órbita da Lua, enfrenta novo problema inesperado. Para além dos atrasos sucessivos e dúvidas estratégicas, foi confirmado que os principais módulos habitáveis apresentam sinais preocupantes de corrosão.

Jared Isaacman, actual administrador da NASA, confirmou que tanto o módulo HALO (Habitation and Logistics Outpost) como o módulo europeu I-HAB foram afectados. Segundo o responsável, os dois únicos módulos habitáveis já entregues apresentavam corrosão, algo que poderia atrasar ainda mais o calendário do projecto, potencialmente para além de 2030. Este problema ajuda a explicar porque a NASA decidiu por programa Gateway em pausa, dando prioridade à criação de uma base na superfície lunar.

A estação, que durante anos foi apresentada como peça-chave para missões futuras, acabou por se tornar um projecto caro e cada vez mais difícil de justificar. A existência de corrosão em dois módulos distintos levanta questões importantes, especialmente tendo em conta que foram desenvolvidos por diferentes entidades. O módulo HALO está a cargo da Northrop Grumman, enquanto o I-HAB resulta de uma colaboração internacional liderada pela Agência Espacial Europeia. No entanto, ambos partilham um ponto em comum: a estrutura principal foi construída pela empresa europeia Thales Alenia Space, que desta forma se torna na principal "suspeita" para a origem do problema.
A Northrop confirmou a situação, referindo uma "irregularidade de fabrico" e garantindo que estão a decorrer os trabalhos de reparação com conclusão prevista para breve. A empresa diz que o módulo ainda poderá ser reutilizado noutras missões, incluindo possíveis aplicações na superfície lunar. Do lado europeu, a ESA também reconheceu o problema, apontando para uma combinação de factores como o processo de fabrico, tratamento das superfícies, e propriedades dos materiais utilizados. Ainda assim, a agência refere que a corrosão não representa um obstáculo intransponível, especialmente no caso do módulo I-HAB, que estará em melhores condições e ainda se encontra em fase de construção.

Apesar de todas as entidades referirem que a situação é tecnicamente gerível, esta descoberta levanta sérias dúvidas sobre os processos de controlo de qualidade num projecto desta complexidade. Curiosamente, o problema não se limita ao Lunar Gateway. A Axiom Space, empresa que está a desenvolver uma estação espacial comercial, revelou também já ter detectado sinais de corrosão num dos seus módulos, o que pode revelar um problema mais abrangente a nível da indústria espacial.

O que é certo é que, deviso a todos atrasos, custos elevados e agora falhas técnicas, o futuro do Lunar Gateway torna-se cada vez mais incerto. O projecto que em tempos foi apresentado como essencial para a exploração espacial da Lua pode acabar por ir parar à gaveta dos projectos espaciais falhados.

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