2026/05/11

Baterias 4680 pioram Model Y europeu

As prometidas baterias revolucionárias 4680 da Tesla estão a revelar-se piores que as baterias anteriores, reduzindo a autonomia do Model Y e aumentando o tempo de carregamento.

Cinco anos depois de a Tesla ter apresentado as baterias 4680 durante o Battery Day de 2020 como sendo uma revolução para os veículos eléctricos, os resultados reais ficam bastante longe das promessas feitas por Elon Musk. Na altura, a empresa garantiu que as novas células ofereceriam cinco vezes mais energia, seis vezes mais potência, e 16% mais autonomia, além de reduzirem drasticamente os custos de produção. No entanto, os dados mais recentes mostram precisamente o contrário.

Quando apresentou a tecnologia, a Tesla destacou o novo formato 4680, com células maiores e um design "tabless", como um enorme salto tecnológico que permitiria melhorar significativamente a eficiência energética e acelerar o carregamento. Grande parte dessas promessas dependia também do processo Dry Battery Electrode (DBE), adquirido através da compra da Maxwell Technologies. No entanto, durante a reunião de accionistas de 2025, o próprio Elon Musk admitiu que o processo de eléctrodos secos acabou por ser muito mais difícil de implementar do que a Tesla esperava inicialmente.

A situação está agora a gerar maior controvérsia porque a Tesla começou a substituir baterias fornecidas por parceiros externos pelas suas próprias células 4680 em algumas versões europeias do Model Y, algo que muitos clientes já começaram a notar - e a criticar. As células 4680 produzidas na Gigafactory do Texas apresentam uma densidade energética de cerca de 244 Wh/kg, menos 13% que as baterias Panasonic 2170 (269 Wh/kg). O novo pack "8L" com células 4680, utilizado no Model Y Premium Long Range RWD europeu, oferece cerca de 79 kWh brutos e 74 kWh utilizáveis. O pack LG 5M anteriormente usado no mesmo modelo chegava aos 82 a 84 kWh. O resultado é uma queda da autonomia WLTP de 661 km para 609 km no mesmo veículo, com os mesmos motores e a mesma aerodinâmica. A única alteração relevante é precisamente a troca da bateria pelo pack 4680 da Tesla. Isso representa menos 52 km de autonomia, ou cerca de 8% de redução.

Mas o ponto que mais críticas está a gerar é o carregamento rápido. Durante o Battery Day, a Tesla afirmou que o design "tabless" permitiria carregamentos praticamente tão rápidos quanto os das células mais pequenas. Na prática, os resultados são bem diferentes. Os primeiros Model Y com baterias 4680 ficaram conhecidos por apresentarem uma curva de carregamento considerada "fraca". O desempenho cai rapidamente devido ao aumento de temperatura, com a potência de carregamento a descer abaixo dos 100 kW após cerca de 35% de bateria. O carregamento dos 10% aos 80% ultrapassa frequentemente os 40 minutos, muito acima dos cerca de 27 a 30 minutos observados nos Model Y equipados com baterias 2170. Testes independentes mostraram resultados ainda mais preocupantes. Num teste de carregamento rápido de 15 minutos, o Model Y com bateria 4680 conseguiu aumentar a carga apenas de 10% para 49%. Curiosamente, um modelo equipado com bateria LFP mais barata conseguiu adicionar mais energia no mesmo período de tempo.



Os primeiros dados do novo pack 8L europeu também não parecem animadores. Análises recentes mostram que a potência de carregamento começa a cair mal se atinge 31% de carga, muito antes do esperado - o que tem sido usado para classificar esta bateria como a "pior opção actualmente disponível" na gama europeia do Model Y.

Numa altura em que as marcas chinesas têm investido fortemente em novas baterias para todos os gostos (maior densidade, maior capacidade, preços mais reduzidos) e todas elas oferecendo velocidades de carregamento ultra-rápidas - abaixo dos 10 minutos para a maioria delas - vemos a Tesla a seguir o caminho inverso.

Comunidades de veículos eléctricos em países como França e Noruega relatam cancelamentos de encomendas e crescente frustração. Uma das maiores críticas é a falta de transparência da Tesla. A empresa não identifica que versões recebem baterias 4680 e quais continuam a usar baterias de fornecedores externos, o que faz com que muitos clientes sintam estar a comprar "gato por lebre".

Parece que afinal o fundador da CATL tinha razão quando disse que as baterias 4680 estavam condenadas logo à nascença.

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