Demonstrando a complexidade da criação de sistemas de condução autónomos em ambientes de corrida, apenas 2 dos 5 carros terminaram uma prova em Imola, com dois deles a terem colidido.
Dois carros de competição autónomos chocaram durante uma corrida a alta velocidade no circuito de Imola, em Itália, num dos momentos mais marcantes da mais recente prova da Abu Dhabi Autonomous Racing League (A2RL). Um carro da PoliMove embateu no veículo da Unimore na zona de Rivazza, uma sequência de curvas particularmente difícil. Dos cinco carros que chegaram à final, apenas dois conseguiram terminar a corrida, mostrando de forma bastante clara os limites ainda existentes da condução autónoma em situações extremas.
O acidente aconteceu depois de o carro da Unimore perder os dados dos sensores LiDAR e radar e activar uma paragem de segurança. Sem informação suficiente para determinar a sua posição com precisão, o veículo não conseguiu continuar a alta velocidade. O carro da PoliMove detectou o obstáculo e iniciou uma manobra evasiva, mas estava apenas 1,5 segundos atrás. Com a travagem da Unimore a atingir cerca de 1 g, não teve tempo nem espaço suficientes para evitar a colisão (podem vÊ-lo no vídeo que se segue, aos 29m10s).
Outro carro, da equipa TUM, também abandonou antes da partida devido a uma falha mecânica no travão traseiro. Estes incidentes mostram que tornar os carros autónomos mais rápidos não depende apenas de processadores ou algoritmos mais avançados. Um sistema pode detectar um perigo, tomar a decisão correcta, e iniciar uma manobra de emergência, mas num cenário de corrida dde alta velocidade, pode não ter tempo suficiente para evitar um acidente. Da mesma forma, uma falha mecânica pode deixar inutilizado até o software mais sofisticado.
É precisamente por isso que competições como a A2RL são importantes para o desenvolvimento da condução autónoma. As corridas permitem testar sensores, localização, previsão de movimentos e controlo do veículo a velocidades elevadas, sem colocar um piloto humano em risco. Situações como perda de sensores, curvas sem visibilidade, travagens inesperadas e falhas mecânicas criam casos que podem ajudar a desenvolver sistemas mais resistentes para utilização no mundo real. A próxima prova poderá tornar o desafio ainda maior, com mais carros, menos tempo de testes ou até restrições o uso de GPS.
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