2016/07/18

Fim da "fidelização" chega com custos acrescidos nas mensalidades


Já entrou em vigor a lei que obriga os operadores a disponibilizarem contratos sem período de fidelização mas, como seria de imaginar, é uma alteração que está longe de ser aquilo que muitos esperariam, chegando com preços bastante inflacionados.

A partir de agora as operadoras estão obrigadas a disponibilizar contratos sem fidelização e com 6 e 12 meses de fidelização, em opção ao habitual período de 24 meses. No entanto, essa é uma opção que se vai fazer ressentir - e bem - no bolso dos portugueses. Ora vejamos...

Para um tarifário de telemóvel com 500MB que custa 12,49 euros/mês com fidelização durante 24 meses; o valor mensal a pagar para quem não quiser fidelização passa a ser de 21,49 euros. Existem algumas ligeiras diferenças nos tarifários mais caros, mas estamos sempre a falar de uma "sobretaxa" de cerca de 10 euros por mês a pagar para não ter qualquer fidelização. Um valor difícil de justificar pois, ao contrário do que acontece numa instalação de internet em casa, onde haverá custos de instalação e de equipamento, aqui não há qualquer custo de instalação (ok, poderemos ter eventualmente o cartão SIM, que poderia ser cobrado - mas que não justificaria uma diferença de 240 euros ao final de 24 meses.)



Ou seja, a chegada dos tarifários sem fidelização - que, refira-se, já estavam disponíveis anteriormente, embora escondidos - não vem acompanhado de nenhuma poupança para os consumidores. No entanto, a lei tem outros aspectos que poderão proteger os consumidores. Por exemplo, se o cliente não for informado do período de fidelização, não poderá ser obrigado a pagar no caso de rescisão antecipada do contrato. Os operadores ficam também obrigados a informar de forma clara e continuada, qual o custo dessa rescisão no decorrer do contrato; assim como essa fidelização terá que estar associada a um "benefício" de que o cliente usufrua. O custo da penalização também não pode corresponder automaticamente à soma do valor das prestações em falta até ao final do período de fidelização, tendo que proporcional à "vantagem" disponibilizada (o facto disto não estar clarificado faz-me acreditar que se vá tornar numa dor de cabeça tentar perceber o que é visto como "vantagem").

Talvez mais interessante, no final do período, a refidelização só pode ser considerada se existir a actualização de equipamentos ou infraestruturas. Um cliente que no final do contrato tenha a proposta do operador para aumentar a velocidade de internet ou receber como oferta alguns canais extra "sem pagar mais por isso" (prática corrente) não poderá ficar refidelizado só por isso... Os operadores terão que actualizar as boxes ou arranjar qualquer outro argumento para continuar a agarrar os clientes....


Vamos aguardar mais alguns meses para ver que efeitos práticos esta nova lei terá na realidade, e se realmente as suas boas intenções se concretizarão em benefícios reais para os consumidores - ou se apenas teremos perante mais um caso como o do fim do custo do aluguer dos contadores de electricidade, que prontamente foi substituído pela "taxa de potência contratada".

10 comentários:

  1. Como é evidente, as fidelizações foram abraçadas pelo mercado como uma forma de poder levar um melhor serviço a um preço mais baixo, na verdade nunca pagámos tão pouco pelas telecomunicações como hoje. Com a intervenção do governo neste mercado (com a qual não discordo num sentido lato), só quem desconhece as indústrias é que poderia achar possível que se fosse ter o sol na eira e a chuva no nabal, porque como existem elevados custos com infraestrutura, serviço pós-venda, contratos com conteúdos televisivos, vendendores, etc, etc, ou se contratualiza uma permanência, ou se cobra um custo superior por período de faturação. Da mesma forma que exitem benefícios nos planos pré-pagos e pós-pagos no telemóvel onde se oferece maior conforto e satisfação em troca de um valor fixo mensal

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  2. Estou na alemanha e pago 30€ por um serviço apenas de dados de internet móvel. Sem fidelização. Com fidelização ficava por menos 10€.

    Pelo menos este é um passo para a feente

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  3. Tretas.. Estou em França e tenho um plano sem fidelização que inclui 50gb,chamadas ilimitadas, incluindo fixos na Europa e alguns outros mundiais nomeadamente Venezuela. Pago 20€ por mês mas nos primeiros 6 não pago nada.

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    1. Um plano sem fidelização que oferece os primeiros 6 meses? Que operadora é essa, se não for indiscrição?

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    2. Free mobile. Aderi o mês passado, a portabilidade foi feita na data marcada. Até agora 5*

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  4. Não podemos comparar a França com Portugal, já no seu XI era o país com maior densidade demográfica e continua a ser hoje em dia o que importa muito na hora de espalhar antenas e conseguir rentabilizar o investimento. Claro que há o resto, mercado maior, maior investimento das multinacionais, maior poder de compra, maior pressão do lado da procura a dar incentivos positivos à oferta, e sobretudo, não há grandes investimentos sem grande capital. Nos recursos humanos então, quanto maior for o volume de clientes, maiores são os ganhos de escala.

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  5. Isto é uma das consequências de quem não quer fidelização , pagará mais . Em Portugal o mercado é tipo quartel e a ANACOM nem se manifesta sobre o assunto .

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  6. Isto ainda é pior que levar com períodos de fidelização abusivos! "Ai queres ser livre ??? Então paga!"

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  7. Se a lei tivesse sido feita para corrigir algo para os cidadãos seria pela proibição completa da fidelização superior a 12 meses.

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