2017/01/16

Automóveis com OnStar e SiriusXM estão a escutar os ocupantes para a polícia


Se pensam que aquilo que dizem no interior do vosso carro constitui conversa privada, convém repensarem isso no caso de estarem num carro equipado com serviços telemáticos como o OnStar, SiriusXM (e muito provavelmente todos os demais.)

Noutros tempos, a ideia de escutar o que se passava a bordo de um automóvel seria algo que obrigaria a utilizar equipamentos de espião discretamente dissimulados no veículo. Hoje em dia, os serviços que podem ser utilizados pelos condutores para pedir informações ou assistência podem também ser utilizados para os escutar e denunciar às autoridades. Documentos dos tribunais revelam que as autoridades têm recorrido a estes sistemas para escutar o que se passa dentro de automóveis já desde 2001 - uma altura em que quem avançasse com este tipo de suspeitos seria certamente rotulado de "paranóico das teorias da conspiração".

Agora, fica comprovado que esta paranóia era mesmo real, e que as capacidades das autoridades para efectuarem este tipo de vigilância remota vão ficando cada vez mais fáceis, até quando são iniciadas acidentalmente pelos ocupantes. Num dos casos, num carro alugado, o condutor ou passageiro terão inadvertidamente ligado o modo "SOS" que faz a ligação com um operador, enquanto discutiam um negócio de tráfico de droga... sendo que o operador imediatamente reencaminhou o caso para as autoridades, que graças a estes sistemas não só podem ouvir o que se passa no automóvel, como também saber a sua localização exacta e, nalguns casos, podendo até desligar o carro remotamente e trancar os ocupantes no seu interior.

... Com assistentes digitais capazes de nos escutarem a entrarem em nossas casas (Google Home, Amazon Echo, etc.)... interrogo-me se daqui por alguns anos não teremos que dar razão a quem também vai alertando para o perigo destes dispositivos poderem ser (ab)usados, para nos espiarem dentro das nossas próprias casas.

4 comentários:

  1. Quem não deve, não teme. Deixa-os espiar à vontade, e depois? Ferramentas para as autoridades fazerem melhor o seu trabalho parece-me sempre boa ideia. A gente é que se põe logo a fazer filmes do tipo "ai eles vão ouvir a conversa que tive com a minha namorada sobre bondage, ai que humilhante, ou então "vão ouvir-me a dizer mal do meu patrão e vão-lhe fazer queixa".

    O google sabe tanta coisa sobre mim e não vejo problema nenhum. Se a publicidade aqui e acolá é inevitável então que seja algo que me possa interessar potencialmente. Se precisam saber a minha localização para me dar informação relevante sobre seja lá o que for, maravilha!

    Deixem-me pôr a coisa deste modo: suponhamos que é inventada uma máquina capaz de filmar com som todos os seres humanos do planeta. A máquina filma, mas ninguém tem acesso. A máquina sempre que filmar crimes cria um ficheiro e envia para as autoridades :) A questão é, vocês são contra a existência desta máquina? Se sim então é porque vos apetece cometer crimes e não querem que ninguém vos apanhe não é.

    PS: Com certeza que convinha ajustar "os settings" da máquina para incluir apenas crimes a partir de certo nível. Não convém ir prender ninguém por roubar uma uva no supermercado :P

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    1. Isso é uma "falsa questão". Podes dizer que não tens nada a esconder, e tudo bem. Mas... e se por acaso até há um polícia, ou amigo de um polícia, ou primo do assistente que faz a manutenção do sistema, que até acha piada à tua namorada/esposa/filha/etc. e decide espreitar um pouco mais na tua vida privada? E se for um "colega" de trabalho que até quer ver se te trama para ficar mais bem visto e conseguir uma promoção que à partida seria para ti?

      O problemas destes sistemas - como acontece com os "backdoors" que as autoridades tanto pedem, com a promessa de que só seria usado "para o bem" - é que não há forma de garantir que só trabalham "para o bem", e abrem um assustador potencial para abusos. (Podemos ver o exemplo da China, onde podes comprar informação sobre qualquer cidadão, que te indica por onde andaram, que mensagens trocaram, todo o histórico da internet que visitaram, etc. etc.)

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    2. Deixa me por a questao da seguinte maneira. Queres ser espiado e publicitado porque gostas, tudo bem... eu nao quero ser espiado e nao quero publicidade alguma, tambem tudo bem. Nao percebo esta intolerancia em relacao as pessoas que nao gostam do que os outros gostam. Haja liberdade. Nao somos todos iguais e ainda bem!

      Se o Google sabe muitas coisas sobre ti e se gostas, optimo. De mim nada sabe e estou feliz da vida. Nao tentem impor os vossos gostos... compreendam a diferenca para este mundo ser melhor!

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    3. Bom, a ver se me explico melhor. O meu argumento ia no sentido da anti-paranóia. Por isso referi o exemplo da tal máquina caça-crimes. A ideia era eliminar a possibilidade de alguém conhecido alguma vez saber algo sobre nós. Vocês repararam que os contra argumentos foram logo no sentido de alguém conhecido usar a informação contra nós de alguma forma.

      Eu sou uma pessoa que gosta de sossego e gosta de anonimato. Obviamente que não quero que ninguém saiba os pormenores da minha vida, mas se for um sistema abstrato, não tenho problemas com isso.

      Não se trata de impor gostos, no fim do dia isto são tudo opiniões num debate de ideias e filosofias. Cada um é que sabe o que prefere. Mas acho demasiada paranóia quando o google nos pergunta "posso saber a sua localização para assim poder centrar o mapa no sítio onde está, para poder mostrar-lhe restaurantes nesse sítio se clicar no botão X, para lhe mostrar um anúncio qualquer de uma promoção de um produto na sua zona"...acho paranóia pensar que isto é assim tão nefasto.

      Em conclusão, gosto de equilíbrio. Qualquer sistema evasivo terá que ser testado, terá que ter proteções, terá que ter fiscalização adequada, mas não fecho a porta à possibilidade da existência de tal sistema simplesmente porque me vai espiar, ai meu deus, siga já daqui para fora!

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