2017/02/22

Os perigos do domínio do Facebook (e de outros monopólios)


Mark Zuckerberg publicou recentemente um manifesto com as intenções do Facebook para o futuro, e há quem alerte para os perigos das "boas intenções", quando se fala de monopólios e dos seus responsáveis, que não têm que dar satisfações a ninguém.

A leitura destas críticas ao Facebook é longa mas extremamente interessante, pelo que recomendo que o façam, e passa por pontos que eu próprio já referir por diversas vezes, nomeadamente na questão do equilíbrio entre produtores, distribuidores, e consumidores.

Noutros tempos, quem produzia poderia ter a última palavra sobre como os seus produtos seriam vendidos; posteriormente evoluiu-se para um mercado onde o distribuidor e a sua capacidade de fazer chegar os produtos aos consumidores é que ganhou a posição dominante; e actualmente, enquanto empresas como a Apple e Amazon tentam fazer "tudo" e eliminar a dependência de serviços externos, serviços como o Facebook tornam-se na bússola que tem o potencial de influenciar milhares de milhões de pessoas.

Para além da impressionante quantidade de coisas que o Facebook sabe sobre cada utilizador, o Facebook sabe também de que forma todo e cada utilizador reage a notícias, sites, fotos, etc. É o tipo de poder com que muitos ditadores apenas poderiam sonhar, e que todos os utilizadores entregam de boa vontade, gratuitamente, a uma empresa privada. Embora existam limites quanto aos abusos que o Facebook pudesse fazer (antes dos utilizadores se decidirem a encerrar a conta e mudarem para outro lado), há muitas coisas que o Facebook poderia fazer de forma praticamente imperceptível, e que poderiam ter efeitos práticos bem notórios no mundo real: promover um produto, uma pessoa, uma votação...

Também não nos dará confiança que estas "redes sociais" que tanto dependeram da entre-ajuda para crescerem, agora tudo façam para que nenhum concorrente lhes possa "roubar" os seus utilizadores, esquecendo-se do pequeno pormenor de que os dados dos utilizadores - incluindo a sua rede de amigos - é algo que lhes deveria pertencer, e terem o direito de os poderem transferir para outra rede.

Enquanto utilizadores e cidadãos do mundo, importará estar alerta e informado... e saber que por trás de todos os serviços gratuitos que usamos na internet, está um preço a pagar, mais cedo ou mais tarde.

2 comentários:

  1. Tecnicamente não é um monopólio, pois o Facebook não é a única rede social existente, logo é utilizada por quem a acha interessante. O poder do Facebook é o poder que seus utilizadores dão. É comum vermos na internet invectivas contra essa ou outra empresa que é "totalitária", isso dito por pessoas que nunca viram como um regime totalitário funciona. Uma boa amostra do que é um regime totalitário é vista na Coreía do Norte, onde as pessoas sequer têm acesso à internet real, e sim aos poucos sites que o governo permite.
    Assim posto eu tenho a solução para não se preocuparem com o crescente poder do Facebook: Não utilizem o Facebook.

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    1. Para se ver se é um monopólio é preciso se olhar dos dois lados, o lado do consumidor final pouco importa.

      Para os utilizadores, não é um monopólio há o Twitter, LinkedIn, Pinterest, SnapChat e outros mais pequenos, mas para os criadores de conteúdos, é um monopólio, tens de estar lá, senão perdes a maior fatia do mercado.

      Por isso, é um monopólio.

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